Uma viagem diferente

A malas já estão prontas. Faltam 6 semanas, talvez um pouco mais, um pouco menos. O roteiro? Deixamos em aberto, ele chegará a hora que quiser e da forma que achar melhor. Nossa ideia é intervir o mínimo possível, deixar fluir e viver cada pedacinho desta viagem tão diferente e tão intensa que é a maternidade.

Pronta? Nem perto!

E aí, pronta? – me perguntam os amigos mais próximos ao olhar para meu barrigão. Disfarço, caio na gargalhada e penso. Não, não estou. Estou animada, ansiosa e até um pouco preocupada, mas pronta? Difícil hein? Em um universo com tantas variáveis, como estar completamente pronta?

De todas as minhas viagens, de todas as nossas jornadas (agora incluo o Gustavo na jogada, porque ele é parte importante do comando dessa expedição) essa é sem dúvida a mais difícil e a mais emocionante. E sabe o mais interessante? Eu não tinha ideia! Ter um filho (mais de um na verdade) sempre fez parte dos nossos planos, mas nunca nos interessamos tanto pela temática da gravidez, e pelas 1001 escolhas envolvidas no processo de ter e criar um filho para o mundo. E que universo complicado, nunca pensei, mas ter um filho envolve 100 vezes mais decisões do que viajar três meses pela Ásia só de mochila de mão.

A nossa escolha

Desde que embarcamos nessa jornada da gravidez buscamos aprender, conversar e decidir o que tem mais a ver com a gente. Começamos por um caminho tradicional: uma obstetra renomada, e o melhor hospital da região. Com escolhas tão certeiras, como dar errado? Só que a tal da obstetra bam-bam-bam não tinha um dos elementos mais importantes para o sucesso de uma gravidez: o fator humano. Ela estava zero preocupada com meu bem estar, meus sentimentos e vivia falando das possibilidades de intervenção, cesária eletiva e etc…

E eu? Eu não queria nada disso, queria alguém preocupado comigo e com o meu bebê. Como mãe de primeira viagem, eu tinha muitas perguntas e incertezas que ela respondia com desdém. Cansei. Depois de muita frustração e muito choro, eu percebi que precisava de algo mais humano, e rápido (afinal as semanas passam e quando você menos percebe… chegou!)

Uma viagem diferente
Gu e eu durante o chá de bebê/ piquenique do Antonio

O outro lado da moeda

E foi assim, que troquei o combo obstetra + hospital famoso por parteiras + hospital pequenino. E quer saber? Nunca me senti tão segura, e tão feliz com uma escolha. Até o Gu, que no começo achou a história da parteira uma loucura, se encantou com o conhecimento delas e abraçou a escolha de vez. Se tudo correr conforme o esperado, o pequeno Antonio nascerá num hospital e será recebido por uma parteira (no próprio hospital há uma equipe médica de plantão para o caso de alguma eventualidade).

A ideia é fazer tudo de forma natural, nada de anestesia, nada de epistomia, nada de colírio ou de circuncisão (fiquei chocada ao saber que aqui na Califórnia os meninos são circuncidados com 12 horinhas de vida). Escolhas que fizemos depois de estudar bastante sobre o tema e entender que nessa jornada da maternidade nós somos os responsáveis pelas melhores escolhas para o bebê (e claro que a questão de melhor e pior, é relativa e tem muito a ver com o que você acredita. Nós escolhemos o que faz mais sentido para nós.)

O plano B, e se der tudo errado

Na teoria é tudo lindo, mas na prática é bem diferente. Eu sei, e não vou me culpar, muito menos me julgar se mudar de opinião no último minuto. Mas por enquanto é isso que eu quero, e estou me preparando física e psicologicamente pra fazer acontecer. E claro que sem o apoio e amor incondicional do Gustavo nada disso seria possível, mesmo antes do nascimento do Antonio ele já se mostrou um paizão animado e hiper disposto a encarar os percalços do caminho.

Um caminho difícil

Aprendi muito durante estes últimos 7 meses. Aprendi sobre meu corpo, sobre meus limites. Aprendi a me respeitar mais, ser mais paciente, esperar. Sem dúvida um bom treino para essa grande viagem que vem por aí.

Tive um início de gravidez difícil, viajei muito – afinal essa é minha profissão – e passei absurdamente mal. Sempre achei que a história das náuseas e do enjoo não passasse de frescura. Paguei minha língua. Passei mal a beça e pela primeira vez na vida quase voltei de viagem no meio do caminho. Por sorte resisti. Santo limão que eu comia puro e que era a única coisa que parava no meu estômago.

