Minha experiência em Cuba – Havana

4

Texto e Imagens: Amanda Forte Gonçalves

Nessas férias, optamos por sair do convencional e conhecer de perto uma realidade completamente distinta da nossa: eu e minha família decidimos ir para Cuba.

Já havíamos estudado o regime socialista e com a proximidade da viagem, comecei a ler um pouco mais a respeito para tentar antecipar o que eu encontraria naquele lugar. Diferentemente de todas as outras viagens, onde planejo com antecedência o roteiro, os restaurantes e os pontos imperdíveis, não encontrei muito a respeito de Havana e Varadero e acabei “deixando rolar”.

Minha experiência em Cuba – Havana

Saímos de São Paulo, do Aeroporto Internacional de Guarulhos, no voo inaugural da Cubana de Aviación (seria o primeiro voo direto em 8 anos), brindado com “Cuba Libre” fornecido pelos comissários de bordo pouco antes da chegada em Havana. A recepção, aliás, foi surpreendentemente calorosa,  recebemos flores de plástico e com direito a musica e “Mojito” à vontade.

Vôo Brasil - Cuba

Chegada em Cuba

Chegada em Havana

O choque cultural começou antes mesmo de subir no ônibus que nos levaria ao hotel, quando nos deparamos com carros bem antigos, alguns até conservados. Fomos informados sobre as suas moedas utilizadas no país: o CUC – pesos cubanos conversíveis (moeda forte, utilizada pelos turistas), equivalente a aproximadamente 90 centavos de dólar e o peso cubano, praticamente sem valor (aproximadamente 0,4 centavos de dólar).

Carros antigos em Cuba

Carros antigos em Cuba

Carros antigos em Cuba

Como funcionam os restaurantes e hotéis em Cuba?

Também nos contaram a respeito dos restaurantes, em sua maioria estatais. Haviam também estabelecimentos privados muito bons, chamados de “Paladares”, que para funcionar devem contar com poucas mesas (no máximo 8), o que de certa forma, inviabiliza grandes lucros.

Para possuir qualquer outro tipo de empreendimento privado em Cuba é necessário atuar em conjunto com o Estado, que fica com 51% do lucro obtido, isso acontece com os hotéis, por exemplo.

E…  esqueça o cartão de crédito, qualquer tipo de pagamento em cuba é feito em dinheiro (em CUC – pesos cubanos conversíveis). Como fomos desavisados, perdemos um tempo precioso na casa de câmbio do hotel antes de nos aventurarmos pela cidade. #FICAADICA

Passeio pelos arredores do hotel

Tínhamos pouco mais de 1 dia e meio para conhecer Havana e sabíamos que nosso hotel  estava localizado em um bairro residencial, distante dos principais pontos turísticos. Optamos por fazer o city tour no dia seguinte e usar o resto das horas desse dia para fazer o “reconhecimento do terreno” e nos aventurar pelas ruas, que eram por sinal, muito seguras.

Andamos pelo Malecón, uma ampla avenida com cerca de 8 km com um muro alto, construído com o intuito de impedir que a cidade da Havana fosse alagada pelo mar. Sua construção começou em 1901 e atualmente serve de “ponto de encontro” dos cubanos, que ficam recostados tomando sol durante o dia, pescando e conversando e ouvindo música à noite.

Havana - CubaCarro fashion com muro do Malecón ao fundocba 012

Não haviam grandes lojas, sorveterias ou mercados, mas havia algum comércio de souvenir (em sua maioria, sapatos).

Caminhamos um pouco mais e então decidimos voltar para o hotel, pois se aproximava da hora do jantar. Pedi na recepção dicas de “Paladares” e acabamos reservando um chamado “La Moneda Cubana”, que ficava em Havana Velha, próxima à catedral, onde nos disseram que deveríamos voltar também durante o dia para ver a beleza do lugar. Bem próximo ficava talvez o mais conhecido bar/restaurante de Havana, chamado “La Bodeguita Del Medio”, notório como ponto turístico por conta de seus assíduos frequentadores, que lá iam para beber uns drinks, como Ernest Hemingway.

