Rússia: Roteiro de 4 dias em Moscou

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Texto e Imagens: Karen Rozenbaum

A Rússia foi um dos lugares mais especiais que já visitei. Moscou me lembrou São Paulo.

Uma cidade grande, caótica, cheia de pessoas correndo pra cá e pra lá. Mas linda. Com seu encanto. Suas calçadas quebradas, sempre em construção. Mas parques, praças e Catedrais deslumbrantes. É um misto de muita história com nomes como Lênin, Stálin, Bolshoi, Ivan, O Terrível, e ao mesmo tempo modernidade e arquiteturas monumentais.

E tem as estações do metrôs, ah as estações….Verdadeiros ‘Palácios do Povo’, como dizem por lá. Tem a estação da década de 70 com lustres redondos como em discotecas, tem outra com tudo de mármore, ou aquela ainda mais longínqua toda de vidro e cristais….ah, que beleza!

Moscou, sem sombra de dúvida, foi meu lugar favorito da Rússia.

E tem aspectos muito curiosos como o fato ninguém falar inglês. Quando digo ninguém é ninguém mesmo! Então, na maioria dos restaurantes os cardápios vem com fotos ilustrativas dos pratos para ficar mais fácil para o turista pedir. É só você apontar para a imagem da comida que você quer e pronto!

Bom, depois dessa breve introdução sobre minha percepção e deslumbramento sobre Moscou, vamos começar do começo:

Rússia: Roteiro 4 dias em Moscou

Preparando a viagem

Eu, desde São Paulo e minha amiga Nicky, desde Madrid, começamos conversando com algumas agências de turismo e consultores. Mas todos os pacotes, sem excessão, custavam um absurdo. Então, resolvemos fuçar na internet e pegar várias dicas para montar nosso próprio roteiro.

Nosso guia? O guia “TrotaMundos — Moscú e San Petesburgo”. Em espanhol. Comprado na Espanha, mas deve ter para vender no Brasil também. Vale à pena. Super à pena! É tão detalhado quanto se realmente estivéssemos percorrendo as ruas com um guia local.

Guia Trota Mundos - Russia

Roteiro Resumido:

  • Dia 1: Chegada na cidade, Praça Vermelha à noite e jantar Uzbequistão
  • Dia 2: Mausoléu de Lênin, Kremlin e Rym
  • Dia 3: Free Walking Tour Moscow, passeio na Arbat, parque e jantar Ucraniano
  • Dia 4: Red October, Galeria Pushkin e Arbat.

Dia 1: Chegada na cidade, Praça Vermelha à noite e jantar Uzbequistão

A ida do aeroporto para o hotel já foi uma aventura, o taxi mais parecia um carro que ia quebrar a qualquer momento com um motorista correndo a todo vapor. Mas, vambóra!

Chegada ao Hotel Kitay-Gorod. Super central, simpático e só à 5 minutos à pé do Centro turístico de Moscou.

Primeira Refeição: comida típica do Uzbequistão

Como já era final do dia, saímos para passear pelas redondezas mesmo. Avistamos um restaurante com uma decoração pitoresca e resolvemos entrar: para nossa surpresa era um restaurante Uzbequistão!!

O mais legal de estar na Rússia é que é tão longe que você pode ter contato e conhecer a culinária de regiões super distantes e diferentes. 

Moscou: Restaurante Uzbequistao

Rua Zabelina – No bairro de Kitay-Gorod mesmo, há pouco minutos à pé do nosso hotel. A decoração do lugar era linda, toda detalhada.

Peça o chá Chai que é uma delícia. Acho que esse restaurante não era muito turístico pois no cardápio não tinham fotos dos pratos. Foi na tentativa e sorte mesmo; apontamos algumas comidas e não teve erro – tudo era uma delícia!

A praça vermelha de Moscou

À noite, caminhamos até a Praça Vermelha e ficamos maravilhada com as luzes e o tamanho do “Rym” (pronuncia-se “Gum”), que hoje em dia é uma grande shopping center.

