Yad Vashem – Um museu que realmente faz a gente se encontrar com o passado

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Israel vista do Yad Vashem

Texto e imagens: Karen Rozenbaum

Quinta feira, 22 de julho de 2010.

Acabara de chegar no museu de Yad Vashem, na cidade histórica de Jerusalém, em Israel.

Yad Vashem – Um museu que é um encontro com o passado.

Israel vista do Yad Vashem

Israel vista do Yad Vashem

Depois de percorrer todo o museu, que aliás, tem uma arquitetura maravilhosa, avistei meu sobrenome. O sobrenome da minha família por parte de mãe Friedmann. Estava escrito numa lista de pessoas que foram assassinadas no Holocausto, na Segunda Guerra Mundial.

Yad Vashem - LIsta de sobrenomes

 Lista de sobrenomes no museu Yad Vashem em Israel

Impressionada com a lista, uma amiga se aproxima do painél e lê em voz alta uma frase que me tinha passado despercebida: “Estas pessoas foram levadas da França para o campo de extermínio em Sobibor”.

Saí do museu curiosa. Curiosa? Não com raiva? Isso mesmo, apenas curiosa, afinal não sabia se aquelas pessoas que nunca tinha ouvido falar eram da minha família, do meu antepassado.

Hora de investigar…

Então, peguei meu celular para ligar para minha avó Mariana Garcov de Friedmann, que mora em Montevidéo, no Uruguai. Como meu avô, Jorge Friedmann, já era falecido, ela era a única pessoa que poderia saber os nomes dos familiares mais antigos:

— Hola Bubi, como estás?
— Karen? Mi amor, que bueno que llamaste, no precisaba….
— Que pasó Bubi, estás bien?
— Si, si, sólo me fracture el brazo. Me lo van a operar. Tu mamá viene mañana para quedarse conmigo, está todo bien.

Uau. Que ‘sorte’ de poder ter tido a feliz coicidênca de ligar para minha avó num momento como esse, sem nem saber que ela tinha se machucado…ela ficou tão feliz…

Encontro com o passado

Bom, continuando a conversa, ela me contou que uma parte da família do meu avô morrera nos campos de extermínio no Holocausto. Ela não sabia os nomes das pessoas de cór, mas disse que tinha muitas fotos na casa dela que eu poderia encontrar algo.

Liguei então para minha mãe e pedi que ela me trouxesse de Montevidéo algumas fotos antigas que estavam na casa da minha avó e também anotações ou algo que tivesse os nomes dos familiares.

A descoberta!

Dois dias depois minha mãe me liga:
— Filha, a operação da Buba foi tudo bem e você não vai acreditar o que aconteceu!
— O quê??? — perguntei aflita.
— Peguei muitas fotos para você, mas o mais legal foi que achei um diário da minha avó (a Bába Fanny Friedmann, minha bisavó por parte de mãe), quando ela fez a viagem de Lua de Mel para a Europa!

Uau (mais uma vez). Fiquei boba, extasiada. Como assim temos um diário de viagem de uma bisavó minha que infelizmente não tive a chance de conhecer e que, de repente, enquanto estou fazendo uma mega viagem da Marcha da Vida (Polônia e Israel), minha avó se fratura e minha mãe separa umas fotos…e encontra um diário de 1929! Que jóia.

Ao voltar da viagem, recebo o diário: um pequeno caderno preto com capa dura. Abro. Folhas amareladas com bordas vermelhas. Letra manuscrita. Linda. Delicada. Caligrafia antiga, bonita. Nenhum escrito por fora. Abro a 1a página e leio:

“Montevideo 4 de Abril de 1929
Diario de mi vida desde mi ausencia de Montevideo”.

Mais sobre o Yad Vashem

Fundado em 1953 o Yad Vashem é um memorial vivo da história do Holocausto e funciona como um centro para pesquisa e educação do Holocausto.

Aberto de domingo a sexta-feira nos seguintes horários:

De domingo a quarta: ‬09:00-17:00
Terça-feira:  9:00-20:00*
Sexta-feira: ‬09:00-14:00

Entrada grátis

Museu

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mari vidigal

Viajante incansável, daquele tipo que no meio de uma viagem já está pensando na próxima, na próxima e na próxima. Apaixonada por fotografia, natureza e vinhos

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