Roadtrip no deserto: Um roteiro pelo deserto americano

Essa é uma viagens de carro mais incríveis e mais lindas que eu já fiz.A bordo de um trailer (Motor home) percorremos mais de 4500 Km cruzando 4 estados norte americanos: California, Nevada, Utah e Arizona. Foram 14 dias de estrada passando por alguns dos principais cartões postais dos Estados Unidos como o Grand Canyon, Vale da Morte (Death Valley), Zion, Bryce e etc…

Nosso ponto de partida e chegada foi a cidade de Berkeley, pertinho de São Francisco, California. Mas quem quiser pode começar essa viagem de Las Vegas (ou Los Angeles) e dar uma volta bem menor.

Roadtrip no deserto: um roteiro de carro pelo deserto norte Americano

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Veja aqui o mapa da viagem no Google

Nossa viagem:

Como já conhecíamos a maioria dos parques nacionais da California, nosso objetivo para essa viagem era conhecer o Death Valley (Vale da morte) e o Grand Canyon, mas ao traçar o roteiro nos apaixonamos pelos parque de Utah e acabamos incluindo Zion, Bryce, Page e Sedona no roteiro.
Como estamos viajando com a RV (apelido americano para o trailer – abreviação de Recreational Vehicle, veículo de recreação) e em baixa temporada, deixamos o roteiro semi aberto, tínhamos os dias e lugares pensados mas tínhamos flexibilidade para mudar de ideia no meio do caminho. Nossa única exigência era chegar no Grand Canyon no dia 29/12 ( ou seja, em nove dias), pois nesse dia meu pai pegava um vôo para Vegas.
Não reservamos nenhum dos campings, mas fizemos uma lista com três opções por parada privilegiando campings com estrutura (entenda-se por banheiro, chuveiro quente e tomada para ligar o trailer). A opção de não fazer reservas pode ser fatal durante a alta temporada. Por pouco não “dançamos” em Sedona.

Nosso Trailer

#Roadtripnodeserto: o carro

Alugamos uma RV para até 5 pessoas, mas éramos apenas 3. O carro tem duas camas de casal confortáveis, uma cama de solteiro, cozinha e banheiro. O carro tem 22 Feet (6.7 metros)  de comprimento e é um pouco pesado, mas foi tranquilo de dirigir (aqui preciso confessar que deixei a bucha para os meninos, já que o carro era muito grande para mim que estou acostumada a dirigir um pequenininho).

O nosso roteiro: lugares e distâncias  

DIA 1: São Francisco (Berkeley) – Mammoth Lakes, California

#Roadtripnodeserto: DIA 1: São Francisco - Mammoth Lakes
Distância: 359 milhas – 578 Km
Tempo de viagem: 6 horas
O objetivo do primeiro dia foi ganhar terreno. Como o caminho mais curto para os Mammoth Lakes, uma estrada chamada Tioga Pass, fica fechada do inverno, demos a volta por Lake Tahoe e por Toyabe, quem for no verão economiza um par de horas e levará de brinde as incríveis vistas do Yosemite Park.
A volta por Toyabe foi surpreendentemente linda, repleta de montanhas parcialmente cobertas de neve e vales que me lembraram açúcar de confeiteiro sobre bolo de chocolate. O bolo eram pedras escuras que de alguma forma escaparam da imensidão branca da neve recém caída. Destaque para a região do Topaz Lake que é super bonita.
Fizemos algumas paradas para foto no caminho, sendo a maior parte delas em Tahoe, Toyabe e curtimos os últimos momentos de sol do dia no mirante do Monolake.

DIA 2: Mammoth Lakes – Death Valley

#Roadtripnodeserto: DIA 2: Mammoth Lakes - Death Valley

Distância: 216 milhas – 347 Km
Tempo de viagem: 4 horas
No segundo dia visitamos Mammoth Lakes, um lugar super lindo que já visitei durante o verão e amei de paixão. No inverno Mammoth Lakes se transforma em um paraíso para os amantes de Ski e Snowboard,  e a enorme quantidade de neve fecha os acessos para os lagos e para os mirantes. Os únicos lagos que conseguimos acessar foram os Twin Lakes, que já estavam completamente congelados.
A estrada entre Mammoth e Death Valley também é super bonita. Destaque para o Lake crowley e para as lindas vistas das montanhas de Kings Canyon (voltaremos com certeza no verão) com o imponente Mt. Morgan, uma montanha triangular que me lembrou as montanhas suíças.
Chegamos no Death Valey antes do pôr do sol e de quebra visitamos o Mosaic Canyon, um lindo canyon apertado entre duas montanhas e curtimos o por do sol do alto das Mesquite Dunes.

