5 Complexos de mochileiro que não consigo me livrar

Comecei a viajar cedo e com pouca grana, e nada como uma mochiladinha pra fazer a grana render e a viagem durar. Certo?!Com a minha cara de pau do tamanho do mundo e muito antes do Couch Surfing ficar conhecido, aproveitei camas e sofas de amigos, e amigos de amigos. Me enchi de comida barata e de cerveja cara (qualquer euro no bolso de um mochileiro é capaz de fazer milagres), filei refeições, dividi prato com desconhecidos, peguei carona no meio da rua, lavei roupa na pia do hostel, viajei a Europa de busão por que a Easy Jet era cara de mais pro meu budget pequeno e passei algumas noites no aeroporto pra economizar a grana do taxi. No final das contas a gente se acostuma com essa vida pouco fácil de mochileiro, e acaba carregando alguns “traumas” pra vida.

Já faz tempo que deixei de ser mochileira e que deixei de contar moedinhas do meu budget, mas alguns costumes continuam me perseguindo…rs

1- Aversão ao táxi

Ticket to Airport Train de Bangkok

Ticket to Airport Train de Bangkok. 

Nos meus tempos de mochileira, de todas as possibilidades de transporte, taxi era uma que nunca entrava na minha lista de prioridades. Durante meu intercâmbio em Madri (entenda-se pelo período mais duro da minha vida) esperava o metrô abrir, ou voltava a pé durante a madrugada para não gastar minhas economias. Depois disso aprendi a me virar e que descobri que cara de pau e ônibus te levam para quase todo lugar. Peguei gosto pela coisa e agora é difícil pra caramba de mudar.

Pra não ser enrolada

Um dos momentos que mais detesto pegar taxi é quando chego em uma nova cidade e não sei para onde estou indo e nem sei como andar pela cidade. De uns tempos pra cá os mapas offline do Google são uma mão na roda e a prova de taxistas espertinhos, mas antes disso quebrava a cuca para descobrir alternativas seguras ao taxi na internet antes da viagem começar. Ainda hoje, pegar taxi na chegada é sempre minha última opção. Se tiver metrô então, nem penso duas vezes! Vou de metrô mesmo!

Isso sem falar na segurança…

Metrô de Nova Delhi

Metrô de Nova Delhi: sempre cheio

E como mulher viajando sozinha, prefiro sempr pegar um ônibus ou metrô lotado, do que um taxi vazio com um único desconhecido. Sou medrosa e tenho muito mais medo de taxista do que do ônibus inteiro.

Pegar taxi quando tem metrô facinho

Com um budget mais gordinho, acabei aceitando e incorporando alguns taxis nas minhas viagens de vez em quando, só que tenho uma dificuldade extrema de pegar um taxi quando sei que tem metrô bom e limpo e que faz o mesmo trajeto. Alguém ai tem a mesma dificuldade?

Pior ainda se preciso ficar negociando centavo com os taxistas (casos de países sem taximetro) enquanto o metrô é baratinho e não pega transito. Em Lima, Delhi e Dubai, nem pensei… metrô, metrô e metrô. Mas como tenho budget gordinho, ao invés de caminhar até o metrô, de quando em quando, visto minha cara de pau, e pego um taxi até o metrô! #AproveitandooMelhordosDoisMundos

2- Hostelitis agudis

Hostel Pariwana - Lima

Hostel Praiana em Lima

Sempre que viajo com o Gu meu marido, opto por hotéis confortáveis, mas quando faço minhas jornadas solo, ainda prefiro os hostels. Gosto dos hostels por que adoro o ambiente, adoro conhecer pessoas e adoro o preço. Como tenho mania de “quero ver tudo”, sei que por mais lindo que seja o quarto e o hotel, passarei MUITO pouco tempo dentro dele. Também descobri que o melhor hostel é SEMPRE melhor que o pior hotel, e que dividir quarto muitas vezes é melhor que ter um quarto horrível só pra você.

Depois de centenas de noites dormidas em hostels aprendi que algumas técnicas para escolher hostel que quase nunca falham. Escolho sempre o hostel mais bem avaliado na melhor localização, não pego nada com menos de 85% e pelo menos umas 300 avaliações no hostel world (gosto mesmo é dos 97% com 2000++ avaliações) e prefiro os quartos com mais de 8 camas, e se possível só de mulheres. Me explico: em quartos pequenos, sua chance de ser o único(a) dentro de um grupo de amigos barulhentos e desrespeitosos é imenso. Raramente algum engraçadinho se atreve a acender a luz em um quarto com 12, e num quarto só de mulheres eu posso me trocar hora que quiser sem erros. Enquanto eu continuar viajando sozinha, devo me manter fiel a esse costume!

3-Nem cogitar a sala VIP

Aeroporto de Delhi

Espera no aeroporto de Nova Delhi: zero divertido.