Havana - CubaVista do nosso “Paladar” para o Cristo

Comida em Havana

Em geral, costumamos experimentar a comida típica do local, mas nesse caso optamos pelo corriqueiro e “seguro”. Hipocrisia à parte, a comida se assemelhava a uma feijoada, chamada moros y cristianos ou congris (que seria somente o arroz e feijão vermelho cozidos na mesma panela).

Comida em Havana - Cuba

Havana - Cuba

Havana - Cuba

Fizemos uma refeição muito agradável ao som de um violão e novamente fomos bem recepcionados (bem que haviam dito que os cubanos gostavam muito de brasileiros).

City tour por Havana

No dia seguinte, saímos cedo para o city tour, que nos levou para Havana Nova e Havana Velha, no entanto, mal conseguíamos diferenciar a parte velha da cidade da nova, pois a meu ver ambas estavam muito descuidadas e sem manutenção, assim como os carros e meios de transporte. É bem verdade que haviam muitas partes sendo restauradas, no entanto, de acordo com a população, os materiais não são de boa qualidade e as obras levam anos para serem concretizadas.

Havana - Cuba

Havana - Cuba

Castillo de la Fuerza

A cidade conta com um forte, chamado Castillo de la Fuerza, atualmente considerado patrimônio da humanidade pela UNESCO, foi originalmente construído para defender Havana do ataque de piratas, no entanto, encontra-se estrategicamente muito mal posicionado, muito longe da baía. Todas as noites às 21h é disparado um tiro de canhão nesse local.

Castillo de la Fuerza

Plaza de la Revolución

Seguimos para a Plaza de la Revolución, onde Fidel Castro e outros políticos locais faziam seus discursos. Fidel chegava a discursar por mais de 7h, segundo nossa guia. A praça conta com o Memorial Jose Marti, um dos pontos mais altos da cidade, com o Teatro Nacional de Cuba e também, com as aclamadas imagens de Che Guevara e Camilo Cienfuegos, figuras da revolução cubana.

Plaza de la Revolución - Havana

Carro antigo em Cuba

Carros Fashion na Plaza da revolução

Plaza de la Revolución - Havana

Plaza de la Revolución - Havana

 Capitólio de Havana

Passamos também pela estação ferroviária de Havana e pelo Capitólio, onde antigamente funcionava o Congresso Nacional e hoje cedeu espaço a um museu. É lá o marco zero entre Havana e os demais destinos cubanos.

Capitólio de HavanaCapitólio de Havana

Havana 

Paramos para almoçar na Plaza Vieja, construída em 1559, oferecendo uma mistura de estilos arquitetônicos de Havana. Cercada de “Paladares”, monumentos, pequenos comércios de souvenirs, musica e arte.


cba 110cba 118 cba 128 cba 123 cba 121-1

Até nos demos ao luxo de comer os churros preparados na hora!

cba 136 cba 137

Paramos também em uma conhecida fábrica de charutos, abarrotada de turistas que compravam também bebidas. Nos espantamos com o preço dos produtos.

cba 065-2

cba 068

Show típico Cubano

À noite, fomos num show típico, daqueles de dança e música, chamado “Tropicana”. Escolhemos uma localização bem próxima ao palco e “ganhamos” cada um uma taça de proseco, uma garrafa de rum, uns amendoins e torrones e um refrigerante . É possível comprar o show com jantar, mas desistimos da ideia por imaginar um menu super blaster turístico (o que na maioria das vezes quer dizer, ruim!)