DIA 3: Death Valley

#Roadtripnodeserto - DIA 3: Death Valley

Distância: 100 milhas – 160 Km | passamos o dia dentro do parque percorrendo os mirantes e fazendo pequenas trilhas.
Começamos o nosso dia com um lindo nascer do sol no Zabriskie Point (foto), percorremos as Twenty Mule Team Canyon e babamos na linda vista do Dantes View (de onde é possível ver o ponto mais alto e o mais baixo dos Estados Unidos ao mesmo tempo).
Nossa próxima parada foi o Bad Water, que fica a 84,6 metros a baixo do nível do mar e é o ponto mais baixo dos EUA. Em seguida fizemos a pequena trilha da Natural Bridge,  um ponte natural formada dentro de um canyon avermelhado. De lá tocamos para o Devils Golf Course (campo de Golfe do Capeta) e encerramos o dia percorrendo as montanhas coloridas do Artists Pallete.

DIA 4: Death Valley – Zion

IMG_3785#Roadtripnodeserto: DIA 4: Death Valley - Zion

Distância: 285 milhas – 458 Km
Tempo de viagem: 4h 40
Esse é outro trecho comprido, mas como queríamos muito “dar uma passadinha” no Zion e no Bryce em Utah resolvemos encarar o perrengue.
A viagem entre o Death Valley e Vegas é bem sem graça, só no finalzinho a paisagem começa a mudar e a frenética Las Vegas brota no meio do nada. Dali começa o troca-troca de estados, saímos de Nevada um desertão, cruzamos o estado, entramos no Arizona, onde a paisagem e as montanhas em forma de canyon dão um verdadeiro show e entramos em Utah, onde montanhas e cidades se misturam.
O trecho final da viagem, passando por canyons avermelhados cobertos com pontinhos de neve é lindo e valeu por toda a estrada. Chegamos no Zion no final do dia e ficamos muito impressionados com as paisagens.

DIA 5: Zion – Bryce Canyon

#Roadtripnodeserto: DIA 5: Zion - Bryce Canyon

Distância: 85 Milhas | 136Km
Tempo de viagem: 1h 45
Passamos a manhã no Zion National Park e fizemos duas trilhas, uma moderada e uma de nível fácil. Depois do almoço tocamos nossa viagem rumo ao Bryce Canyon. A saída de Zion pelo túnel foi um dos meus trechos preferidos da viagem, fiquei apaixonada com o contraste entre o vermelho dos canyons altíssimos, o verde das árvores e os pontinhos brancos de neve. [Sim, estava frio pra caramba!]
A chegada no Bryce, pela Dixie National forest e suas formas avermelhadas estranhas também é um máximo. Chegando no Bryce, assistimos o por do sol no sunset point.

DIA 6: Bryce Canyon

#roadtripnodeserto - DIA 6: Bryce Canyon
Distância: 32 milhas | passamos o dia dentro do parque percorrendo os mirantes
Paixão à primeira vista, o Bryce é um dos lugares mais lindos e interessantes que visitamos. Os Hoodoos, pedaços de pedras avermelhadas com formas diversas são lindos. Visitamos todos os mirantes, sendo que o Inspiration Point ganhou o meu coração.
Para quem curte andar, fazer uma das trilhas por dentro do canyon, é IMPERDÍVEL. Fizemos uma caminhada, em loop, de 5km que começou no Sunset point, desceu pelo Queens Garden, e terminou com a subida da trilha Navajo. AMEI o passeio!

