Morar fora: Mulheres no Vale do Silício – Empreendedorismo e autoconhecimento

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Mulheres no Vale do Silício

Mulheres no Vale do Silício: Conheça 4 histórias de mulheres que se redescobriram e se reinventaram em uma das regiões mais empreendedoras do planeta!

Morar fora: Mulheres no Vale do Silício – Histórias de mulheres que se reinventaram no Vale

Empreendedorismo e Vale do Silício são palavras diretamente relacionadas. Empresas de tecnologia dos mais diversos portes atraem alguns dos melhores cérebros do planeta, pessoas como eu e como você que acabam de um dia para o outro deixando a vida do Brasil de lado para embarcar no “American Dream”, o sonho americano. E nessa vida muito louca de expatriado, ou principalmente mulher de expatriado, há um montão de espaço para se redescobrir, se reinventar. E é um pouco disso que quero falar hoje, mulheres que vieram parar no Vale do Silício por n motivos diferentes e que aproveitaram a oportunidade para empreender e aprender!

No post de hoje contarei 4 histórias de mulheres hiper interessantes que conheci aqui no Vale do Silício, e que demonstram um pouquinho de poder feminino (#GirlPower) no Vale: a história da Renata Stoica que saiu do mundo da enfermagem para criar uma startup de brigadeiros, a Tiny B. A Liz Saber que se redescobriu como mãe empreendedora e é uma das mentes a frente da BBrazil, uma empresa de fitness wear, a Gabriela Brasil que aproveitou os giros da vida e o doutorado do marido para empreender e ensinar no campo da organização pessoal e produtividade e a história da Angela Teodoro, uma das fundadoras do BRAVE, uma organização que conecta mulheres brasileiras no Vale.

Histórias neste post:

[Clique no item acima para ir direto ao ponto, ou se preferir, leia o post todo.]

Renata Stoica: Da enfermagem aos brigadeiros Tiny B

É difícil não gostar de brigadeiro, ainda mais quando se mora longe do Brasil. Sempre que vejo brigadeiro penso nos aniversários de criança e naquele ritual incrível e ultra familiar: enrolar dezenas de bolinhas (quantas delas não foram devoradas muito antes de ganhar granulado?), penso no brigadeiro de panela devorado quente e a largas colheradas (quem nunca?) Queira ou não, todos nós brasileiros temos alguma conexão especial com este docinho delicioso que aos poucos tem caído no gosto dos gringos graças a Tiny B. Com vocês a história da Renata que mudou completamente o rumo da sua vida e redescobriu o seu amor pelo chocolate graças aos brigadeiros.

Perguntas & Respostas com Renata Stoica

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Renata Stoica – Tiny B | Imagem: arquivo pessoal

Como você veio parar no Vale do Silício?

Um pé na bunda e a incerteza do que eu queria pra minha vida profissional me trouxeram pra San Francisco em 2009. Meus planos: um sabático de 3 meses, e em seguida, voltar para ro Brasil e continuar minha vida; Realidade? A viagem se estendeu por quase 1 ano, conheci o amor da minha vida, e acabei me mudando para San Francisco em busca de mais qualidade de vida pra nossa família.

Vim com a cara e a coragem, aberta a novas experiências, língua, cultura. Foi um ano transformador!

Como foi a sua jornada até chegar a TinyB ? 

Eu sabia que minha missão como enfermeira tinha chegado ao fim, amava o que fazia, sou  especialista em fertilidade, mas meu ciclo tinha se encerrado.

De volta a minha realidade em São Paulo, encorajada pelo meu namorado – hoje marido- que não quis nem saber desse papo de saudades e foi comigo pro Brasil, fui fazer um curso de fotografia (algo que sempre amei) e logo comecei a trabalhar como fotógrafa de famílias. Estava feliz e tinha me encontrado.

Alguns meses mais tarde, decidimos voltar pra San Francisco. Nos mudamos, comecei a fotografar por aqui e estava feliz com cada dia mais clientes, porém, o destino acabou me levando para um caminho diferente, e hoje, ao invés de fotografar famílias virei fotógrafa de brigadeiro.