Moscou: Rym a noite

Dia 2: Mausoléu de Lênin, Kremlin e Rym

O Mausoléu de Lênin

Pensando que iríamos entrar no complexo do Kremlin, ficamos 25 minutos em uma fila gigantesca em frente ao Alexander Garden (perto do McDonalds). A fila andava e ninguém conseguia nos explicar onde estávamos indo. Até que, de repente, quando não podíamos mais sair da fila que estava cercada por cordas e guardas, começamos a nos deparar com túmulos de soldados até entrar no Mausoléum que é onde está exposto o corpo de Lênin!

Foi uma experiência um tanto quando aterrorizante, uma vez que não estávamos psicologicamente preparadas para ver o pequeno corpo de tal ditador.

A Praça vermelha

Depois do susto e dos guardas gritando “Shhhhh”, paramos para tomar umas cervejas e comer frankfuters ali por perto. Passeamos um pouco pela praça e depois pelo parque ao redor.

Moscou: Praca Vermelha

Finalmente, descobrimos o lugar certo para comprar os tickets para entrar no Kremlin: na Torre da Naboroviska Platz.

Demos a carteirinha de estudante (importante levar a internacional) e entramos. Para vocês terem uma ideia, na Catedral de São Basílio, estudante para R50 e não estudante R250!

O Kremlin é um complexo gigante que era a antiga residência dos czares russos, com suas torres e muralhas, Catedral de Assunção, onde eram coroados os czares, o Campanário, o Sino da Czarina.

Entramos nas 4 catedrais do complexo e acompanhamos a história de cada uma delas com nosso Guia de viagens TrotaMundos.

Moscou: Kremlin

Então, nos deparamos com uma celebridade: a atriz Mila Kurtis — aquela ‘malvada’ do Cisne Negro.

Fiquei emocionada e comecei a persegui-la, mas acho que ela percebeu e não conseguimos tirar uma boa foto.

O incrível Rym de Moscou

Depois do Kremlin, como só tínhamos visto o Rym à noite, voltamos lá e pudemos conhecer por dentro a fantástica arquitetura e lojas chiquérrimas das melhores marcas.

Rym De Moscou

Dica pra se dar bem no metrô

No final da tarde, nos arriscamos e pegamos o metrô. Como as palavras russas são escritas em outro alfabeto e composta por muuuuuitas letras, criamos uma tática: ver as cores e números de cada linha do metrô e decorar os desenhos das 3 primeiras letras do nome da estação que queríamos descer e também o da última estação da linha, para não errar o sentido. Deu super certo, recomendo!

Noite cultural: Teatro & Jantar

Descemos em Teatralnaya. Queríamos ir no Teatro Bolshoi (vejam que fácil a associação com o nome da estação), mas como só estavam passando óperas, fomos no teatro ao lado assistir The Swan Lake (O lago do Cisne), um espetáculo da Ramt — The Russian Academic Youth Theatre. Foi maravilhoso!

Teatro em Moscou

Na saída, caminhamos um pouco e jantamos no Restaurant Scandinavia, que tem uma área externa/ terraço super agradável para comer e tomar drinks.

Dia 3: Free Walking Tour Moscow, passeio na Arbat, parque e jantar Ucraniano

Depois de nos cadastrar e reservar pelo site, às 11h em ponto nos reunimos saída da estação Kitay-Gorod, para realizar o Free Tour Moscow. Um tour à pé, com duração de 4 horas.

Antes que você reclame “Nossa, 4 horas à pé num calor de 30 graus?”, devo dizer que foi o melhor free tour de todos os tempos! Mas tem que ser com a guia “Anicha”. Não conseguimos uma boa foto dela, mas vale a que temos assim você pode ter como referência quando for para lá:

 

Free tour Moscou: Guia Anicha

Além de contar os fatos históricos da cidade, ela nos contava as lendas e curiosidades de Moscou. Aquelas que você não vai encontrar em nenhum guia turístico.

Sobre a Catedral de São Basílio

Moscou: Catedral Sao Basilio

‘Reza a lenda’ que na maravilhosa Catedral de São Basílio, Ivan, O Terrível não aguentava mais o fato de que toda vez que passava com suas carruagens e cavalos pela Praça, tinha que desviar seu caminho por causa da Catedral que ficava bem no meio. Disse que iria destruí-la.

Então, o principal arquiteto, que havia ajudado a construí-la, se trancou lá dentro para impedir que Ivan fizesse isso.

Dias depois, Ivan veio e questionou o homem:

— Qual a construção mais bela que o senhor já fez?