Foram duas horas de muita dança, contorcionismo, musica, bem interessante e parecido com o samba brasileiro (por algumas vezes músicas brasileiras foram  tocadas).

cba 143 cba 155 cba 168

cba 175

cba 201

Na volta, conversando com o taxista (o mesmo que nos levou para o show), descobrimos que os cubanos ganham entre 400,00 e 650,00 pesos cubanos ao mês, dependendo da função desempenhada. Com toda a repercussão da “importação” dos 6.000 médicos cubanos para o Brasil, foi inevitável perguntar-lhe a respeito do salário desses profissionais. A resposta foi bem chocante: o equivalente a 35 CUC por mês, eis que saúde é uma obrigação do governo.

O que a Amanda achou de Havana

A população cubana é extremamente culta e o índice de analfabetismo, inexistente…quanta diferença! É possível conversar com taxistas, velejadores, jardineiros, camareiros, violeiros e receber mais uma “injeção” de cultura na veia. Me disseram que um pai que não leva seu filho à escola recebe uma visita dos oficiais da polícia.

Apesar do nivelamento social, há quem fique pelas ruas à procura de “propina”, quem cobre por uma foto tirada de seu veículo antigo e até de si mesmo. Os ambulantes tentam enfiar chapéus nas cabeças de quem passa por perto ou quaisquer outros produtos que tenham à mão e algumas pessoas fazem abordagens nada educadas, o que nos deixou um pouco desconfortáveis, no entanto, isso não é um demérito de Cuba, basta ir ao centro de São Paulo para se sentir igual, senão pior.

Saímos de Havana com a impressão de ser uma cidade cara, tanto para a população em geral quanto para turistas. Sair para jantar em 4 não sai menos de 100,00 CUC, isso sem incluir bebidas alcóolicas e sobremesa.

O povo é educado e falante. Quando eram perguntados se gostavam do regime, a resposta as vezes variava, mas todos elogiavam a educação e a saúde do país, além da segurança e havia quem falasse com orgulho da ditadura da família Castro. O sorriso no rosto era frequente naqueles que trabalham apenas para subsistir…isso também me chocou.

Os cubanos gostam principalmente das nossas novelas (aquelas que recebem aval do Estado para serem transmitida, claro). Nada de “Avenida Brasil” e nem de filmes como “Tropa de Elite” por terem muitas cenas de violência.

A internet era extremamente cara e muito lenta, com bloqueio em alguns sites, sob alegação de “segurança nacional” (Skype nem pensar, mas o Facebook era liberado, para o meu espanto).

Um resumo: acredito que seria necessário mais uns 2 dias para conhecer  bem a cidade, mas me impressionou o estilo arquitetônico…andar pelas ruas da cidade é como estar dentro de um livro de história, vale à pena.

OBS: Quem diz que o brasileiro é feliz não conhece o cubano.

Para quem gostou, logo logo publicaremos a parte II da viagem, Varadero. Aguarde!!!

 

About author

mari vidigal

Viajante incansável, daquele tipo que no meio de uma viagem já está pensando na próxima, na próxima e na próxima. Apaixonada por fotografia, natureza e vinhos

4 comments

  1. mauri marcelo 18 janeiro, 2015 at 21:05 Responder

    Repito, gostei muito dos comentários. Sou fascinado pela História da Revolução Cubana, pela família Castro, por Che Guevara. Cheguei hoje de Nova Iorque, Washington e outros Estados da América do NOrte e estou pesquisando Cuba porque pretendo conhecê-la em breve. Gostei de NY, porém me assustou a quantidade de mendigos da cidade, os chamados “Sem Teto”. Achava que por ser uma das grandes potências do mundo, fosse menor o número de pessoas que vivem na miséria. A mídia não mostra isso. Pelo visto a mídia é igual a nossa.

  2. Titi Brandileone 21 julho, 2013 at 23:59 Responder

    Interessante ! As fotos dão idéia do que restou dos anos de apogeu antes da revolução. Conheço alguns cubanos que vieram fazer estágio conosco e que comentaram sobre as dificuldades de ser cidadão em Cuba. Também conheci 2 estágiários que acabaram fugindo de Cuba. Povo alegre a semelhança do brasileiros.

Post a new comment

Veja também