Château de Nitray – A primeira furada no Vale do Loire

É verdade depois de tanto lugares lindos visitados como o Villandry, Chenonceau e Amboise começamos a achar que castelo no Vale do Loire era sinônimo de final feliz, mas não demoramos muito para descobrir que não é bem assim.

O nome da furada é Château de Nitray e fica bem pertinho do Chenonceau no caminho de volta para Tours. Pois bem, estávamos com um guia de castelos que indicava o lugar como um dos castelos que além de bonita arquitetura era produtor de vinho – outra pegadinha para quem adora vinho. Quando vi a placa indicando: Nitray 1km – degustação de vinhos. Não tive dúvida e falei: “vamos”.

A entrada também era convidativa: 5 euros com direito a tal degustação no final e uma bike para dar volta a vontade por onde quisesse incluída no pacote. (Se ainda fosse de manhã cedo, essa bike teria nos rendido uma bela volta, mas às seis da tarde depois de camelar o dia todo… not … fora que tava faltando um oleozinho na pobre coitada que me exigia um senhor esforço por pedalada e ainda soltava uma rosnada de agradecimento. E como de esforço, já me bastava o esforço diário para não me perder na estrada com o pseudo GPS futreca que nos deixava na mão a todo momento, e de rosnada já me bastava as da minha irmã ao menor sinal de fome. A bici foi demais para mim.)

De volta a descrição do programa de cacique, a entrada incluía um filme introdutório. Ai tivemos o primeiro sinal para abandonar o programa, mas não demos a devida atenção. Quando o senhorzinho ligou o DVD na telão encardido, começou a tocar um desenho de criança. Ele ficou vermelho, se desculpou, e disse que era coisa dos netos. Logo colocou o vídeo correto. ABRE PARENTESES: Imaginem a quanto tempo o lugar não recebia uma alma viva para ter DVD de criança ligado sem o menor sinal de criança por perto. FECHA PARENTESES. Por sorte não éramos as únicas, haviam mais duas senhoras francesas para dividir a frustração conosco. De volta ao filme, um segundo sinal que estávamos no lugar errado, o vídeo era uma pseudo propaganda de quase meia hora de uma fabrica de barris de vinho mostrando a evolução do processo produtivo, nada relacionado ao castelo onde estávamos.

Terminado o vídeo fomos a visita esperando que tempos melhores viessem. Saímos com nossas pastinhas guia. ABRE PARENTESES DE NOVO: antes que você pense em elogiar a medida econômica e ecológica da pasta, gostaria de contextualizar a situação. A tal pasta era um amontoado de papeis desnecessários XEROCADOS preto e branco e de todos os possíveis tamanhos com um monte de piadinhas sem graças no meio. FECHA PARENTESES.

Visitamos os lugares indicados na pasta: um antigo armazém com espantalhos feios dentro, a suposta capela estava trancada, três salões sem nada dentro e um pombário (antigamente usado para pombos correios obviamente e felizmente vazio – ia detestar abrir a porta e ser surpreendida por milhões de pombos voando, e pombos quando voam também cagam, e assim candidatar minha preciosa cabeça e meus fios de cabelo a prêmio. )

A pseudo visita demorou menos de dez minutos, e nos deixou com muita raiva, tínhamos gastado quatro euros e pior 40 valiosos minutos no vale do Loire para ouvir propaganda de barril de vinho – se ainda fosse bebendo o conteúdo do barril, juro que não estaria reclamando – mas ainda tínhamos uma esperança que poderia salvar o passeio: a degustação.

Ai ai ai, decepções, o vinho, ou melhor, os vinhos estavam tão ruins ou piores que o passeio. Sabe água suja? Então, foi mais ou menos esse gosto que sentimos, os vinhos eram completamente aguados e quase sem aroma. Totalmente diferente do que havíamos experimentado em Bordeaux. Essa foi a gota d’água para sairmos dalí correndo.

Primeira Moral da história:  fuja de toda e qualquer placa que aponte para Nitray, o maior conto do vigário do Vale do Loire.

Segunda moral da história: Até furada na França tem edifício bonito.

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