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Brigadeiros da Tiny B | Imagem: arquivo Tiny B

Como surgiu a ideia da TinyB e quais foram os desafios?

Eu cresci ajudando minha mãe a fazer chocolate, jurei pra mim mesma que jamais faria chocolate na vida, mas brigadeiro é diferente né? Rs.

Um dia conversando com uma amiga que também é enlouquecida por brigadeiro, surgiu a ideia de montar uma empresa, a ideia era ter uma loja física. Comecei a fazer pesquisas e a compartilhar brigadeiros com os amigos americanos do meu marido. Fui pro Brasil, fiz cursos de brigadeiro gourmet, voltei, adaptei minha receita ao paladar americano (menos doce, mais amargo). Todos que experimentavam adoravam e as reações deles me deixavam surpresa e com a certeza  de que estava no caminho certo. Foi assim que TinyB chocolate começou.

O fato do meu marido ser um empreendedor experiente teve uma grande influência no meu embarque nessa viagem, já que eu sabia que não daria conta do recado sozinha. Eu entendia zero de negócios e sou uma péssima vendedora, eu precisava de um sócio e ele era a pessoa perfeita. Na época ele estava começando uma start up de tecnologia, mas decidi parar tudo pra se juntar a mim porque também achou que era uma boa oportunidade de negócio.

Ainda somos uma empresa muito jovem e estamos em busca da nossa voz no mercado. Um dos nossos desafios, e também uma das partes bacanas de vender brigadeiros aqui, é ter que educar pessoas em relação a um novo produto. Não é tarefa fácil, e é desafiador, especialmente num lugar como o Vale do Silício, onde tem tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. O Vale é o lugar perfeito pra qualquer novo produto, pois as pessoas estão em busca do diferente o tempo todo.

No momento nosso maior desafio é tornar a empresa lucrativa, ainda não passamos da fase de investimento. Tivemos vários desafios ao logo do caminho, como por exemplo, achar nosso nicho,  tentamos vários segmentos que achávamos que seria um sucesso e nada aconteceu; também tivemos o desafio de encontrar todos os ingredientes que precisamos, no início comecei trazendo tudo do Brasil, o que não seria sustentável a longo prazo. (detalhe que eu achava que estava arrasando no chocolate, minha referência era Brasil, tive que estudar o que era top de linha aqui para poder me encaixar nesse mercado tão competitivo que é o Vale.  Encontrar fornecedores locais foi tarefa árdua, foram infinitas horas de pesquisa, e por aí vai.

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Printscreen do site da TinyB

A Tiny B hoje: o que a marca tem de legal e o que vem por aí?

Nosso objetivo é popularizar o brigadeiro aqui nos EUA assim como aconteceu com o francês macaron, e para isso, cliente feliz é nossa prioridade. Nosso objetivo é que cada cliente tenha uma experiência deliciosa com nossos brigadeiros em todos os pontos de contato com a marca; do início da compra na loja online, ao momento de abertura da caixa, do gosto dos brigadeiros a uma eventual recompra.

E o nosso lema, é claro, é jamais diminuir a qualidade do nosso produto e sempre usar ingredientes de alta qualidade.

Um Sonho, ou podemos chamar de plano  pro futuro, ter uma lojinha no Ferry Building em SF, ou uma lojinha em algum cantinho bacana da cidade. Estamos na fase de rebranding, nossa comunicação visual vai mudar um pouco. Gosto do romântico, moderno e colorido, e já adianto tem muita coisa legal vindo por aí!

Que dicas você daria para Brasileiras que querem empreender no Vale do Silício?

