9 dias no Japão: Tóquio, Kioto, Nara & Hiroshima

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Arashiyama - Kioto

A Fernanda Granato, autora do blog Sweet my Sour acabou de voltar do Japão. Nesse post, ela divide com a gente um pouco do que viu, viveu e aprendeu ao longo dos seus 9 dias no Japão (divididos entre Tóquio, Kioto, Nara e Hiroshima).

9 dias no Japão: Tóquio, Kioto, Nara & Hiroshima

Texto & Imagens Fernanda Granato.

Viajar para o Japão é uma oportunidade que vai muito alem de conhecer um país novo, sua história e cultura. Viajar pelo Japão é (1) aprender sobre pessoas (2) sentir na pele a educação dos japoneses – o jeito que você é tratado em todos os lugares (desde dentro do ônibus até dentro do restaurante) (3) padrões altíssimos de higiene e limpeza (4) pessoas que não falam inglês mas te pegam na mão e te mostram onde as coisas ficam para te ajudar (5) paciência – ninguém te apressa na fila do caixa, você ouve muito menos buzinas (para não dizer que fora de Tóquio não lembro de ter escutado nenhuma vez). Tudo isso me deixou absolutamente encantada. Mas claro que tem o lado ruim, pois eles são extremamente exigentes. O custo exigência é alto para as pessoas devido a grande cobrança que elas tem consigo mesmos. Mesmo assim, é um país que tem muito a ensinar para o mundo.

Roteiro Resumido: 

  • Dia 1: Chegada em Tokyo de manhã e fomos para Quioto no mesmo dia
  • Dia 2: Quioto
  • Dia 3: Bate volta Nara
  • Dia 4: Bate volta Hiroshima e Myiajima
  • Dia 5: Experiência num Ryokan
  • Dia 6, 7, 8 e 9: Tóquio

Hotéis:

Veja também: Roteiro de 14 dias no Japão

Transporte: JR Pass

Para fazer o deslocamento entre as cidades, a Fernanda usou o JR Pass, um ticket que te dá direito a transporte ilimitado no Japão por uma, duas ou três semanas. Nesse post, explico tim-tim por tim-tim como o passe funciona.

Por onde começar: Tóquio ou Kioto?

Fiquei em dúvida entre começar por Tóquio (mais agito) e terminar em Kioto (mais tranquilo) ou vice versa. Apesar de preferir terminar no sossego, meus vôos saiam e voltavam de Tóquio e optei pela tranquilidade de no final da viagem não ter que viajar só para ir até o aeroporto.

E falando em aeroporto, Tóquio tem dois aeroportos, o de Narita onde chegam a maior parte dos vôos (um pouco afastado da cidade, mas bem conectado por linhas de trem, e o aeroporto de Haneda, que é muuuuito perto do centro da cidade, chegamos no hotel em 20 minutos.

Roteiro Resumido: O que fizemos em cada cidade

Kioto:

Tivemos três dias inteiros em Kioto, mas acabamos usando dois deles para fazer bate-e-volta para Nara e Hiroshima.

Em Kioto visitamos:

  • Floresta de Bamboos em Arashiyama: lindo andar no meio dos bambus gigantes.
  • Templo Sanjusangendo (o templo das mil estátuas): gostei muito, tanto dentro como fora. Tem um laguinho no meio das árvores e um mini templo que parece uma capela.
  • Mercado Nishiki: amo mercado de rua e adorei provar as comidas locais
  • Passeio por Higashiyama: O bairro é muito fofo e adorei caminhar por lá.
Kioto - Japão

Higashiyama – Kioto

Nara: Bate e volta desde Kioto
  • Templo Todai- ji:Amei o templo que tem o Buda gigante, impressionantemente bonito e grandioso
  • Nara Park: adorei o park e os bambis que moram soltos por lá. Eu estava louca para dar comida para os Bambis mas parecia uma besta porque eu tinha medo deles
Templo Kasuga Taisha em Nara

Templo Kasuga Taisha em Nara

Hiroshima: Bate e volta desde Kioto (achamos corrido)
  • Museu da Bomba Atômica: Adorei ver o antes e o depois da cidade após a bomba.
  • Parque da Paz: Um parque lindo no epicentro da bomba com monumentos interessantes.
  • Miyajima: Ponto alto do bate-e-volta. Falarei mais sobre Miyajima durante o post.
Hiroshima - Japão