Passa o enjoo, vem o cansaço e a zica. Fui para o Brasil passar o natal com a família, viagem comprada bem antes de eu sonhar em ficar grávida. Minha ideia era curtir  meus queridos, viajar um pouquinho (há anos sonho em conhecer Foz do Iguaçu, e achei que dessa vez finalmente visitaria as cachoeiras) e escrever muito (eu queria já adiantar muitos textos e ir preparando o blog para minha licença maternidade). O que eu fiz? Dormi horrores, fugi de mosquitos e me entupi de repelente. E pra não arriscar o pequeno, minha viagem mais longa foi uma final de semana em Guaeca na casa da família do Gu. Escrever que é bom, nada. Eu não tinha forças, vontade ou criatividade. Saia da casa dos meus pais a contra gosto, tudo o que eu queria era dormir.

E quer saber o mais chato? De volta para os Estados Unidos tive que fazer baterias e mais baterias de exame para garantir quer eu não havia sido infectada. Uma chatice que contribuiu para o meu mal humor. E sabe o que eu queria? Dormir! Dormir e acordar no final da gravidez com um bebê bem saudável e de cabeça grande. Por sorte passei essa fase do sono e da zica, ufa! Pequeno salvo e mamãe tranquila.

E o blog? Eu precisava aproveitar minha gravidez e produzir MUITO. Na teoria, lindo. Na prática, não foi bem o que aconteceu, até entrar no quinto mês de gravidez, minha produção foi menor do que o meu consumo de posts (eu geralmente publico 4 vezes por semana e não estava conseguindo escrever mais do que 3 posts). Eu não tinha ideia que produzir um bebê gastasse e exigisse tanta energia e muito menos ideia que isso pudesse afetar minha produtividade. As mamães que trabalham fora de casa, minha mais profunda admiração: parabéns por não deixar a peteca cair, segurar o bom humor e a produtividade mesmo em meio a gravidez. Eu não consegui.

Muita gente reclama do terceiro trimestre da gravidez. Fato que a barriga pesa, as costas doem, a virilha reclama pra caramba de dor, e as idas ao banheiro para fazer xixi são quase um inferno, mas para mim que tive dores do útero expandindo desde o início, contrações falsas (Braxton Hicks) desde a semana 9, uma médica despreparada me enchendo por causa da zica e uma falta de energia brutal, estou achando tudo lindo! Adoro ter minha produtividade de volta, adoro poder fazer planos para a chegada do Antonio e ver que cada dia fica mais perto.

Minha gravidez não foi algo tão mágico como eu esperava, não me senti uma super mulher como muitas vezes ouvi dizer. Lutei contra meus hormônios, desafiei minhas dores e acompanhei as transformações do meu corpo. Foi bem mais difícil do que eu esperava. Conversando com as amigas percebi que existe um grande tabu e que usar qualquer termo que não seja “lindo, mágico, especial” para falar de gravidez é praticamente um crime, percebi também que muitas mulheres tem uma gravidez bem mais tranquila, suave e prazeirosa que a minha, percebi enfim, que a gravidez é uma jornada e que não se deve comparar, cada um tem o caminho que necessita para se preparar para a maternidade. A minha jornada foi repleta de desafios (e não me sinto mal em falar abertamente sobre eles, por mais que isso cause mal estar em quem escute) e baldadas de gelo na cabeça, mas olhando para trás penso: está valendo a pena. Aprendi muito.

Vale falar que esse período repleto de emoções serviu para deixar a minha relação com o Gu ainda mais gostosa. Tenho profunda admiração e carinho por esse cara tão bacana que escolhi para formar minha família. Sem o amor dele, nada disso faria sentido. Feliz em dividir essa viagem com alguém tão especial! Obrigada querido pela paciência e pelo amor incondicional nos últimos meses!

Uma viagem diferente

Os próximos meses de Ideias na mala

Em teoria tenho mais 6 semanas de muito trabalho antes da chegada do Tom. Minha ideia é produzir o máximo de conteúdo possível para deixar o blog bem abastecido pelos primeiros 3 meses de vida do pequeno. Como tive esse começo tão difícil de gravidez, estou me preparando para um começo bem atribulado de maternidade. Sempre que o pequeno facilitar, prometo dar uma passadinha e dividir as novidades com vocês, mas não se preocupem, até o final de setembro prometo 4 posts novinhos em folha a cada semana, depois disso espero estar de volta com força total para conseguir manter o ritmo!

