Havaí: Trilha para ver a lava do vulcão Kilauea

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Lava do vulcão Kilauea

Saiba como ver a Lava do vulcão Kilauea em Big Island, e quais os desafios para quem quer fazer a trilha. Um post detalhado sobre a nossa aventura no Havaí!

Havaí: Trilha para ver a lava do vulcão Kilauea

Big Island, a maior ilha do arquipélago havaiano tem 5 vulcões ativos, o mais aparecido deles é o vulcão Kilauea, em erupção há quase 3 décadas impressiona visitantes com suas lavas vagarosas e brilhantes. Vê-lo de perto é uma experiência incrível e inesquecível. Nesse post, dividirei detalhes da experiência com direito a trilha caprichada e um show de lava! Pronto para se encantar?

Big Island: Lava do vulcão Kilauea

Pedacinho de lava escorrendo

A lava do vulcão Kilauea

Diferente desses vulcões que vemos em filmes, em que tudo explode de uma vez só e o rio de lava invade cidades numa velocidade impressionante, o vulcão Kilauea expele rios de lava vagarosa que dependendo do ano e da forma como a lava escorre desaguam no mar e formam verdadeiras cachoeiras de lava. Ver lava de perto – e toca-la com um bastão de madeira – foi uma das experiências mais incríveis do meu currículo de viajante e a primeira coisa que me vem a cabeça quando penso em Big Island no Havaí.

Abaixo descreverei os detalhes da nossa experiência, mas antes disso, vale falar das opções disponíveis para visitar o vulcão.

Como ver lava em Big Island?

Dependendo da época da sua visita, da intensidade da erupção e do local onde a lava está escorrendo, você terá três possibilidades:

A) Por terra (trilha): Essa foi a minha experiência. E exige uma boa caminhada (nós caminhamos cerca de 12 Km), preparo físico e equipamento. Antes de contratar o passeio, informe-se sobre as condições da trilha, tamanho da caminhada e se a lava está realmente escorrendo naquele local.

Lava do vulcão Kilauea

Por trilha: para quem quer chegar BEM perto da lava

B) Por Mar (de barco): Caso a lava esteja escorrendo no mar, você poderá fazer um passeio de barco e ver o espetáculo de pertinho. Lembre-se que o mar é bem bravo e que um remédio anti-enjoo pode salvar seu dia. Neste post a Lucia Malla descreve todos os detalhes da experiência dela e ressalta: “E lembre-se que em termos de lava do Kilauea, a dica MAIS IMPORTANTE é: veja onde a lava está escorrendo no dia da sua visita. Se não estiver caindo no mar, não vale a pena nem o passeio de barco nem fazer a trilha do campo de lava na beira-mar”.

Lava do vulcão Kilauea

De barco: para chegar bem perto da lava e ver o contato com o mar

C) Do alto (de helicóptero): Essa é a maneira mais tranquila de ver o fluxo de lava, ver a dimensão do estrago do vulcão e de quebra ver paisagens lindas da Costa Havaiana. Neste post o Oscar do blog Viajoteca descreveu a experiência em detalhes. Eu confesso que durante a minha visita a ilha fiquei morrendo de vontade de fazer o vôo – mesmo depois de ter visto a lava de perto – e ver a imensidão da coisa.

ANTES DE VIAJAR:

Acesse este site e leia sobre as condições de erupção do vulcão.

Trilha para ver a Lava do vulcão Kilauea

Quando visitamos Big Island, não havia lava visível no Parque Nacional do Vulcões (Vulcano National Park) – que com ou sem lava escorrendo é INCRÍVEL e merece ser visitado – mas havia um grande fluxo de lava escorrendo próximo ao oceano a cerca de 40 minutos do parque de carro. YAY!!

Subestimando o potencial da trilha

Achar o local foi relativamente fácil, uma amiga querida havia feito o passeio poucas semanas antes e nos passou todas as dicas com precisão, ela fez o passeio com um guia, mas disse que poderíamos fazer por conta própria – munidos de lanternas poderosas, bússola e um kit básico de trilha. Como a nossa amiga não é das mais aventureiras, nem pensamos em contratar um tour e decidimos ir por conta própria. (Mal sabíamos o tamanho do perrengue!)