Pra quem tem interesse em começar um business no Vale do Silício, minhas dicas são:

  • Começar do começo: Conheça seu cliente e entenda BEM o que ele quer;
  • Persistência, paciência e pés no chão, pois as coisas não acontecem do dia pra noite.
  • Tenha uma reserva financeira para te ajudar na paz de espírito e no foco necessário pra fazer o seu business decolar.
  • Tenha em mente que ter business nos EUA é bem diferente de ter um business no Brasil. Aqui as coisas funcionam, mas existe uma diferença cultural que pode fazer as coisas acontecerem mais vagarosamente. Isso tudo é aprendizado pra vida!
  • Siga seu coração e coloque amor em tudo que fizer.

Calças Brasileiras nos Estados Unidos

Criar um negócio para chamar de seu foi o que motivou a Liz e sua sócia Mari a entrarem de cabeça no universo das calças de ginastica (ou Yoga Pants, como os gringos preferem chamar) e empreender no Vale do Silício. Sem muita experiência no mercado de moda, e com muita vontade de fazer acontecer as meninas aos poucos vão ganhando espaço neste mundo ultra competitivo. Nos próximos parágrafos dividirei com vocês um pouquinho da história da Liz, e de como ela se redescobriu como mãe empreendedora.

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Liz Saber – BBrazil | Imagem: Arquivo pessoal

Perguntas & Respostas com Liz Saber

Como você veio parar no Vale do Silício? 

Minha história é meio que assim, com muitos pés e pouca cabeça … 🙂

Sempre me senti meio que perdida no Brasil, por mais que procurasse me encontrar no contexto brasileiro, havia dentro de mim algo pedindo uma experiência nova, um contato com o desconhecido. Essa “inquietude” e algumas luzes do destino me direcionaram a buscar pedaços de mim pelo mundo.

Quando falo que minha historia contem muitos “pés”, refiro-me aos passeios, caminhadas, hikes, que fazem parte da minha vida, e quando falo “pouca cabeça” refiro-me as atitudes súditas que tomei durantes minhas aventuras.

Meu começo foi em Los Angeles (cidade que por algum motivo me atraiu e que sempre me atrai, seja por sua referência paradoxal aos anjos, seja por sua energia que me cativou desde o primeiro contato).

Uma dessas atitudes me trouxe ao Vale do Silício, mas disso fui parar em Santa Barbara, onde conheci meu marido Josh, e juntos iniciamos nossas travessuras pelo mundo. Casamos depois de menos de 6 meses juntos, e de todos os locais que moramos ( Orange County, Santa Barbara, San Francisco e Texas), optamos por criar raízes no Vale, até porque a profissão dele nos trouxe até aqui. Hoje temos 2 filhos, o Victor de 6 anos e Andrew de 3 anos.

Como foi a sua jornada até chegar a BBrazil?

Vou iniciar a minha resposta com uma citação de Clarice Lispector: “A vida é igual em toda a parte e o que é necessário é a gente ser a gente.

Vida no Vale, brasileira com green card, e????? Aquele branco! Aquela sensação de “Socorro, e agora o que fazer?”. No Vale do Silício a sensação e

é de que todo mundo sabe o que quer, e ao olhar para os lados você às vezes se sente a looser, sem trabalho e sem direção. Totalmente sem lenço e com documento, se é que me entende. Aos poucos, fui colhendo meus pedaços, delimitando meu espaço, e reconhecendo que é preciso CRIAR uma vida, transformando e transmutando minhas prévias experiências e conhecimentos.

Estudei Letras na UFMG, e fui professora durante um curto período. Fui pesquisadora na área de literatura Afro – Americana por 3 anos e por um tempo, projetei ser professora na Federal. Após me mudar para os EUA, o desejo de lecionar ficou no Brasil, e uma nova Liz surgiu por aqui. Essa nova Liz bateu com a cabeça na parede algumas vezes, estudei por 6 meses (só aguentei esse tempo) web design, fiz curso de corretora mas não terminei, trabalhei com importação e exportação em uma corporação em Houston, e me tornei MÃE.