Hiroshima – Japão

Tóquio:

Tivemos 4 dias inteiros para explorar a cidade. Os lugares que mais gostamos foram:
  • Subida na Sky Tree: Realmente a vista impressiona.
  • Assistir treino dos lutadores de Sumo: ADORAMOS
  • Comer no mercado Tsukiji: Sushi delícia e o sushiman mais fofo da viagem
  • Shibuya: Ver o cruzamento mais lotado do mundo (dica: tente ir no horário mais congestionado para sentir a emoção)
  • Akihabara (o paraíso dos eletrônicos de Tóquio): Conhecer a parte de eletrônicos dá uma noção diferente dos japoneses principalmente adolescentes viciados em jogos e em pegar brinquedos nas máquinas, eles realmente levam a sério
  • Ver as luzes e o movimento de Ginza: Andar por Ginza à noite para sentir as luzes e movimento da cidade.
  • Subida na Tóquio Tower (cópia da Eiffel Tower): Achamos ok, depois da vista do sky tree fica meio sem graça.
O cruzamento de Shibuya - Japão

O cruzamento de Shibuya

Perguntas & Respostas com Fernanda Granato

Por que Japão?

Imagina eu morando em Londres e indo para o Japão. Ninguêm entendia porque eu não viajava pela Europa. A minha resposta era: agora que estou na metade do caminho, preciso aproveitar! A verdade é que eu amo explorar lugares diferentes e culturas que rompam nosso padrão ocidental de pensar.

Para mim o Japão sempre foi um pouco misterioso, e por isso tinha muita curiosidade. Para nós Brasileiros, ir para a Ásia é tão longe, conhecer mais destes países enriquece nossa noção de mundo.

Como foi o planejamento da viagem (Como vocês escolheram as cidades e passeios)?

Uma loucura. Diferente de você Mari, eu acho que o planejamento é um mal necessário. Não gosto de ficar me preocupando com roteiro, o que fazer, o que está perto do que. Quero relaxar e curtir. Para isso, preciso ter uma mínima ideia do que vou fazer, e uma noção de logística para aproveitar e explorar as coisas numa ordem que faça sentido.

O planejamento da nossa viagem ao Japão começou com a escolha dos lugares, o que não é um processo fácil. Eu também queria ir para a China (eu falo em relaxar, mas não me aguento e quero fazer um milhão de coisas na mesma viagem), mas decidimos focar no Japão.

Temos alguns amigos japoneses que nos ajudaram a escolher as cidades. No final, entendemos que de cidade grande, Tóquio era o suficiente. Osaka me pareceu mais uma cidade grande, e por isso descartei. Kioto parecia imperdível pelas dicas das pessoas, e me animei com a ideia de ir para um lugar menos agitado e mais tradicional. Também vimos que Kioto poderia servir de base para explorar Nara e Hiroshima.

A ideia de ficar num Ryokan (hotel com estilo Japonês) foi de um casal que ia viajar com a gente, só que no final, ela descobriu que estava grávida e não poderia pegar tantas horas de vôo. Nossos amigos acabaram não vindo, mas mantivemos o Ryokan no programa para fazer algo diferente.

O que vocês gostariam de saber antes de chegar, que só descobriram durante a viagem?

Nossa, essa pergunta é MUITO IMPORTANTE! Acho que precisamos de uma área no Ideias na mala só para isso: Como evitar perrengues. Rs.

a) Troca do JR Pass: Chegamos em Haneda (aeroporto local de Tóquio) que é muito perto da cidade. Mas o escritório do JR Pass fecha às 18:00. Se você bobear, terá que pegar um transporte até Narita só para trocar o JR Pass, ou descobrir alguma outra forma de trocar. [Pitaco da Mari: Caso o escritório do JR de Haneda, Narita, Kansai ou qualquer outro aeroporto de Tóquio, troque o bilhete na estação central de qualquer uma dessas cidades. Sim, você terá que engolir o “prejú” da viagem Aeroporto – Estação central.