Lava do vulcão Kilauea

Estrada fechada próxima ao local onde a lava escorria

Jeitinho Havaiano

Chegando no local porém, havia apenas um pequeno observatório – fechado por um guardinha – e tudo o que conseguíamos enxergar era a fumaça da lava  lá longe. Com cara de malandro e um sarcasmo ímpar, o guardinha nos deu um sorriso amarelado e falou “Welcome to the lava viewing point” (Bem vindos ao mirante da lava) e apontou para um cartaz que dizia que a única forma de visitar a lava era contratando uma excursão, o cartaz continha o telefone da agência e um chamado “reserve já seu passeio”.

Lava do vulcão Kilauea

Uma das poucas casas no meio do campo de lava

Como somos Brasileiros e não desistimos fácil, pegamos uma das quebradas da rua principal e chegamos numa área quase residêncial (digo quase, pois de fato estávamos no meio de um campo de lava) onde um guia se preparava para encontrar seu grupo. Eu que sou cara de pau, resolvi perguntar para ele: “Como é que fazemos para fazer a trilha em conta própria?”, e ele respondeu (olhando para os lados para ter certeza que ninguém ouvia). “Em teoria, e por motivos de segurança, a trilha está fechada apenas para grupos turísticos, caso vocês queiram entrar no meu grupo, é só assinar este formulário e pagar uma taxa (se não me engano de $120,oo por pessoa). Mas, como sou havaiano e sei como funcionam as coisas por aqui, eu se fosse vocês faria a trilha sozinho, entrem por uma das casas, o mais longe possível do guardinha e sigam a fumaça. E tenham cuidado, a trilha é escorregadia, a lava corta e no escuro vocês precisarão de uma bússola para voltar, a vantagem de fazer o passeio comigo é que eu conheço os caminhos e trarei vocês de volta com segurança. Existe uma pequena chance de vocês serem multados por fazerem a trilha sozinhos. Pensem se querem assumir os riscos”.

Infelizmente, depois de alguns dias no Havaí já havíamos sido enrolados “n” vezes, e vimos que as regras havaianas são bem parecidas com as Brasileiras, não curto desobedecer regras, mas dessa vez a regra pedia para ser desobedecida. Pensamos e decidimos arriscar, faríamos a trilha sozinhos.

A trilha

Entramos por uma das laterais, e seguimos em frente, nos orientando pela fumaça. Os desenhos de lava no chão era lindos e super diferentes, uma imensidão de rochas pretas umas arredondadas, outras pontiagudas.

Lava do vulcão Kilauea

Começo da trilha, reparem na fumaça lá longe

Aproveitei o caminho para bater algumas fotos, não muitas, queríamos chegar no ponto da lava antes do pôr do sol, e pelo que havíamos lido sabíamos que tínhamos entre 8 e 10km de trilha numa superfície pouco amigável.

Lava do vulcão Kilauea

Desenhos de lava durante a trilha

Lava do vulcão Kilauea

Fenda no meio da lava (algumas são bem grandes e é preciso pular ou desviar)

Lava do vulcão Kilauea

Um dos desenhos de lava, já sendo tomado pela natureza

Como antecipou nosso amigo guia, caminhar na lava não é super fácil, a superfície é instável e a parte pontiaguda corta como vidro. As vezes tínhamos que subir pequenos morrinhos, e uma par de luvas fez falta. Mas estávamos felizes da vida com o que veríamos a seguir.

Lava do vulcão Kilauea

Pequeno morrinho de lava

De tempos em tempos cruzávamos um grupo de excursão – geralmente 8-12 pessoas acompanhados por um guia e parando frequentemente para descansar devido aos diferentes ritmos das pessoas no grupo – ninguém nunca nos parou ou nos perguntou algo. Também vimos um ou dois outros casais fazendo o passeio por conta própria e com cara de mais perdidos que nós. No final das contas deu tudo certo!

