Peru: Um tour pelo Vale Sagrado

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Meu dia pelo Vale Sagrado começou muito cedo. Acordei as 5:00 da manhã, em Lima e fui direto para o Aeroporto para pegar um vôo até Cusco. Um hora depois aterrizei em Cusco, pregada de sono, com um pouco de mal humor e muito ansiosa para conhecer as belezas do Vale Sagrado dos incas passando pelas ruínas de Pissac e Moray, Salineiras de Maras e terminando no impressionante forte de Ollantaytambo.

E quer saber? Valeu cada segundo. Tomei um banho de história e de cultura. Fiquei maravilhada com a capacidade dos Incas de arrastar, empilhar e lixar pedras enormes com uma precisão absurda e aproveitei cada pedacinho da história – muito bem contada pelo meu guia Freddy. Mal saí do Peru e já quero voltar para ver o resto. 5 dias foi muito pouco para o tanto que eu quero visitar, e um dia no Valle Sagrado foi apenas o começo dessa aventura. Amei.

Um tour pelo Vale Sagrado

Como teria apenas um dia para visitar o Vale Sagrado, escolhi fazer um tour privado e misturar pedaços do tour tradicional (Ruínas e mercado de Pissac, Ollantaytambo & Chinchero) com o tour pelas Salineiras de Marais. Esse não é um roteiro oferecido pela agências e precisa ser negociado a parte e com antecedência. Fiz o tour com uma agência local chamada Fabulous Peru Tours e paguei o tour no final em dólares americanos. Optei por sair de Cusco e terminar em Ollantaytambo de onde tomei um trem para Águas Calientes. Foi muito cansativo, mas valeu super a pena. Quer ver?

Roteiro Resumido do tour:

  • Parada no Mirante de Cusco
  • Parada no Mirante do Valle Sagrado
  • Parada para Café da manhã no mercado de Inkaq Samanan
  • Caminhada pelas ruínas de Pisac
  • Caminhadas pelos campos de cultivo de Moray
  • Paradas nas Salineiras de Maras
  • Almoço em Urubamba
  • Parada super rápida na fábrica de bebida local
  • Caminhada pelo forte de Ollantaytambo

Roteiro detalhado:

A chegada no aeroporto de Cusco

A chegada em Cusco é uma bagunça. A sala de desembarque é pequena e fica abarrotada desde cedo. Gente gritando “Taxi, Taxi, Taxi”, gente tentando oferecer hotéis e passeios e a esteira rolando com as malas.

Na saída, uma grade bem baixinha separa as pessoas que acabaram de chegar do aglomerado de pessoas esperando turistas com plaquinhas de papel e de taxistas se estapeando por clientes. Durante os 20 minutos que fiquei no aeroporto presenciei duas brigas, nada muito sério, mas uma péssima primeira impressão. Os cintos das calças dos taxistas se transformaram em armas e a cintada tava rolando solta.

A saída é confusa, são duas possíveis portas com taxistas amontoados nas duas gritando que a saída correta é por lá. A verdade é que não existe saída correta, e que a disputa por clientes é feita no grito. (Para evitar essa prática mega feia, vale a pena pagar um pouco mais e pegar um taxi oficial, não vale?!) Ainda bem que eu já havia contratado meu tour e que não tive que passar por essa confusão.

Deixando a confusão de lado, fui muito bem recebida pelo Freddy Medina da Fabulous Peru tours (uma ótima indicação da Naty e do Freddy do Sunday Cooks) e por um motorista. E sem perder muito tempo saímos para o nosso tour. Enquanto deixávamos a cidade de Cusco, ele ia me explicando a importância do turismo para a região. Cerca de 60% dos empregos são gerados (de forma direta ou indireta pelo turismo) e alguns dados demográficos interessantes. Como tenho bastante interesse pela parte histórica e cultural, pedi que ele focasse as explicações do tour nestes dois aspectos, o que foi bem legal.