DIA 7: Bryce Canyon – Page

Roadtripnodeserto - DIA 7: Bryce Canyon - Page

Distância: 171 milhas | 244 Km
Tempo de viagem: 2h 40
Acordamos cedinho e tocamos direto para Page no Arizona. Passando a  Floresta Dixie  (na entrada do Bryce), a estrada é bem ok até os últimos 80 Km, quando Canyons enormes começam a tomar conta da paisagem. Aí sim fica bonito!
Já em Page, vistamos o mirante Wahewap, que tem uma linda vista da cidade com destaque para o Lago Powell e as lindas curvas do rio Colorado. De lá seguimos para o Horseshoe Bend, um lindo mirante onde o rio faz uma curva incrível. Fechamos nosso dia com um passeio pelo Lower Antilope Canyon, um canyon avermelhado com curvas e cores de tirar o fôlego.

DIA 8: Page – Grand Canyon

#Roadtripnodeserto - DIA 8: Page - Grand Canyon

Distância: 133 milhas | 214 Km 
Tempo de viagem: 2h 50
O trajeto Page – Grand Canyon, é bem ok, os canyons que surgiram na paisagem de ontem nos durante boa parte do percurso, e sem perceber chegamos neles.
Entramos no Grand Canyon pela entrada leste, a da rodovia Desert View e de lá fomos parando de mirante em mirante até chegarmos no Grand Canyon Village. Aqui preciso fazer um parêntesis para contar que nossa expectativas eram altas mas foram absolutamente superadas, amamos cada um dos mirantes e ficamos apaixonados pelos canyons.
A tarde fizemos parte dos mirantes do Hermit Road e assistimos a um por do sol no Pima Point.

DIA 9: Grand Canyon

#Roadtripnodeserto - DIA 9: Grand Canyon
Distância: 20 milhas
Tempo de viagem: 30 minutos
Começamos nosso dia com a maravilhosa trilha Bright Angel, caminhamos uns 5 Km – tinha muito gelo na trilha então demoramos mais tempo para descer do que para subir.
A tarde refizemos o Hermit Road passeando de mirante em mirante, nossos preferidos são o Pima Point e o Mohave Point, mas todos são tão lindos que gostei de visitá-los.
Nossa próxima parada foi no Mather Point, onde babamos na vista do mirante, um dos mais amplos e espetaculares do parque e fizemos uma caminhada até o Yavapai point, onde há um museu bacana de Geologia. A caminhada de menos de um quilômetro, foi um dos pontos altos da nossa visita ao Grand Canyon, vistas de chorar!
Nossa última parada do dia, foi no Yaki Point, para chegar lá pegamos um shuttle do Yavapai point. Achamos o mirante ok, mas como era o último que faltava para fechar nossa “coleção”, não queríamos deixar de visitar.

DIA 10: Grand Canyon – Petrified Forest

#Roadtripnodeserto: DIA 10: Grand Canyon - Petrified Forest

Distância: 190 milhas – 305 Km
Tempo de viagem: 3h 10 
Saimos cedinho do Grand Canyon e passamos em Flagstaff para deixar meu pai no aeroporto, de lá tocamos para a cratera do meteoro Barringer no caminho de Petrified Forest. Barringer é a maior cratera de meteoro do mundo e serve de campo de treinamento para os astronautas da Nasa, uma parada bacana para quem já tá no caminho, mas nada que valha o desvio.
A tarde visitamos o Petrified Forest, ou em português, parque das árvores petrificadas, um parque repleto de árvores petrificadas de um lado e de montanhas coloridas do outro.  Fizemos algmas trilhas curtas: Long Logs e Big Logs para ver arvores e fomos até o Blue Mesa para ver lindos exemplos de montanhas coloridas. Curti o passeio.

Veja este dia em detalhes aqui. 