— Esta Catedral, respondeu o homem.

— Você é capaz de construir uma catedral ainda mais bela do que esta para mim?

O homem hesitou.

— Responda-me servo!, gritou Ivan.

— Sim, se é o desejo de vossa senhoria, posso construir uma ainda mais bela.

— Isso é impossível!!, gritou O Terrível. — Como penitência não vou destruir a Catedral de São Basílio, mas vou arrancar-lhe os olhos. Você nunca mais poderá ver tamanha beleza, pois é impossível construir algo mais belo do que isso!.

E assim, Ivan, O Terrível o fez. E exilou o pobre e cego homem para fora da cidade.

Outra lenda é que na época de Stálin:

Um belo dia ele estava sentado em seu escritório tomando um café. Como estava muito quente, sem querer apoiou a xícara sobre o rascunho das linhas do metrô. Não deu outra, formou-se um círculo marrom. A linha marrom do metrô. Dizem ser as estações mais lindas de Moscou.

Mapa de metrô de Moscou

Rua Arbat

O término do tour foi na tradicional rua Arbat. Achei bem parecida com a Calle Florida, de Buenos Aires. Muito bares, restaurantes e lojinhas de souvenirs.

Almoçamos no Double Coffee . Garçom muito simpático e por incrível que pareça, falava inglês!

Na parte da tarde, pegamos o metrô até a estação Vorobyovy Gory – Linha Vermelha (veja mapa do metrô em inglês aqui) que tem porcelanas expostas e vista para o mar.

Vorobyovy_Gory_subway_station

(imagem: Mekhontsev Andrei)

Encontramos com a Paulina, uma amiga da Nicky e passeamos pelo parque ali perto, que dá para ter uma visão geral da cidade.

Descemos na estação Tretyakovskay — Linha Verde e jantamos num típico restaurante Ucraniano (logo em frente ao metrô), com garços vestidos à caráter. Parece estar escrito algo como “Kophina” (veja foto abaixo) como nome do restaurante, mas o verdadeiro nome é “Taras Bulba Korchma”:

*Não lembro o nome, mas adorei o drink rosa! Se puder, peça que é o mais típico da região.

Restaurante Ucraniano em Moscou

Garçonete do Restaurante Ucraniano

Dia 4: Red October, Galeria Pushkin e Arbat.

No quarto dia, conhecemos a parte sul de Moscou: Red October, a Galeria de arte Pushkin (com quadros de Matisse, Picasso, Miró, Marc Chagal) e fomos na 1a Igreja da cidade que ficava ao lado do nosso hotel, em Kitay-Gorod.

Obras de Arte: Moscou

Como no Walking tour ficamos pouco tempo em Arbat, resolvemos voltar passear mais por lá e então jantamos no Hard Rock Café.

Algumas dicas de comidas imperdíveis:

  • Culinárias Ucrâniana e do Uzbequistão (vide acima);
  • O Ice Tea Lipton Raspberry, uma delícia!
  • O Rolinho (panqueca) de carne, parece comida de vó. É um prato super típico de lá, tem em qualquer canto;
  • Meu café (e capuccino) preferido e talvez um dos mais tradicionais de Moscou, considerando-se que tem em qualquer canto:

 

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mari vidigal

Viajante incansável, daquele tipo que no meio de uma viagem já está pensando na próxima, na próxima e na próxima. Apaixonada por fotografia, natureza e vinhos

5 comments

  1. J. Venâncio 1 julho, 2016 at 15:28 Responder

    Hey Mari, muito legal. Estou planejando um roteiro pelos bálticos e Rússia no próximo ano, isto já ajudou bastante

  2. Paula Andrade 22 abril, 2016 at 18:53 Responder

    Oi, vocês foram em que mês que fez 30 graus?! vou agora em junho, mas vejo temperature bem baixa para o meu gusto, que fujo de inverno. Obrigada, Paula

  3. Titi Brandileone 17 abril, 2015 at 16:27 Responder

    Adorei ler esta reportagem. Visitei Moscou ainda quando a Russia estava na cortina de ferro. Uma experiência e tanto. A praça vermelha é a pra´ca mais linda que já com seus prédios lindos, vermelhos e a Catedral de San Basílio ao fundo. O kremlin é maravilhoso, como seus salões e museos. Muito bom !

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