Amigos e leitores fofos

Vale falar que estou cercada de pessoas lindas! Nesses últimos meses recebi vários posts bacanas escritos por leitores do Ideias na mala, amigos viajantes e amigos blogueiros! Super obrigada pela ajuda galera! Vocês não sabem a alegria que é ter os posts de vocês aqui no Ideias, uma ajuda tremenda e uma demonstração de carinho muito especial! Obrigada de coração!

E as viagens?

Não pensem que a chegada do pequeno é o final da minha carreira de viajante. Muito pelo contrário. O Antonio será treinado a viajar com a gente desde os primeiros meses de vida (ele ainda não sabe disso, mas as expectativas são grandes!) Ainda não planejamos viagens para o segundo semestre, mas possivelmente faremos algo gostoso na semana do Thanks Giving (Ação de Graças) e na semana do natal. O Gu tem férias nessa época, e ficar em casa durante as férias é algo que me mata. Com o Antonio pequeno e os preços de passagem exorbitantes nessa época do ano, devemos fazer algo mais local… mas, vai que pinta uma boa promoção?! 🙂

No comecinho de 2017 estamos planejando uma viagem de Motor Home pela Nova Zelândia com uma escapadinha para a Austrália. Ainda não fechamos o destino, mas por enquanto a ideia é essa, levar o Antonio conhecer as primas e visitar a minha irmã que não vejo há mais de 2 anos.

Agora pensando em sonhos, adoraria passar uns 10 dias na Europa durante a primavera, e em algum momento quero levar o pequeno para o Brasil (com direito a cataratas do Iguaçu no combo!).

Já deu para perceber que plano é o que não falta, certo?!

What comes next…

De volta a pergunta inicial, não estou pronta, e quer saber? Estarei pronta no momento que ele decidir chegar, enquanto isso tenho tempo para ler mais, aprender sobre termos que nunca ouvi , fazer aulas estranhas sobre o mundo dos recém nascidos (viva os gringos!), curtir as finais da temporada de basquete (#GoWarriors), passear com o Gustavo e escrever muitos posts para os próximos meses de Ideias na mala!

Espero que tenham curtido essa minha viagem diferente. Prometo que este blog não vai virar um blog de coisas de bebê. Acho bacana dividir com vocês um pouquinho dos bastidores, mostrar o trabalho por trás de todo esse conteúdo que crio com tanto carinho e meus desafios pessoais, mas o foco continua sendo as viagens pelo mundo a fora! As minhas, as suas as nossas! Bora incentivar mais pessoas a desbravarem os encantos desse mundão!

Beijos com muito amor,

Mari

 

Planeje sua viagem

Comentários (25)

Mari, estou tão atrasada na leitura dos blogs que só li esse post agora, mas mesmo assim fiz questão de comentar. Já te disse que admiro sua determinação, né? Quisera eu dar conta de ter um blog atualizado como o seu, ainda mais na gravidez! Até porque eu não tenho essa visão romanceada da gravidez. Já acompanhei irmã e amigas grávidas e sei que não é um mar de rosas, pelo contrário. Acho que o que acontece é que quando nasce aquela coisinha linda a mãe até esquece o quanto a gravidez foi desconfortável. rsrs E o mesmo vai acontecer com você. Daqui uns dias o Antonio estará no seu colo te mostrando que tudo valeu a pena. Parabéns por tudo, Mari! Beijos!

Oi Camila,
Que fofa!!
Obrigada pela visita e pelo comentário.
(Eu estou HIPER atrasada na leitura de blogs. Tanta coisa boa por aí e eu deixando passar! Rs)
Estou tendo muita sorte nesse último trimestre e um montão de energia para tocar uns projetinhos não maternais. Mas assim que o pequeno nascer vou ficar mais quietinha e curtir esses primeiros meses com calma.
Big Beijos

Super parabéns Mari!!! Tava viajando qnd vc postou mas salvei aqui pra ler e comentar depois!!! Vai ser uma ótima viagem, tenho certeza! 😉 Bjos

Fê sua fofa!
Obrigada de coração!

Nossa, que post lindo Mari! Eu não tenho filhos e ainda não sei se estou pronta (ou quando estarei) pra fazer essa viagem, mas sempre que leio algum relato de mãe nos blogs fico pensando em como será quando chegar a minha vez. Desejo de coração que tudo seja bem tranquilo e que seu nenem venha com bastante saúde. Tenho certeza que de dentro da barriga ele já sabe que tem uma supermãe e é isso que importa. Beijos!!!