Ser mãe foi a transformação que eu precisava, para me motivar a SER EU. Quando você se descobre, você se sente capaz de desbravar qualquer espaço, mesmo os mais desconhecidos. A BBrazil e uma representação dessa Liz, que no impulso toma decisões, e essas decisões moldaram meu destino. A BBrazil nasceu no desespero de querer ter alguma coisa que me motivasse a estudar, a aprender, a sair da zona de conforto, a me desafiar. A vida no Vale do Silício, nos EUA em geral, pode se tornar solitária, pois por mais pessoas que você tenha ao seu redor, há sempre uma sensação de que estão todos aqui “de passagem”.

E assim nasceu a BBrazil, uma ideia que tem como foco motivar, ensinar e dar cores ao mundo de uma brasileira no Vale, provando para mim que em qualquer parte do mundo podemos ser nós mesmos!

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Liz curtindo a neve com a família | Foto: arquivo pessoal

Como surgiu a ideia da BBrazil e quais foram os desafios?

BBrazil antes seria uma empresa de moda para crianças, eu e minha amiga Mari (também brasileira e mãe de 2 meninas), trocamos figurinhas todos os dias, tentando encontrar uma ideia para investirmos nossa energia, e primeiramente pensamos em moda fitness infantil. Fizemos nossas pesquisas e muitos dos nossos mentores nos direcionaram a iniciar com moda feminina adulta, explorar o mercado e depois, aos poucos, migrar para nosso foco inicial.

Os desafios são muitos, não da para descrever todos, mas creio que o maior é ter energia para trabalhar em um mercado extremamente novo para nós (nem eu nem a Mari tínhamos experiência no mercado da moda), ter motivação para fazer tudo, vender, criar, organizar, lidar com a área legal, impostos, importação, marketing, clientes, etc e tudo isso com um capital extremamente limitado.

Outro desafio é competir com um mercado saturado, e estar sempre produzindo material de “desejo”, mesmo que em pequena escala. Todos os dias nascem desafios novos, e estamos errando muito para acertar. Vale ressaltar que inglês é nossa segunda língua, portanto criar uma marca nos EUA, nos exige enfrentar nossas limitações linguísticas, e confrontar nossas inseguranças diariamente.

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Calças da BBrazil | Imagem: Arquivo BBrazil

A BBrazil hoje e o que vem por aí

A BBrazil vai completar 2 anos em Abril, e aos poucos estamos conquistando nosso espaço. Mesmo que pequeno e invisível a olho nu (rs), para nós cada cliente conquistado representa uma grande vitória.

O foco da nossa marca é o “Laser-Cut” que são leggings desenhadas com recorte no Laser, e nosso foco é expandir essa linha, criando designs mais arrojados e versáteis. Também estamos investindo, de forma bastante tímida, na linha infantil, e esse ano veremos como acomodar esse segmento na empresa.

Nosso plano é ter um crescimento consistente, eu acredito que uma casa construída com atenção aos pequenos detalhes, pode demorar mais para ficar pronta, mas a probabilidade dessa casa ter uma estrutura melhor e mais segura e maior que a de um castelo feito de areia.

Que dicas você daria para Brasileiras que querem empreender no Vale do Silício?

Há um senso de solidão no Vale, vejo um mundaréu de pessoas sozinhas nos carros, nos coffee shops, nos restaurantes… Brasileiro tem alma de união, de garra, de alegria, então creio que o melhor empreendimento é aquele que nasce da alma e não da ganância ou necessidade de comparação.

Se você tem uma ideia e acredita que está preparada para enfrentar os desafios e não se importará com os arranhões e tombos que, com certeza, farão parte da sua empreitada, vá em frente! O caminho é cheio de surpresas, aprendizagem, noites em claro e a melhor parte, o caminho é cheio de gente como a gente, pessoas cheias de sonhos, muita vontade de vencer, que se unem para se motivarem ou para tornarem esse mundo aqui uma pouco mais verde e amarelo. 🙂

Gabriela Brasil: Produção, organização e empreendedorismo

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Gabriela Brasil – Personal Organizer & Emprendedora | Imagem: Nathalia Lovati

Como você veio parar no Vale do Silício? 