O último trecho

Aos poucos a nuvem de fumaça se tornava mais densa e mais próxima. O último trechinho de caminhada foi o mais chato, bem perto de precipício e com as ondas do mar ao fundo.

Lava do vulcão Kilauea

Tirando uma fotinho básica no último trecho

Um visual incrível, estávamos BEM perto e já conseguíamos enxergar os barcos lá embaixo passando para observar a lava escorrendo. Uns 20 minutos depois, começamos a enxergar os pontinhos vermelhos de lava, empolgados apertamos o passo!

Lava do vulcão Kilauea

Lá embaixo a lava desaguando no mar

Vendo a Lava de pertinho

Em algum momento da caminhada o Gu encontrou um bastãozinho de madeira, ele estava empolgadíssimo para queimar o bastão na lava, e foi isso que ele fez logo que se aproximou. Eu queria fotos, muitas fotos.

Lava do vulcão Kilauea

Chegamos nos campos de Lava

Lava do vulcão Kilauea

Lava vista de perto

Lava do vulcão Kilauea

Rio de lava

Lava do vulcão Kilauea

E olha só os detalhes que lindos

Lava do vulcão Kilauea

Lava do vulcão Kilauea

Empolgada com a velocidade lenta da lava e como os os desenhos iam se formando, esqueci um pouco do tempo e fiquei viajando na cena. Depois de muitas fotos da lava, resolvi chegar um pouco mais perto, minhas queimaduras de sol, um descuido do dia anterior, ardiam e me lembravam do calor e do poder da coisa. Impressionante.

Lava do vulcão Kilauea

Lava mudando de direção

Cachoeira de fogo

Ficamos bastante tempo ali, como o templo estava nublado, não teríamos pôr do sol, mas ainda sim queríamos ver a cor da lava durante a noite, se já era bonito de dia, imagine ao anoitecer. Enquanto esperávamos, fomos presenteados com mais um espetáculo da natureza: a lava avançou pelos penhascos e formou uma cachoeira avermelhada que aos poucos foi tomando forma e desaguou no mar gerando pequenas explosões e uma senhora nuvem de fumaça, a cachoeira ia crescendo e ficando mais bonita, e mais intensa conforme ia anoitecendo.

Lava do vulcão Kilauea

Cachoeira de lava se formando

Lava do vulcão Kilauea

Cachoeira vista do alto

 

Aos poucos começou a escurecer, e junto com a noite, vimos uma segunda cachoeira de lava se formando. Quanta sorte para um único dia. Juro que não consigo pensar em forma melhor de ver e interagir com a lava.

Lava do vulcão Kilauea

Segunda cachoeira de lava se formando

 

O brilho da noite

E com a chegada da noite os pequenos rios de lava foram se colorindo e deixando o espetáculo ainda mais vivo e mais impressionante. Eu teria ficado horas alí observando, curtindo e fotografando, mas ainda tínhamos uns 8 bons quilómetros de caminhada pela frente. Chegou a hora de voltar.

Lava do vulcão Kilauea

A noite chegando e a lava ganhando cor

Lava do vulcão Kilauea

Lava do vulcão Kilauea

Lava do vulcão Kilauea

Impressionante não?

E lembram do rio de lava? Olha só que lindo que ficou!

Lava do vulcão Kilauea

Rio de lava ao anoitecer

 

Lava do vulcão Kilauea

E olha só o que acontece quando a lava bate no mar…

A caminhada de volta: o perrengue.

As lanternas e a bússola foram essenciais para que chegássemos a salvo de volta para o carro. Sempre que encontrávamos um guia – e seguíamos o grupo (de longe e com respeito) – logo o guia parava parava descansar ou mudava o rumo para que não o seguirmos. O Gu estava bem confiante com seus instintos de direção e a bússola na mão, eu estava APAVORADA, com um pouco de frio e com medo da ideia de me perder num campo de lava.