Oi Stephanie,
Obrigada pela visita e pelo comentário fofo.
Eu tbm não estava pronta – to ficando, ainda não estou…hehehe – mas percebi que jamais estaria, então resolvi embarcar nessa viagem muito louca. Feliz com minha escolha e ansiosa pelo que vem por aí! #Táchegando
Beijos

So I must admit, I hadn’t checked your blog in a very long time, but thanks to Facebook and Google Translate, here I am, and so happy for you! Thanks for sharing! Best of luck in these next few weeks…I can barely imagine all your feelings! And can’t wait to hear what the next several months bring…from baby to Down Under, and everything in between! xo!

Hey Eliza,
How is everything! Such a long time, and it feels that you guys just left SF. Please come by as we really miss you!
From my side, looks like adventure is only beginning! Thanks for checking the blog and translating it! And please say hi to Paul!
Love,
Mari

Que post lindo Mari. Vai dar tudo super certo e logo logo teremos mais um viajante por aqui. beijão

Obrigada 🙂 🙂 🙂

Adorei ler o post. Parabéns pelo trabalho.
Beijos

Obrigada 😉

Queridos Marina+Gustavo+Antonio … !
Obrigada por dividirem esta experiência que estão vivendo. Que bom poder acompanhar esta família crescendo e tendo como base, o Amor. Estamos também na expectativa da chegada do pequeno Antonio e como minha mãe já dizia: ” Nossa Senhora do Parto lhe dê uma boa hora”!
Esperamos que reservem uns dias em 2017 para virem à Suíça. Abraço forte! Lúcia ?❤️??????

Obrigada Lúcia querida!
Um beijão

Mari, acho que não existem roteiros certos para a relação entre uma mãe e seu bebê, vocês vão descobrir juntos! Porque ´não existem dois bebes iguais, nem duas mães. Para mim a maior dificuldade de criar meus 3 filhos, foi encontrar a maneira certa de oferecer a mesma educação para três pessoinhas tão diferentes. Não é fácil, a gente tem medo de não conseguir estar a altura das expectativas daquela pessoa, quando pede ajuda gritando “mãe”! E o mais engraçado é que de uma maneira ou outra, você sempre vai saber o que fazer para ajudar teu filho! Você sempre vai ter medo quando ele sai do seu campo de visão, mas sempre vai estimulá-lo a ir cada vez mais longe com suas próprias pernas. E tudo passa, cansaço, estresse, incerteza, quando ele olha para você e sorri! Pessoalmente, nada do que vivi se compara ao que tenho vivido sendo mãe dos meus filhotes! Beijos e sucesso nessa nova empreitada!

Que lindo Ana.
Fiquei emocionada!
Obrigada 🙂

Esta é sua melhor viagem, Mari. Curta com tudo a que tem direito. <3

Obrigada Marcie 🙂 <3 (Esperando sua visita pra comer Din Sun!!!)

Amore … você sempre uma pessoas incrível!!! Que texto lindo, consigo ouvir sua voz saindo dele, como aquelas conversas que tínhamos quando eu ia para SF com frequencia.
Você sabe o quanto te admiro e o quanto estou super duper feliz por vocês e por essa nova viagem que está apenas começando!!!
Beijo grande…

Mi sua linda, chorei com seu comentário. Ando bem bobona esses dias!
Obrigada pela visita e o pequeno Antonio espera o casal Mikix!
Beijos

Curti bastante o post!
Ainda não amadureci a ideia de ter filhos (passados 18 anos de relacionamento e 8 de casados), mas deve ser uma super aventura!
Gostei ainda mais de saber que já planejam uma viagem com o pequeno 😉
Sabe quando, sem ao menos ter filhos, as pessoas vivem dizendo para você aproveitar porque depois que tiver filhos as viagens acabam? E são as amigas blogueiras que servem de exemplo para provar ao mundo que as coisas podem ser diferentes.
Que Antonio venha cheio de saúde!

Gabi, sabe que eu tbm não? Rs.
E foi por isso que decidi “me jogar”, percebi que jamais estaria pronta para um baby e que as viagens SEMPRE estariam em primeiro lugar. Tinha muito medo de ter que mudar completamente meu estilo de vida, e até acreditei nesse papo louco de que é impossível viajar com criança, e blá, blá, blá. Mas com tanto blog de pais viagens por aí, acho que deve funcionar. Rs
Depois eu te conto os próximos passos dessa “empreitada”.
Obrigada pela visita e pelo comentário fofo <3 <3

Esqueci de mencionar. Você está linda e o Gu também.

Adorei este post. Fiquei emocionada com o texto. Lacrimejei ! Que delicia poder ler este lindo relato. Muita saude e sucesso para o Tom, e para os pais do Tom.

Obrigada 😉

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