O Caminho de Santiago: Palas de Rei – Arzúa (Parte 3)

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Lugares para viajar sozinho: Caminho de santiago

Este post trará uma visão extremamente pessoal da do Caminho de Santiago, entre Palas de Rei – Arzúa (minha terceira etapa). Quem quiser uma visão mais prática, pode olhar aqui!

O Caminho de Santiago: Palas de Rei – Arzúa (Parte 3)

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Palas de rei: O hostel privado nos rendeu uma bela noite de sono. Acordei com dor e mais acostumada com a andatina. De café da manhã tomamos um croissant recheado de chocolate, o que para mim foi pura falta de opção. E recomeçamos viagem… a caminhada de hoje é a mais longa de todas, são quase 30 quilômetros de muitas subidas e descidas!

A estrada começou com uma descida o que é ruim para mim já que tenho que segurar o pé e o joelho, mas fui seguindo tranquila. Com dor, mas sempre caminhando.

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 Logo no começo, uma placa animadora!

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E o caminho é muito lindo. Caminho, penso e fotografo. IMG_4417 IMG_4420 As flores do caminho, pequenos pedaços de cor.

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Chegamos na marca de 60Km para o final, o que é mais ou menos metade do nosso caminho. Passou rápido (as vezes, dolorido, porém rápido) e para comemorar nossa tradicional foto.IMG_4437 IMG_4438

IMG_4446Entramos na provincia de A Coruña, a mesma de Santiago

IMG_4457Cruz de Santiago num bonito céu azul

IMG_4465E fizemos amizades!

E de volta a caminhada, fui razoavelmente bem até Melide. A entrada da cidade é bem linda com um rio mega fotogênico, e vale toda a caminhada do dia.

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Além de fotogênica, Melide é a terra do polvo galego, fomos experimentar a iguaria e comemos ua das melhores refeições de todo o caminho (o restaurante se chama “A garnacha” e fica bem no caminho). O polvo estava delicioso até para mim que não sou muito chegada.

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Na porta do restaurante o moço nos convencendo a entrar. Depois de experimentar o polvo, ficou fácil!

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Passado o almoço, andar se tornou mais difícil e passei a sofrer com cada passo, tava muito duro acompanhar o grupo e muitas vezes pensei em falar, vão na frente que uma uma hora eu chego.

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Óbvio que nem a dor me impediu de fotografar uma esquisitice dessas :O)

A cada dez quilômetros, sempre que as placas marcavam número redondo para o final, tirávamos uma foto do grupo. Finalmente atingimos a bonita marca de 50 quilômetros para o final. (Jurei que faria festa com direito a dança quando chegasse nos 50, mas não consegui…rs… de qualquer maneira rolou uma festa interior).

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O caminho tava bonito, com rios, pontes e vaquinhas. Ao passar por um trechinho com pedrinhas sobre o rio (foto) havia um moço que nos avisou que a dali há 1,5km começaria uma subida de quebrar as pernas. E que frase verdadeira, uns 4 quilômetros para frente, enquanto eu sofria muito para acompanhar o ritmo do grupo, meu joelho travou. Chorei de dor e nesse momento percebi o significado do caminho. Os meninos me ajudaram com pomadas, remédios e me ofereceram seus bastões para que eu continuasse o caminho. Enquanto eu me recuperava da dor, a Lúcia uma brasileira passou e me ofereceu uma joelheira… Santa joelheira que me salvou. Sem ela eu nunca teria chego. (Lucia querida,  obrigada por ser meu anjo nesse dia)

O ultimo trecho dessa árdua caminhada, entre os 50 e os 40 quilômetros para o final  foram os mais duros da viagem… Três longas subidas e três longas descidas. Caminhei devagar com muita ajuda dos bastões e apoio moral dos amigos.

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40Km para o final, reparem nos meus dois bastões emprestados.

IMG_4546Já em Arzúa, ovelhas fofas.

Chegando em Arzua havia um senhor médico no quarto que analisou meu joelho e me tranqüilizou. O joelho não tinha nada, ele apenas sofreu de tanto que eu caminhei errado por causa do tornozelo com ligamento rompido. Mas como doía, a recomendação do doutor foi que eu parasse de caminhar por um dia.

Depois de um jantar de despedida, fui dormir certa que no dia seguinte não caminharia e muito tocada pela bondade das pessoas maravilhosas que me ajudaram durante o caminho. Sem elas eu jamais teria terminado a jornada entre Palas de Rey e Arzua. A caminhada mais dura e mais marcante da minha vida. Também estava um pouco triste por não chegar a Santiago junto com o grupo de amigos que conheci.

O albergue de Arzua era privado e o quarto estava bem vazio. Foi ótimo porque consegui descansar bastante e deixar minha perna bem para cima.

PS: Arzua é a terra do queijo gallego (queso de tetilla), tão maravilhoso que comprei um pedaço para comer no caminho.

Veja também:

-Parte 1: Sarria- Porto Marin: http://ideiasnamala.com/2013/05/23/caminho-de-santiago-sarria-porto-marin-parte-1/

-Parte 2: Porto Marin – Palas de Rei: http://ideiasnamala.com/2013/05/28/o-caminho-de-santiago-porto-marin-palas-de-rei-parte-2/

-O trem entre Madri e Sarria (Parte 0): http://ideiasnamala.com/2013/05/21/caminho-de-santiago-trem-madri-sarria-parte-0/

Caminho de Santiago: descrição prática dos 115k finais

-O caminho de Santiago: http://ideiasnamala.com/2013/05/08/o-caminho-de-santiago/

-Meu Caminho de Santiago: http://ideiasnamala.com/2013/05/09/o-meu-caminho-de-santiago/

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mari vidigal

Viajante incansável, daquele tipo que no meio de uma viagem já está pensando na próxima, na próxima e na próxima. Apaixonada por fotografia, natureza e vinhos

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