E para piorar, começou a chover. Eu detesto chuva na cabeça, e fiquei HIPER mal humorada. A chuva deixou os caminhos de lava ainda mais escorregadios e perigosos de andar. Fiquei com medo de me perder na chuva, medo de torcer o pé e comecei a praguejar o fato de não termos um guia. “Maldita ideia de fazer esse passeio sozinhos”. O Gu não perdeu o bom humor e nem se estressou, como sempre, ele estava seguro do caminho (e eu queria voar no pescoço dele cada vez que ele pedia para eu me acalmar) e confiantes que chegaríamos ao lugar certo.

Não sei quanto tempo levamos, sei que no escuro e na chuva parecia uma eternidade. Comemorei como uma criança quando vi as luzes da vizinhança onde havíamos estacionado (lá longe), eram três casinhas, mas mais do que isso, a certeza de que estávamos no lugar certo. Tempos depois chegamos, ensopados, porém felizes com a SUPER aventura rumo aos rios de lava. Foi um mega perrengue mas valeu, cada segundo.

O que eu faria diferente

Depois de ver e viver a experiência, ficou bem claro porque o caminho é fechado apenas para grupos turísticos. A caminhada é perigosa e as chances de se perder no escuro são altas. Vale sem dúvida o investimento do guia. Eu repetiria a experiência? Sem dúvida, mas contrataria um guia sem pensar meia vez.

E valeu a pena?

Muito, muito, muito. Ver lava de perto, e ter a chance de ver a cachoeira de lava se formando (isso foi sorte e não dá para contar) foi uma das coisas mais surrais que já vivi. Amei e recomendo MUITO a experiência.

Lava do vulcão Kilauea

Eu, Gu e os campos de lava nas nossas costas

Dicas para quem quer viver algo parecido

  1. Informe-se sobre o fluxo de lava do vulcão Kilauea, e quais os tipos de experiência disponíveis durante a sua viagem (MUITO CUIDADO para não ser enrolado.
  2. Se for caminhar: vá com sapatos de trilha, leve lanterna, casaco impermeável (vai que chove na volta), água e comidinhas. Uma luva também ajuda 😉
  3. Contrate um passeio. Eu fiz por conta própria e não recomendo.
  4. Leve a máquina BEM carregada e prepare-se para uma aventura inesquecível!

Veja também:

MAUI:

 

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mari vidigal

Viajante incansável, daquele tipo que no meio de uma viagem já está pensando na próxima, na próxima e na próxima. Apaixonada por fotografia, natureza e vinhos

7 comments

  1. Stephanie 12 maio, 2017 at 01:31 Responder

    Olá Mari,
    Muito obrigada pelas dicas, o blog está muito ótimo.
    Vou para Big Island em agosto deste ano, você teria algum guia, ou agência que faça esse passeio das lavas do vulcão guiados para indicar, por favor?

    Não vejo a hora fazer esssa viagem.

    Muito obrigada.
    Beijos.
    Stephanie

    • mari vidigal 12 maio, 2017 at 03:32 Responder

      Oi Stephanie,
      Esse é um passeio que eu deixaria para contatar algumas semanas antes, como o ponto de lava muda muito você não sabe se o passeio é melhor fazer pela terra, pelo ar (helicóptero) ou barco até poucos dias antes.
      Quanto a agência, infelizmente não tenho dicas.
      Beijos

  2. Mirella Peixoto 21 janeiro, 2017 at 13:48 Responder

    Ai Mari … eu querooooooooooooo …
    Eu sou perrengueira e mão de vaca, acho que teria feito como vocês por conta e depois me arrependido igualzinho (risos).
    Nada como os blogs queridos que nos salvam de prováveis furadas!!! Mas olha … quero ver essa lava assim de pertinho também! Show!!!!

    • mari vidigal 24 janeiro, 2017 at 16:44 Responder

      Oi Miiii,
      Obrigada pela visita.
      Foi um dos perrengues mais incríveis da minha vida! Recomendo muuuuito a experiência e repetiria fácil, com guia!
      Beijos

    • mari vidigal 13 dezembro, 2016 at 23:03 Responder

      Oi Bia,
      Depende. Você prefere uma viagem mais lua e mel ou uma viagem mais aventura? Maui = Lua de Mel e Big Island = Aventura. Amo as duas.

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