Seguro Viagem: Quando vale a pena contratar.

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Seguro viagem

Durante muitos anos, muitos mesmo, viajei sem seguro viagens. Na época existiam poucas opções com bom custo-benefício e sempre que eu ia orçar algo o preço era TÃO assustador que eu acabava pulando fora e decidindo arriscar. Viajava com aquela caixa de remédios enorme repleta de antibióticos, anti-inflamatórios e tudo o que eu “imaginava” poder precisar e tomava um cuidadozinho extra para não me quebrar atoa.

Mas…

Quem me conhece sabe que eu não paro quieta, e que mais de uma vez na vida tive que tomar os benditos anti-inflamatórios e até pegar caixas emprestadas com amigos para evitar uma consulta com um médico particular no exterior depois de uma torção indesejada no tornozelo ou algum outro “acidente de trabalho” indesejado durante a viagem. Também fiquei hiper nervosa quando minha irmã caçula teve uma infecção urinária dessas doloridas no Japão e teve que tratar com nosso antibiótico que não era adequado e nem forte o suficiente para curar o problema rápido. A consulta no Japão não cabia no nosso bolso, e se a coisa piorasse teríamos que voltar para casa mais cedo.

Por sorte não tive nada mais sério, nunca fui internada, nunca precisei operar nada fora do Brasil e as poucas consultas médicas que passei durante o intercâmbio foram todas cobertas pelo seguro que eu tinha na época. UFA! Hoje, morando nos Estados Unidos e sabendo BEM como funciona o sistema de saúde por aqui e em outros países do mundo, me coço de pensar na minha irresponsabilidade e na minha imprudência. Parei de brincar com a sorte e comecei a ser mais prudente.

Seguro Viagem: Quando vale a pena contratar.

Quer um exemplo básico? Acabei de fazer uma bateria de exames de sangue, nada muito especial. Sabe qual a conta que meu seguro recebeu? 3,000 dólares. Graças ao seguro, eu paguei um Co-Pay de 30 dólares e pronto. Esqueci o assunto, sem a menor dor de cabeça (e nem dor na carteira).

Agora se um exame de sangue custa 3,000 dólares, imagine o preço de uma perna quebrada ou uma internação inesperada. Não gosto nem de pensar. É claro que você não precisa fazer exames durante viagens, mas acidentes – e doenças indesejadas, infelizmente podem acontecer. E não quero te botar medo, mas te alertar para algo que eu não tinha ideia antes de mudar para cá.

[ Tá duvidando dos meu números? Dê um google básico e veja histórias dos preços e prejus que alguns Brasileiros já tiveram pelo mundo afora.]

Minha regra: Quando vale a pena contratar um seguro

Países com Sistema de Saúde complicado ou moeda forte:

Assim, em países com sistema de saúde complicado – e moeda mais forte que o Brasil, não pense duas vezes e faça o seguro saúde ANTES da viagem. Estados Unidos, Austrália, Canadá, Japão e Reino Unido são lugares que eu NÃO viajaria sem seguro saúde e que podem te falir em caso de uma complicação mais séria.

Na Europa:

Recentemente muitos países passaram a exigir comprovante de seguro de saúde na chegada o “certificado Schengen”, e as regras de cobertura e o que pode/não pode variam de país para país. Se você é cidadão Europeu veja antes da viagem quais as regras do países que você irá passar, e como fazer para usar o sistema de saúde público caso você precise dele. Esse é o tipo da informação bacana para ter em mãos antes de um eventual problema. Se você não é cidadão, vale investir no seguro e não correr riscos. Com o Euro nas alturas, qualquer faturazinha vai te doer no bolso. Caso opte pelo seguro do cartão de crédito, não se esqueça de gerar o comprovante antes da viagem, isso pode te evitar problemas na imigração.

Índia, sudeste asiático e países africanos:

Países com um sistema de saúde duvidoso – ou que você não conheça muito – podem te dar uma dor de cabeça danada em caso de doença ou internação. Isso sem falar que nesses países sua chance de ter uma intoxicação alimentar braba, malária ou outra complicaçãozinha chata são BEM maiores. Assim, para viagens mais esquisitas – ainda que um eventual tratamento nesses países possa ser BEM barato – eu prefiro fazer um seguro saúde que me garanta vôo de volta de emergência em caso de qualquer doença e cancelamento da viagem em caso de qualquer piripaque. Vai que…

Pra onde eu arriscaria viajar sem seguro:

Hoje em dia, com 30 anos na testa e um budget um pouquinho mais flexível, eu correria muito poucos riscos. Especialmente porque existem bons seguros de viagem que custam menos de 100 dólares x mês (vários deles podem ser pagos em reais e parcelados) algo que há anos atrás custava pelo menos uns 300. Talvez arriscasse para viagens curtas por países da América do Sul, desde que minha passagem de avião pudesse ser alterada em qualquer momento sem grandes custos e que a viagem não envolvesse grandes aventuras ou esportes radicais. Nesses casos, ainda sim apelaria para o seguro do cartão de crédito. O seguro do cartão de crédito também seria uma opção que eu consideraria para viagens pelo Caribe e para o México dependendo do roteiro e aventuras envolvidas.