Morar na California sempre foi um grande sonho. Já estava em meus planos desde a adolescência. E acabou que a vida fez caminhos que me trouxeram para cá. Em 2012 comecei o meu relacionamento com meu atual marido que tem carreira acadêmica. Nos mudamos para o Rio de Janeiro primeiro para o mestrado dele e em 2015 ele aplicou em várias universidades nos EUA para realizar o seu doutorado. Neste mesmo ano ele passou em três grandes Universidades americanas, incluindo Stanford. Ao visitar a Universidade ele ficou encantado e viu que a Califórnia era o lugar ideal pra eu tocar minha carreira, que tem tudo a ver com inovação e tecnologia. Nós conversamos e decidimos que entre Califórnia, New Jersey e Chicago (locais onde ele tinha sido aceito), a Califórnia seria o melhor local para nosso futuro. E no mesmo ano nos mudamos pra cá. E por conta do PhD ainda temos mais alguns anos por aqui. 😃

Como foi a sua jornada para fundar sua empresa de organização pessoal?
Antes de entrar na área de organização eu fui produtora de audiovisual. Minha formação é em Cinema e Mídias Digitais e durante 6 anos eu produzi filmes, publicidades e programas de televisão. O trabalho de produtora exige muita organização, pois temos que pensar em logística, gerenciar equipes e pensar em estratégias diversas, além de acompanhar no dia a dia, a evolução e realização de todos os projetos. Eu me destacava nesse mercado por conta da minha organização, o que me fez questionar em algum momento se essa habilidade que eu tinha não poderia ser melhor explorada.

Em 2013 eu estava na dúvida entre realizar uma pós graduação em produção executiva ou buscar especializações na área de Organização Pessoal e a vida acabou me levando para área de organização. Nessa época eu trabalhava para uma grande emissora realizando a produção de um programa de audiência nacional, que sugava muito das minhas energias (eu trabalhava cerca de 14 horas por dia). Todo o desgaste somado ao desejo de realizar algo que pudesse me proporcionar mais satisfação e tranquilidade resultou na minha mudança de carreira, onde eu fui buscar formas de me inserir no mercado de organização.

Me especializei em Organização Residencial e Office pela Oz Organize sua Vida, de São Paulo e estudei Administração do Tempo na FGV-RJ. Continuei desenvolvendo minhas habilidades trabalhando, estudando e escrevendo sobre organização. Durante os dois primeiros anos da minha carreira, atendi uma série de clientes presencialmente, organizando com eles suas casas, escritórios, informações e tecnologias e isso me fez aprender muito sobre a área como um todo.

Em 2015, com a mudança aqui pro Vale, eu tive a oportunidade de estruturar o negócio digital. Sempre quis um negócio online porque tempo livre é um valor pra mim e eu acho que o trabalho online proporciona isso. Então desde 2015 moramos no Vale do Silício e eu administro meu negócio do Brasil de maneira digital. Foi assim que cheguei na área de consultoria de organização, adaptando todos os meus serviços para realização online.

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Gabriela Brasil – Imagem: Arquivo pessoal

Um dos pontos fortes da sua história é a mescla de tecnologia com organização, e claro, com empreendedorismo. Como o ambiente do Vale te ajudou nisso?

Por estar bastante envolvida no campo da organização digital, não posso deixar de crer que esta área está chamando cada vez mais atenção. Não é a toa: o comportamento digital das pessoas, tanto nas relações pessoais quanto no ambiente de trabalho, tem interferido cada vez mais na produtividade. Então, pra mim, Organização Digital é tendência e eu espero que cada vez mais pessoas possam perceber e aplicar as estratégias desse campo em suas vidas.

Estando aqui no Vale do Silício consigo enxergar a cultura das empresas que lidam e iniciam movimentos em tecnologia e isso me permitiu ter um olhar diferente sobre o que consumimos. O ambiente daqui me ajudou a ver que existe possibilidade de equilíbrio. Foi aqui que fui apresentada ao conceito de “Mindfulness in the digital age” e acabei levando isso como guia do meu trabalho. Outra coisa que percebo aqui é o movimento da Organização Pessoal entrando no campo da saúde. Cada vez mais estudos e profissionais da área de saúde estão interessados na organização pessoal como forma de lidar com estados psicológicos, stress e conflitos pessoais e profissionais. E usando tecnologia pra isso! E eu acho maravilhoso estar nesse ambiente pois posso trazer para o meu público essas novidades.

