Um bebê nos meus planos de viagem

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Um bebê nos meus planos de viagem

Ter um filho sempre fez parte dos planos. Mas antes disso eu tinha umas 52 viagens na fila, eu precisava conhecer a Índia, ver os mercados de Natal Europeus, mergulhar na barreira de corais, visitar o Machu Picchu.

Por que a pressa? Porque depois que o bebê nasce, a vida muda, esqueça as hora de sono, as viagens de último minuto e mergulhe num mundo de fraldas e chupetas. Ir para a Ásia com bebê, uma insanidade, uma estupidez. Era isso o que eu ouvia, e era isso o que eu pensava.

Um bebê nos meus planos de viagem

Assim ia adiando os planos do bebê e vivendo minha vida divertidíssima e hiper agitada de blogueira de viagens. Eu viajava em média 3 meses por ano (ano passado foram 5 meses e meio na estrada) alternando hostels meia boca com hotéis caprichados e desvendando -quase sempre sozinha – alguns dos cantos mais sensacionais do mundo. Minha desculpa? Preciso aproveitar ao máximo antes de venha o bebê. Como se ter um filho fosse cortar para sempre as minhas asas. E sabe o que eu descobri? Que não precisa ser assim!

Uma jornada transformadora

No começo de 2015 embarquei para uma das jornadas mais transformadoras da minha vida, fui passar um mês na Índia -Sim, eu sei que parece clichê, mas aquele cantinho de mundo tem realmente o poder te de mudar, isto é, se você estiver aberto e se você quiser mudar. A parte final da viagem foi um retiro espiritual de Rishkesh, e foi aí que começou a transformação. Num dos dias acordei com uma gripe danada – pouco depois das 5 da manhã – para tomar um banho antes da meditação. Banho frio, e eu odeio água fria. Porque raios estou fazendo isso? Aliás, o que é que eu vim fazer aqui? Enquanto me degladiava com meu mal humor, lutava com os pingos de água fria – pouco a pouco – tentando pensar numa boa razão para tudo aquilo. E então relaxei e o banho simplesmente aconteceu.

Ashram India

Em Rishkesh na Índia passando um tempo comigo mesma

A água não matou a minha tosse, mas me deu energia para seguir em frente e encarar as duas horas de meditação que teríamos pela frente. E não é que a coisa fluiu? Não sei bem como, e nem em que momento da meditação, eu comecei a chorar. Choro de entendimento. Choro de felicidade. Chorei por perceber que as coisas podiam ser mais simples e por entender – de uma vez por todas – que passei anos viajando para encontrar algo que tenho dentro de mim.

Um bebê nos meus planos de viagem

Banho nas águas do Rio Ganges | Foto Maykol Richter

Tempo de mudanças

Não, não seria o final das viagens, mas o começo de um novo jeito de enxergar a vida. De lá pra cá muitas coisas mudariam, uma delas foi minha percepção de que eu nunca estaria pronta para ter um filho, e que 50 viagens a menos ou a mais não mudariam este status. Então decidi encarar o desafio e colocar o projeto bebê em ação. O Gu que sempre esteve pronto para o desafio adorou a novidade. Sem perceber, tomamos uma decisão que mudaria nossa vida para sempre, mas ao contrário do que dizem por aí: mudaria para melhor!

Viajar grávida

Gu e eu esperando a chegada do Antonio

E sabe aquele papinho de asas cortadas? Um dos muitos mitos da gravidez que tive o (dês)prazer de navegar nos últimos meses. Filho não é problema, é companhia. Dá trabalho? Sem dúvida, mas dá muito mais amor do que trabalho. E as viagens? Elas continuaram acontecendo, pode ser que mude um pouco a freqüência e o estilo, mas essa historia de que não dá para viajar com crianças me parece MUITO mais mito do que realidade. Tenho vários colegas blogueiros de viagem que já rodaram o mundo com seus pimpolhos – Felizes – da vida. Acredito que criança que viaja desde cedo fique mais preparada para encarar os desafios do mundo, mais curiosa para aprender novas línguas e mais flexível para se adaptar as situações difíceis do mundo. O bebê vai viajar SIM!

Faltam 3 meses para a chegada do Antonio e eu continuo despreparada. Sinto os pulinhos -cada vez mais intensos – na minha barriga e percebo que cada dia fica mais perto. Ainda preciso ler uns 5 livros, ver uns dez filmes e fazer uma porrada de exercícios que não paro de procrastinar. Sei que não vai dar tempo de fazer metade disso, mas estou tranquila, e animada com essa nova fase que vem por aí. Não será o fim das minhas asas, mas a continuação de uma realidade muito linda que a Índia me mostrou. Tá tudo aqui dentro!

[Atualização: escrevi esse post há 3 meses atrás e deixei para reler e publicar mais para a frente. O pequeno Tom nasceu há 15 dias, e quer saber? Foi a melhor escolha de todos os tempos! Feliz com o bebê e com os desafios que encontraremos nessa nova vidinha de pais.]

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mari vidigal

Viajante incansável, daquele tipo que no meio de uma viagem já está pensando na próxima, na próxima e na próxima. Apaixonada por fotografia, natureza e vinhos

2 comments

  1. Fran Agnoletto 16 julho, 2016 at 21:07 Responder

    Bem vinda ao mundo de viagens com crianças.
    Sem dúvida, suas viagens ficarão ainda mais divertidas.
    E vou te dizer, com a minha experiência de 6 anos na atividade kkkk, que da sim para viajar por todo o lado com os pequenos. E sim, eles tem a nossa genética e vão adorar!!
    Muita saúde para o Antonio!
    Beijos,

    Fran @ViagensqueSonhamos

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