DIA 11: Petrified Forest – Sedona

#Roadtripnodeserto: DIA 11 - Petrified Forest - Sedona
Distância: 138 milhas – 222 Km
Tempo de viagem: 2h 20
Voltamos até Flagstaff pela mesma estrada da vinda, uma reta enorme lotada de pequenos arbustos rodeados por “grama” dourada. Lá no fundo a linda montanha Humphreys com o pico coberto de neve deixou o cenário bem especial.
A serra que desce para Sedona (89A) é uma estrada bem ruizinha, apertada, mal tratatada pelas baixas temperaturas, porém muito linda. A floresta de pinheiros dá espaço a lindas montanhas avermelhadas que começam a aumentar com a proximidade de Sedona. Ainda na estrada paramos no Slide Rock State Park, um parque delicioso para nadar durante o verão mas que no inverno ficou só na olhada.
Chegando na cidade, fizemos um trilha linda chamada Marg’s Draw, que sobe um morro trilhando os caminhos de um antigo rio seco. A vista lá do alto é sensacional.
A tarde passeamos pelo centrinho de Sedona que é super gostoso, degustamos azeites no Sedona’s Oils, degustamos vinhos do Arizona, comemos um fudge incrível no Sedona Fudge Company e jantamos comidas exóticas no incrível Cowboy’s Club.

Veja este dia em detalhes aqui. 

DIA 12: Sedona #Roadtripnodeserto: DIA 12: Sedona

Distância: 30 milhas

Sedona é uma cidade meio mística rodeadas de rochas interessantes e dos quatro maiores Vortex do mundo (rochas com formato circular que carregam grandes quantidades de energia). Hoje fomos visitar algumas dessas rochas.
Começamos o dia com o Boyoton Pass que é o Vortex mais afastado do centro e fizemos uma trilha de 3.2km (ida e volta) para chegarmos até a pedra. Nossa segunda parada foi mirante do aeroporto que tem uma vista sensacional da cidade e fica pertinho de um segundo Vortex chamado Aeroport Mesa, apesar de ser o Vortex menos diferente, o airport Mesa tem uma vista 360 sensacional da cidade.
Dalí tentamos visitar o Cathedral Rock, que infelizmente tinha um estacionamento pequeno de mais para o nosso trailer. Tivemos que nos contentar com fotos de fora.
Nossa quarta parada foi no Little Horse Trail head onde fizemos uma trilha chamada little Bell, lá de cima tivemos o deserto só para nós e uma boa vista do Bell Rock, só que sem a multidão de pessoas do Bell Rock, amei a alternativa e o cenário.
Por fim visitamos a capela  – Holly Cross Chapel – de Sedona, que fica no alto de rochas averrmelhadas, um prédio moderno e interessante.

Veja este dia em detalhes aqui. 

DIA 13: Sedona – Las Vegas

#Roadtripnodeserto: DIA 13: Sedona - Las Vegas
Distância: 277 Milhas – 445 Km
Tempo de viagem: 5 horas
Penúltimo dia de viagem, dia de ganhar terreno e começar a retornar para a California, fazendo uma parada estratégica em Las Vegas. Voltamos até Flagstaff pela mesma estrada da vinda de de lá tocamos para Vegas pela rota mais curta com uma parada no Hoover Dam (foto).
Chegando em Las Vegas fizemos um brunch campeão no Bellagio, passeamos um pouco pelos hotéis a tarde e a noite jantamos no Irlandês do hotel NY NY.

Veja este dia em detalhes aqui. 

DIA 14: Las Vegas – Berkeley

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Distância: 555 milhas – 893 Km
Tempo de viagem: 8:30
Dia de tocar para Berkeley direto e reto. Até pensei em fazer uma paradinha no Mohave desert, a estrada passa do lado, as vistas são interessantes, mas depois de tantos dias de estrada e com tantas horas pela frente acabamos desistindo e passando reto!

E Valeu a pena viajar tanto?

Sim, sim e sim. Hoje depois de 14 dias de viagem, digo que amei todos os lugares. O roteiro ficou bem desenhado e se pudesse fazer algo diferente, teria pulado o Petrified Forest, gostei do parque mas não valeu a volta, e teria ficado mais um dia em Zion.

A viagem foi uma das mais lindas e impressionantes das nossas vidas, valeu e muito a pena.

Postado originalmente em 4 de janeiro de 2014 e atualizado em 29 de julho de 2015

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About author

mari vidigal

Viajante incansável, daquele tipo que no meio de uma viagem já está pensando na próxima, na próxima e na próxima. Apaixonada por fotografia, natureza e vinhos

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