b) Troca de dinheiro no Japão: Meu marido é um pouco obsessivo para conseguir as melhores taxas de câmbio e não perder dinheiro na troca. Mas por causa dessa mania, acabamos passando alguns perrengues: queríamos comprar um souvenir, mas nosso dinheiro só dava para as passagens de ônibus, passamos fome no trem para Kioto pois não aceitavam cartão de crédito para comprar comida e etc… O melhor é já trocar uma boa quantidade de dinheiro nas estações ou aeroportos. Também dá para trocar dinheiro em bancos na cidade, mas tem que ficar procurando e é meio chato.  Lojas de conveniência tipo Seven Eleven tem caixas eletrônicos que aceitam cartões internacionais, mas a taxa de conversão é bem ruim, ajuda pela conveniência. Os caixas eletrônicos das ruas não funcionam para cartões internacionais (Dica da Mari: os correios no Japão tem máquinas para sacar dinheiro com uma conversão razoável). O aprendizado: trocar um pouco de dinheiro na chegada independente da taxa de conversão.

c) Linhas de ônibus: Talvez por causa da lígua, tivemos dificuldade de entender as linhas de ônibus de Kioto. O cara do hotel nos deu uma mapa que explicava o funcionamento das linhas de um jeito que não entendíamos porcaria nenhuma. Nós que nunca pegamos táxi em lugar nenhum, ficamos tão perdidos que nos primeiros 2 dias acabamos apelando para o táxi, mas logo percebemos que estávamos com uma barreira emocional (Rs) e que entender não era assim tão difícil. Aí, dominamos a cidade de ônibus.

O que eu faria se fosse hoje: baixaria um mapa da cidade no celular para estudar no trem e aprender a me locomover na cidade. Quando chegamos era tanta coisa nova que acabamos perdendo um pouco com isso.

d) Serviço de despacho de malas entre cidades” Takyubin

Descobrimos que no Japão existe um serviço de despacho & entrega de malas, o Takyubin. Os hotéis despacham as malas para você enquanto você muda de cidade. Quando você chegar no novo hotel, sua mala já estará te esperando. Se soubéssemos disso antes, teríamos feito um roteiro considerando isso.

Nesse post a Anna do Nós no Mundo explica direitinho como funciona.

e) Chip de celular no Japão

Comprar um chip de telefone no Japão não é muito fácil, mas as cidades tem Wifi no ônibus, nas estações e etc. Existe também um esquema de alugar telefone celular nos aeroportos, para mim era informação demais e nem tentei, mas o Wifi fez muita falta na hora de se locomover pela cidade.

Veja outras dicas para se dar bem no Japão nesse post.

E a língua? Algum causo engraçado/ problema de comunicação?

A língua é uma barreira e é impressionante como mesmo nos hotéis você tem que rezar para pegar alguém com inglês minimamente decente. Por causa da língua, as pessoas não se entendem o que transforma tarefas fáceis em grandes desafios. Em Kioto, por exemplo, tentamos extender nossa estada em mais uma diária para termos tempo de ir a Hiroshima. Vimos no booking.com que havia espaço disponível, mas no hotel diziam que não havia. Até eles nos entenderem e conseguirem entrar em um acordo, demoramos uma hora.

Quais foram os lugares que vocês mais gostaram?

Hiroshima & Miyajima

Eu não queria tanto ir para Hiroshima, mas acabei amando. Me impressionei ao ver o lado dos japoneses da história, e ver o esforço para acabar com armas nucleares. Outro presente foi Miyajima. Pegamos um ferry para conhecer e achamos o lugar fofo e incrível. Gostamos de lugares pequeninos e de templos, e daria para passar um bom tempo explorando. Tem gente que acha Miyajima sem graça, então é bem pessoal.

Miyajima - Japão

Miyajima – Japão

O triste foi que demoramos muito para chegar e acabamos tendo tempo contado lá. Para quem quer visitar, minha dica é: vá primeiro para Miyajima. Nós fizemos primeiro Hiroshima. Bobeamos e não vimos os horários dos Ferrys (a estação de Ferrys fica super bem localizada em Hiroshima). Quando chegou a hora de visitar Miyajima eram 13:00 e o próximo ferry só saia as 16:00. Para chegar lá por outro caminho, tivemos que dar uma senhora volta na cidade e perdemos Muito tempo :(.

[Pitaco da Mari: Concordo com a Fê. Adoro Hiroshima e Miyajima. Se couber no seu roteiro. Visite!]