O Mirante de Cusco

Nossa primeira parada foi no Mirante de Cusco, um cristo Redentor, de braços abertos como o carioca com uma vista privilegiada da cidade. Lá do alto é possível enxergar a Plaza das Armas de Cusco, as torres das igrejas e uma multidão de telhados cor de tijolo. Um belo começo.

Mirante de Cusco

Dali formos subindo o vale passando por algumas das ruínas da região de Cusco, que eu visitaria alguns dias depois durante o meu city tour pela cidade. Sempre que havia algo diferente no caminho, o Freddy encostava o carro e me contava o porque.

Touros nos telhados

Paramos num pequeno vilarejo no meio da estrada para observar os touros de barro no alto das casas. Um sinal de prosperidade bem comum na região.

Touros no telhado - Peru

Epicentro do terremoto

Também paramos no Epicentro de um dos terremotos recentes para ver o corte nas montanhas e a vila lá embaixo

Marcas do terremoto - Vale Sagrado

Mercado de Inkaq Samanan

Uma parada rápida para os guias tomarem um café da manhã. Dei uma olhada nas barracas, mas não achei nada incrível, achei tudo com cara de made-in-china. Acompanhei um pouquinho do trabalho de uma senhora rabugenta que tecia um pano colorido bem bonito, e fiquei feliz em pagar um sol por algumas fotos.

Mercado Valle Sagrado

Mercado - Valle Sagrado Peru

Mirante do Vale Sagrado

Mirante do Vale Sagrado -Peru

Nossa próxima parada foi numa das vistas mais lindas do Vale. Aqui o Freddy me explicou um pouco sobre a agricultura local e a fertilidade da região que produz, desde a época dos incas, uma variedade enorme de legumes e grãos. A montanha nevada no fundo se chama Veronica é era tida pelos incas como uma das protetoras da região.

Freddy me explicando sobre os grãos do Vale Sagrado

Freddy eo nosso motorista me explicando sobre os grãos do Vale Sagrado. Bela vista não? Juro que a explicação também foi boa!

Llamas no Vale Sagrado

E olha que gracinha estas Llamas no Vale Sagrado!

Pissac

Pouco depois começam a surgir os primeiros canteiros agrícolas no alto das montanhas. Não tinha ideia que Pissac estava tão perto de Cusco (são só 33 Km). Parei para fotografar alguns deles, sem ter a mínima idéia o que eu veria a seguir seria 200 vezes mais impressionante.

Terraços Incas de Pissac

As Ruínas de Pissac

O complexo de Pissac vai muito  além dos terraços agrícolas fotogênicos que eu esperava encontrar. Aqui há um cemitério impressionante, residências classificadas por hierarquia, aquedutos com cursos de águas canalizada, muralhas e templos, tudo isso rodeados por terraços agrícolas em forma triangular. O complexo tem 4Km de extensão, e foi durante essa caminhada que senti o peso da altitude. Aguenta pulmão que tem muita coisa vindo por ai! 😉

Templo do Sol - Pissac - Peru

Templo do Sol em Pisac – Vale Sagrado

[Aqui agradeci pela primeira vez o fato de eu ter feito um tour privado, e poder caminhar o templo inteiro. Os tours coletivos só passam na parte de cima, que sim é impressionante, mas não mostra a imensidão da coisa].

Moray

Nossa próxima parada foi nos campos de cultivo de Moray. Mas antes disso passamos por uma cidadezinha famosa por cozinhar o Cuy al Palo, vulgo porquinho da India, que é um dos pratos típicos da região. Fiquei com dó do bichinho e acabei não provando.

Cuy al Palo

Churrasquinho de porco da índia feito na hora

Também passamos pelo centro da cidade que é do jeitinho que eu gosto, super autêntico e colorido com ruas apertadas e gente na rua. Também passamos por algumas paisagens naturais bem bonitas – que TIVE que parar para fotografar.

No caminho de Moray

Ruínas de Moray

Vale-Sagrado-Peru

Estes bonitos terraços circulares irrigados serviram de campo de experimentação para que os incas pudessem cultivar produtos agrícolas diferentes em um único local.