Pra quem já dormiu tantas noite no aeroporto esperar 5 horas é fichinha, certo? E que tal uma conexãozinha noturna de 9 horas? Na verdade eram 6, só que o vôo atrasou 3 horas e eu dancei esquentando cadeira. São 3 horas aqui, 7 ali, mais duas aqui… no final das contas são um montão de horas em claro.

Só que, por mais que eu me esforce, não tenho mais o mesmo pic dos tempos da mochila, e uma noitezinha no aeroporto vai pesar nos dias seguintes da viagem (bem mais do que o aceitável e bem mais do que o preço da sala VIP no meu bolso). Assim, preciso aceitar que não sou mais uma mochileira dura e quando a coisa apertar… pagar a droga da sala VIP e o Wifi (porque esperar e sem internet, ninguém merece!)Tai, uma resolução de ano novo pra mim, sala VIP sem hesitação!

(Detalhe que quem vos fala esta sentada da vida em um café do aeroporto porque não pagou a sala VIP e deveria ter pago….hahahhaah, maldito horário indiano que acabou com os meus planos #ResoluçãodeAnoNovo.

4- Fugir dos tours

Barco público Dubai

Barco público de Dubai, a melhor forma de chegar ao mercado do Ouro

Outra coisa (muito legal) que meus anos de mochileira me ensinaram, é que quase sempre os lugares turísticos são acessíveis por meio de transporte público e que você quase nunca precisa pagar um tour para te levar a algum lugar. Foi assim com a catedral de sal na Colômbia, com as fontes de Tivoli na Itália e com o Stonenhege na Inglaterra.

Curto uma visita guiada para aprender sobre os monumentos, adoro um áudio guia, mas detesto ter que seguir as rotinas de um passeio turístico que quase sempre passa mais tempo em lojinhas e mercados do que nos lugares quero visitar.

5- Síndrome da bagagem

De mala pequena

 

Toda a minha bagagem para 2 meses de viagem! Levinho, levinho!

Detesto viajar com muita coisa e odeio carregar mala. Mochilar me ensinou a levar menos coisas, e me adaptar a situações diversas com pouco. De todos os costumes esse é o único que faço absoluta questão de manter. Viajar leve (se possível sem despachar) é uma delicia para as costas e para a mente (tenho tão pouca roupa comigo que perco zero tempo pensando no que vestir e consigo carregar minha mala por muito tempo sem reclamar).

Viajar leve me deixa menos materialista e me faz perceber que posso viver -absolutamente feliz – e com bem menos coisas. Viajar leve foi o melhor dos aprendizados da minha vida de mochila, e porque não incorporar?

Quem já foi mochileiro carrega pra sempre algumas heranças da vida dura, se diverte com lembranças do perrengue passado e agradece MUITO poder viajar de forma diferente e se presentear as regalias de uma viagem mais confortável.

E você que já foi mochileiro, tem algum costume que tá difícil abandonar?

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Comentários (6)

[…] é um abandono difícil e bem gradual. No post “Complexos de mochileira que não consigo me livrar“, retratei as heranças do tempo da mochila no meu estilo atual e volta e meia me pego tendo […]

Adorei o blog e esse post.
Super me identifico, inclusive com o não ter mais idade pra certas coisas. hehe

Como estou viajando com minha namorada, também temos optado por hotel, uma vez que o preço pra 2 nos hostels as vezes é igual a um hotel bacaninha. Sozinho, melhor hostel, de fato.

Sobre a mochila, sempre fui de pouca coisa… mas nessa trip (de 7 meses) deixei pra arrumar a mala faltando uma hora pra ir pra Guarulhos…. resultado: estou carregando coisas a mais que não vejo a hora de me livrar. hehe

Estamos fazendo o sudeste asiático e adorei ver o primeiro brasileiro falado de Koh Lanta. Estamos aqui agora, e por mais 4 dias.
Bom, vou super usar as dicas =))
Valeu

Beijos e até qq hora

Que delicia de viagem Pablito!
Obrigada por visitar o Ideia e por deixar seu comentário.
Aproveitem bastante!
Beijos,
Mari

Legal, muito interessante! Sabe tirar água de pedra! Tá valendo

Mari, nunca fui totalmente mochileira, acho que fico num meio termo, mas me identifiquei com várias coisas. Pra começar, com a bagagem leve, né? Reduzir a bagagem foi a melhor coisa que já fiz para minhas viagens! É libertador e realmente nos faz repensar nossas prioridades. Tenho tentado adotar o mesmo minimalismo no dia a dia e a cada passo me sinto melhor.

Também tenho aversão aos táxis. Que canseira de taxistas malandros no mundo todo! Dá muita raiva ser passada para trás, então só pego táxi quando não há outra opção mesmo.

Sala VIP? Nunca vi, só ouço falar! rsrs

Oi Camila,
Dei super risada do seu comentário e lembrei bastante das nossas conversas em BH.
Beijos

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