Cruzamento em Shibuya

Amei ver o cruzamento de Shibuya, e atravessar a rua no meio do mar de pessoas. Gostei tanto que voltamos outro dia só para assistir as pessoas cruzando enquanto tomávamos um café em Shibuya.

Floresta de Bambus em Arashiyama

Um dos lugares que mais gostei foi Arashiyama no norte de Kioto. Adorei passear pelo bosque de bambus . Depois fomos até um lugar para ver a vista e descemos por um caminho que dava nas margens do rio Hozu, que estava cheio de barquinhos estacionados. Chegamos na hora do pôr do sol e parecia que estávamos num filme.

Qual foi a experiência mais incrível? E a mais diferente?

Diferente com certeza foi um negócio que comi num restaurante que parecia uma sopa só com aquela meleca do quiabo. Muuuito estranho. Aposto que muita gente não teria coragem nem de provar. O gosto não é ruim, mas a consistência  é tão bizarra que só comi um pouquinho. Os Japoneses ao redor, se divertiram com a cena: para nós tão estranho e para eles, tão normal.

Comida estranha - Japão

Comida estranha que a Fê provou.

Difícil escolher a experiência mais incrível. Comer sushi no balcão de um restaurante do mercadão de Tóquio foi incrível. Além do sushi maravilhoso, ficamos amigos do sushi men que ganhou o prêmio fofura da viagem.

Amamos os templos de Miyajima e descobrimos um exército de mini estátuas num jardim que ficamos apaixonados.

Templo em Myajima - Japão

Alguma furada, ou algo que vocês não recomendam de jeito nenhum?

Nós gostamos do Ryokan, passamos o dia de Yukata (versão de verão de Kimono) e foi bacana. Mas essa coisa de ir passar um dia é um pouco roubada. O check in é as 15:00, o o check out às 10:00, a sensação que é que você foi lá só para passar a tarde.

Se é para ir para um Ryokan, o ideal é pegar um bem japonês mesmo. O nosso tinha cama de verdade (e não Tatami, como deveria ser) e o jantar era servido no restaurante do hotel (tradicionalmente o jantar é trazido no quarto.)

Vocês mudariam/ fariam algo diferente no roteiro? Se sim, o que?

Teria ficado mais tempo em Miyajima. Queria ter passado uma tarde inteira lá, mas acabou sendo corrido. Ao invés do bate-e-volta (2 horas para ir e duas horas para voltar de Kioto) eu teria ficado num Ryokan lá, e na volta enviado as malas direto para Tóquio.

Miyajima -Japão

Que dicas você deixaria para outras pessoas que pensam em fazer uma viagem parecida com a sua?

Acho que para todas as viagens, dicas são boas mas tem que lembrar que tudo é muito pessoal. Não dá para levar a ferro e fogo. O melhor é escutar a experiência das pessoas, entender o que você acha mais legal, e aí fazer seu roteiro.

Por exemplo: tem gente que acha Miyajima ok, e tem gente que acha imperdível. Não tinha visto dica de assistir o treino de Sumo em lugar nenhum e foi algo que adorei fazer. Ouça as dicas, mas como a viagem é sua, use seu próprio julgamento!

Treino de Sumô - Japão

Treino de Sumô – Japão

Sobre a Fernanda Granato

Fernanda é de São Paulo, formada em Comunicação Social. Trabalhou em marketing por dez anos. Aprendeu que felicidade deve ser o caminho e não o destino. Decidiu mudar de vida e de endereço. Foi para Londres com seu marido e seu único plano é fazer o que gosta e alimentar sua alma. Seus textos traduzem de maneira delicada e aberta em palavras sensações presentes entre os episódios cotidianos de sua vida.

Quer ler mais textos da Fernanda? Dê uma passadinha no blog dela, o Sweet my Sour.

Roteiro

About author

mari vidigal

Viajante incansável, daquele tipo que no meio de uma viagem já está pensando na próxima, na próxima e na próxima. Apaixonada por fotografia, natureza e vinhos

4 comments

    • mari vidigal 23 outubro, 2015 at 01:09 Responder

      Obrigada pela visita Raphaela.
      Amando curtir suas fotos Londres no IG. Certeza que a Fê Granato vai curtir seu comentario.
      Beijos

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