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Print Screen do site Gabriela Brasil

A Gabriela Brasil hoje e o que vem por aí…
Estou indo para o Brasil em breve para lançar o meu primeiro livro, o Conexão Essencial. Que fala justamente sobre como o uso de tecnologia com mais propósito pode impactar não apenas nossa organização, mas nossa vida e nossos relacionamentos. O Conexão é uma obra que venho trabalhando há algum tempo e estou bem focada em levar essa mensagem por aí a fora.

Estou trabalhando bastante também para trazer sempre conteúdo de qualidade pro meu público e agora investindo mais em vídeos, resgatando o lado cineasta que mora em mim ainda. Rs

No meu site vocês podem encontrar o meu BLOG, informações de CONSULTORIAS, os CURSOS em andamento e muito mais!
Também estou no YOUTUBE, e tem sempre rolando série nova por lá. A da vez é sobre Minimalismo na Prática.

Em abril começaremos a próxima turma do Laboratório de Produtividade, meu programa online de 5 semanas, onde mostro o passo a passo da metodologia que aplico com meus clientes: A Jornada de Organização.

Além disso, o meu programa de Organização Digital, o Academia da Organização Digital, está de portas abertas para todos aqueles que desejam usar a tecnologia a seu favor!

Estou presente também no Facebook e Instagram com dicas diárias. E por lá sempre compartilho o que está rolando dentro do negócio e da minha vida também.

Que dicas você daria para Brasileiras que querem empreender no Vale do Silício?
Antes de me mudar pra cá eu busquei conhecer grupos da região e brasileiras que pudessem me passar dicas de adaptação na área. E tive a sorte de ser recebidas e poder conversar com mulheres fantásticas que me contaram não apenas suas histórias, mas como o Vale funcionava. Foi nesse momento inicial que eu pude começar a me conectar com a vida aqui. Inclusive, te agradeço muito porque você foi uma dessas pessoas que me ajudou nesse processo de adaptação.

Acredito que quem busca empreender no Vale precisa conhecer o cenário de negócios daqui. Não é simples. O Vale é competitivo e bem acelerado. Mas existe muito suporte e apoio para quem quer colocar a mão na massa! Minha dica então é buscar esses grupos, ir a encontros (tem muitos gratuitos), assistir pitchings que acontecem em todo canto. E entender mesmo a cultura do local. Ouvir as pessoas. Às vezes a gente acha que já tem que chegar trabalhando e tudo mais. Mas pra mim, o que fez toda diferença foi poder ter o meu tempo de análise pra entender como a vida no Vale seria melhor pra mim. E hoje, me sinto feliz com a decisão que tomei e imagino que muitas coisas boas ainda estão por vir.

Angela Teodoro: Conectando Brasileiras no Vale do Silício

Do namoro a distância a decisão de ficar, os primeiros anos da Angela nos Estados Unidos foram uma verdadeira montanha russa de emoções e decisões. Hoje, 7 anos depois, ela mudou de carreira, formou uma comunidade hiper influente de brasileiras e está iniciando novos desafios na vida de mãe com a chegada do segundo bebê. Com vocês a história da Angela.

Perguntas & Respostas com Angela Teodoro

Mulheres no Vale do Silício

Angela Teodoro – Co fundadora da Brave | Imagem: Arquivo pessoal

Como você veio parar no Vale do Silício? (Um resumão de como você veio para cá, do MBA ao Vale)

Me mudei para os EUA em 2010, para acompanhar meu marido no segundo ano do MBA dele. A ideia era voltar pro Brasil logo após o final do curso, mas uma oportunidade surgiu da gente se mudar pra Califórnia. A ideia, de novo, era para ser temporário. Mas depois do primeiro ano decidimos ficar. Com a decisão de ficar,  foi mais fácil pra eu pensar, planejar o futuro e decidir o que eu poderia fazer por aqui.