Além do terraço principal, que está todo bonitão e restaurado, demos a volta no complexo para visitar dois outros terraços. Gostei da diferença e amei ter visitado.

Ruínas de Moray - Valle Sagrado

As salineiras de Maras

Esse era um dos pedaços da viagem que eu tinha a maior expectativa, pois tinha visto algumas fotos lindas das Salineiras e fiquei morrendo de vontade de conhecer. E quer saber? Mesmo com minhas expectativas tamanho MONSTRO, adorei o passeio.

Salinas Vale Sagrado

Repare na família trabalhando na Salina

É impossível não se impressionar com estes terraços – que ainda produzem sal – de diferentes cores e tamanhos. São milhares de terraços, cada um deles cultivado por uma família da região. O jogo de cores é impressionante e caminhar entre as salineiras é o máximo!

Salineiras de Maras

Beliscando comidas típicas

Entre a entrada e a salineira há uma espécie de mercadinho com muitas lojinhas de sal, e produtos típicos. Aproveite para provar o grão de milho e a banana frita que são deliciosos. Depois de belicarmos bananas e milhos em 20 barracas diferentes, comprei um saquinho de milho para comer no Machu Picchu.

Os diferentes tipos de sal

O Freddy me apresentou para uma amiga em uma das lojas, a Kachi Wass, que me deu uma explicação super completa sobre os diferentes tipos de sal. São três diferentes safras de uma única salina. Na primeira sai um sal de alta qualidade para consumo humano, na segunda sai o sal para o consumo animal e na terceira o sal de banho.

Kachi Wass - Sal do Peru

Chicha: a bebida típica Peruana

Paramos para almoçar em Urubamba e na saída fizemos uma parada super rápida para provar a bebida local. A Chicha. Provei a versão original e a de morango e não achei a menor graça.

Ollantaytambo

E para fechar o dia com chave de ouro, chegamos em Ollantaytambo. A entrada na cidade – que foi toda construída sobre ruínas já é super impressionante e o forte é surreal. O templo é cercado por montanhas, e é repleto de pedras enormes e super bem llisas, que foram carregadas sobre torras de madeira até ali. Impressionante.

Ruas de Ollantaytambo

Como Ollanta é quase uma parada obrigatória para quem vem para o vale, o templo estava muito mais cheio que minhas paradas anteriores, mas o Freddy me levou para lugares mais desertos e muito menos visitados de onde consegui tirar boas fotos.

Ollantaytambo

Terminado o tour, fui até a estação de trem de Ollantaytambo de onde peguei o trem das 19:00 rumo a Águas Calientes, uma cidade pequenina que serve de base para quem visita o Machu Picchu.

E valeu a pena fazer um tour privado?

Muito. Adorei ter feito tudo no meu ritmo privilegiando os lugares que eu acho importante. A experiência foi muito mais profunda que uma viagem em grupo. G

  • Quanto custa? A partir de 80 dólares por pessoa.
  • Duração: um dia inteiro com saída de Cusco e opção de voltar a Cusco ou ficar em Ollantaytambo.

Terraços em Ollantaytambo

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mari vidigal

Viajante incansável, daquele tipo que no meio de uma viagem já está pensando na próxima, na próxima e na próxima. Apaixonada por fotografia, natureza e vinhos

10 comments

  1. Fabiana Lopes 11 dezembro, 2014 at 18:35 Responder

    Ei Mari!
    Adorei o blog.
    Foi uma delícia ter te conhecido durante essa viagem. Uma série de coincidências me permitiram desfrutar muitas vezes da sua companhia num dia incrível. E como é bom conhecer pessoas de espírito aventureiro e que amam viajar como a gente ;). A partir de agora estou seguindo suas dicas!!! Grande bj Fabi

    • mari vidigal 11 dezembro, 2014 at 18:41 Responder

      Oi Fabi,
      Obrigada pela visita! Adorei te conhecer!
      Se topar, quero fazer um entrevista com você sobre sua viagem (E-S-P-E-T-A-C-U-L-A-R) na América do Sul.

      Beijos

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