Será que estou ficando velha e medrosa, ou será que simplesmente já vivi mais – e infelizmente acompanhei várias histórias feias de pessoas que gastaram uma fortuna por causa de um acidente besta? Na duvida, não arrisco e te recomendo a fazer o mesmo.

Outros casos que me fazem contratar um seguro de viagens

  • Esportes radicais, viagens de esqui ou aventuras: Acho que nem preciso explicar o porque, preciso? Especialmente esqui. É tão fácil um esquiador (mesmo experiente) enfiar o esqui em um buraco a voar no chão. Isso sem falar em joelhos detonados – e no caso de snowboard, clavículas e costelas detonadas.
  • Gravidez: Ninguém quer ter problema em viagem, especialmente grávida. Não viajaria grávida sem seguro de jeito nenhum. (Aliás, já não viajei, durante minha gestação fui para a Europa e para o Brasil munida de um bom seguro.)
  • Áreas com risco de doença: Viajando em época de dengue, malária ou qualquer outra chatice dessas. Taí um bom motivo para não arriscar!

Que seguro viagem escolher?

Graças a Deus nunca precisei testar o seguro viagem, então não posso dar nenhum depoimento de experiência minha. (UFA!!) Mas separei alguns posts que podem te ajudar a decidir.

O que é importante:

Verifique a cobertura, condições & franquias, e como usar o seguro caso você precise dele (tenha os número na carteira e grampeados no seu passaporte. Dentro da mala não serve para nada). Muitos seguros tem limitações, não cobrem esportes radicais, tem limite de idade e limitam o número de países por viagem. Fiqui atento antes de contratar algo que não serve para você.

O que eu geralmente compro:

Eu geralmente compro o seguro da World Nomads que tem uma cobertura excelente para esportes radicais, inclui reembolso de passagem, cancelamento de viagem e várias outras coisas mais feias que eu espero nunca precisar usar. Tenho vários amigos que já usaram e recomendam. A compra é toda online, rápida, e sem burocracia. Fácil e do jeito que eu gosto.

Para minha ultima viagem para a Europa + Brasil (lembre-se que moro no EUA e que o dólar é minha moeda) gastei 206 dólares para um seguro com quase 3 meses da validade. Coube no meu orçamento e me deixou tranquila.

E o seguro do cartão de crédito?

Muitos cartões de crédito oferecem seguro de saúde desde que a passagem seja adquirida com esses cartões (guarde o comprovante. Você vai precisar dele caso precise de reembolso).

Antes de viajar ligue no seu cartão, confira as condições de cobertura e anote o telefone de contato de cada um desses países antes da viagem. No caso da Europa, peça o “certificado Schengen” (uma garantia de que você está assegurado e que pode ser exigida na sua entrada na União Européia. Esteja preparado para arcar com eventuais despesas altas no caso de uma eventual internação e depois pedir reembolso (que pode demorar!))

Eu já usei o seguro do cartão para viagens pequenas e que não envolvessem grandes riscos, mas já ouvi tantas reviews negativas, que no caso de viagens mais longas prefiro contratar um seguro mais confiável (ou seja, fácil e rápido de usar). Para viagens de esqui e outras aventuras que possam exigir um tratamento imediato, não recomendo o seguro do cartão de jeito nenhum. Ninguém tem tempo de ligar para número de emergência e esperar quando está todo estourado.

E por que raios escrevi esse post?

Participo de vários grupos de viagem pelo Facebook e vejo que muita gente tem dúvidas sobre esse assunto, e muita gente desavisada/ mal informada aconselhando essas pessoas a correr um risco – que me parece alto e desnecessário em muitos casos. Já fiz isso muito, e como disse, não voltaria a fazer.

Vejo também que alguns blogs de viagem vendem seguros e fazem um pouco de drama escrevendo posts de “Porque você não deveria viajar sem seguros” com um tom que as vezes parece um pouco mais “interesseiro” do que informativo.

E como eu já vivi e conheço os dois lados da moeda, acho que vale a pena dividir a perspectiva de quem agora mora nos Estados Unidos e não para de tomar sustos com os custos BIZARROS dos exames e consultas daqui, mas que passou anos viajando e arriscando.

Enfim, espero ter te ajudado.

Beijos e até a próxima,

Mari

[E só pra deixar BEM claro, o Ideias na mala não vende nenhum seguro de saúde, ou seja, as opiniões desse post são todinhas minhas. E pode deixar que se algum dia eu resolver vender seguro – ou qualquer outro tipo de serviço aqui no blog, deixarei BEM claro, combinado?!

 

 

 

 

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mari vidigal

Viajante incansável, daquele tipo que no meio de uma viagem já está pensando na próxima, na próxima e na próxima. Apaixonada por fotografia, natureza e vinhos

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