Como foi a sua jornada para chegar até aqui ?

A decisão de acompanhar o Thiago, mesmo que por pouco tempo (1 ano), não foi fácil. Eu era recém-formada, trabalhando numa multinacional com uma vida pela frente. Ao mesmo tempo, era uma oportunidade incrível, morar 1 ano fora, aprender inglês e ter uma experiência que eu nunca tive.

Depois de muito pensar, do relacionamento amadurecer, decidimos que iríamos namorar a distância no primeiro ano do MBA, depois casaríamos e eu mudaria para Hanover. O plano era aproveitar esse tempo para estudar inglês e começar os estudos pra concurso. Ah se eu soubesse naquele 2010 que eu mudaria de carreira… rs

A decisão de mudar pra Califórnia foi mais fácil, e aqui ainda continuei fazendo aulas de inglês e um curso de Propriedade Intelectual em Berkeley que eu me matriculei assim que cheguei. O curso foi bom pra eu ter certeza que eu não queria seguir esse caminho se ficássemos por aqui. E aí que comecei a procurar cursos na área de Social Media, algo que eu sempre tive interesse como usuária. Das mídias sociais para o marketing foi um passo menor, e aqui estou eu!

Como surgiu o BRAVE e quais foram os desafios?

O BRAVE surgiu em 2013, como um grupo no Facebook. O Brasileiras do Vale tinha como objetivo inicial reunir a mulherada para trocar experiências e dicas. Eu aprendi muito em Hanover com as outras “partners” lá. E eu quis replicar a ideia numa escala maior aqui no Vale do Silício. Nesses 5 anos, a equipe cresceu, adicionamos novas ferramentas e recursos, e mudamos de nome. O Brasileiras do Vale virou BRAVE.

Nosso maior desafio foi organizar e manter a comunidade. Fizemos eventos presenciais, workshops, e hoje o nosso maior foco é em conteúdo e informação. Para isso contamos com o grupo no Facebook com mais de 3400 mulheres da região, nossa newsletter mensal, Instagram, Fan Page e Website, e claro, muita ajuda voluntária!

Mulheres no Vale do Silício

Equipe da BRAVE – Imagem: Angela Teodoro

A Angela hoje e o que vem por aí…

Pergunta díficil…. Nesses 7 anos de EUA e 5 anos de BRAVE, minha vida mudou bastante. Estou trabalhando integral, com mais responsabilidades, terminando uma certifIcação em Marketing, tenho uma toddler de 18 meses, um segundo bebê a caminho, uma dogui e o BV — ufaaaa rs.

Um pouco antes do Adam nascer eu vou entrar de licença maternidade de tudo, acho importante me dedicar a Olivia e depois aos dois com atenção total. Será temporário, mas vou usar esse tempo pra pensar e me organizar para o futuro.

Mulheres no Vale do Silício

Angela e Baby Olivia

Que dicas você daria para Brasileiras que estão chegando ao Vale do Silício?

Logo no primeiro mês que eu estava aqui, fui em um encontro de brasileiros profissionais e recebi um conselho de outra advogada: Não se preocupe com o que você já fez, pense no que você quer fazer. Ouvir isso logo de cara me deu ajudou na decisão de mudar de carreira e não ter medo de encarar o desafio.

Outra dica é, não importa sua situação, se prepare para as oportunidades. Enquanto eu não tinha a autorização para trabalhar eu aproveitei o tempo “livre” para estudar, me voluntariar, ganhar experiência, e assim que a autorização chegou eu me senti preparada e pronta para encarar o mercado de trabalho. E claro, antes de vir, veja todas as dicas no nosso website.

E aí, curtiu as histórias?

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About author

mari vidigal

Viajante incansável, daquele tipo que no meio de uma viagem já está pensando na próxima, na próxima e na próxima. Apaixonada por fotografia, natureza e vinhos

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