As dez maiores furadas do sudeste asiático

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Halong Bay - Vietnã

Tá programando sua viagem pelo sudeste Asiático? Então se liga nesse festival de erros comuns e programas de índio que infernizam viajantes pela Ásia. Nessa coletânea inclui furadas clássicas na Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã. Vamos nessa?

As dez maiores furadas do sudeste asiático

1. Viajar na época das monções

Encontrou uma passagem baratíssima pra Tailândia e comprou correndo sem pensar duas vezes? É assim que muita gente se estrumbica e vai parar no sudeste asiático em plena temporada de chuvas. E não estou falando de garoa, estou falando de chuva forte com água que molha de verdade.

Então fica a dica mais importante de todas: O clima na Ásia é completamente louco e varia absurdamente de país para país (e as vezes, até de região para região). Na Tailândia, enquanto faz sol numa costa, chove na outra. Tempo de chuva no Vietnã é uma excelente época para visitar Bali. Não dá para comprar passagem e nem reservar viagem sem pesquisar.

2. Fazer um tour barato para Halong Bay

Comprou um tour barato e achou que fez um negocião? #Sqn. Os tours baratos são hiper lotados e recheados de surpresas ruins: como comida bizarras, instalações capengas ou companheiros de tour barulhentos. Quer muito ir pra Halong Bay? Compre o tour mais caro que seu dinheiro pode pagar, eu não recomendo nada de menos de 100 dólares por pessoa.

Caverna hiper lotada em Halong Bay

Caverna hiper lotada em Halong Bay

Para chorar de rir, leia este post genial da Dri Setti que promete não dar o ar de sua graça em Halong Bay nessa encarnação.

3. Fazer a viagem entre Chiang Mai e Luang Prabang de ônibus

Luang Prabang -Laos

Rua principal da simpática Luang Prabang

Essa é classica e é uma burrada tremenda, a econômia porca mais famosa do sudeste asiático. O tal do ônibus VIP vendido a preço premium para turistas desavisados é um busão velho e sem vergonha, que pinga sempre que tem gente querendo subir ou descer no meio da estrada, e leva passageiros locais espremidos sentados em cadeiras plásticas ou até mesmo no corredor.

A viagem leva mais de 15 horas, a estrada é péssima (balança tudo, o tempo todo) a viagem é feia (aquela lenda de ver a paisagem pela janela é balela, a fumaça das queimadas no norte da Tailândia é tão potente que você não vai ver nada), e muitas das paradas pra banheiro são no meio estrada, homens e mulheres abaixam as calças e mandam ver. Pra fechar o show de horrores, o ônibus chega em Luang Prabang bem no meio da madrugada (quando todos os hotéis estão fechados. Você chegará moído e terá que esperar até as 11:00 da matina para fazer check in e tomar aquele tão sonhado e merecido banho depois de bodum de horas de busão xexelento). Tem tempo e quer economizar? Vá de barco, que a viagem pelo menos é bonita. Se não, vá de avião.

[Atualização: Depois que escrevi o post recebi meia dúzia de comentários de pessoas que fizeram essa viagem, e acharam cansativo mas que valeu a economia. Eu não fiz o trajeto e continuo achando que o barco é uma alternativa melhor, mas deixo pra vocês :)]

4. Entrar no táxi sem negociar em Bangkok

9 a cada 10 viajantes levam uma trolada (ou mais) dos taxistas em Bangkok. E quer saber? Se você não ficar esperto, você também vai levar.

Taxi em Bangkok

Taxi rosa em Bangkok

  • No hotel ou no aeroporto: exija o uso do meter (taxímetro), caso o cara se recuse, mande ele embora e pegue o próximo.
  • O Taximetro pifou, e agora? Gooooolpe! Esse é classico!  Se recuse a pagar uma fortuna, nenhum táxi dentro de Bangkok deveria custar mais de 200 Bahts (e olha que já tô jogando o preço BEM prá cima)
  • Na rua: negocie o preço antes de subir. Se o cara não topar, mande ele ir embora e pegue o próximo. Com paciência, dá sempre para pagar um preço decente

[O golpe mais surreal que eu ouvi foi de um taxista que fez um passe de mágica e transformou uma nota de 50 em uma nota de 5 (ou algo do tipo). Deu uma briga danada e a moça além de não receber o troco ainda teve que pagar a diferença. Depois dessa, passei a levantar as notas e falar alto: “Estou te dando uma nota de 20”. Na dúvida, é melhor prevenir, certo?!]

E falando em negociação…

Em todo o sudeste asiático, não dá para comprar absolutamente nada sem pechinchar. Nem passeio, nem lembrancinha e nem nada.

5. Visitar a Marble Mountain no Vietnã

Essa eu caí e admito. Que mico!!! A tal da Marble Mountain em Da Nang (Vietnã) fica no meio da cidade. A montanha, que foi transformada em playground de turistas desavisados, tem um elevador nada haver, dezenas de esculturas de santos e divindades budistas horrendas feitas nas próprias paredes de mármore da montanha e iluminadas com aureolas multi coloridas que me lembraram decoração circense de mal gosto. A maior coleção de breguices por metro quatros e Budas distorcidos que já vi na vida.

Marble Mountain - Vietnã

Depois de subir as escadas (me recuso terminantemente a subir montanha de elevador. A coisa melhora um pouco. O templo lá no alto é um pouquinho melhor do que as cavernas com iluminação colorida – na parte de baixo da montanha – mas ainda não vale a subida e nem o tempo gasto para chegar lá. E a tal da vista maravilhosa? Achei meia boca. Da Nang é feia pra caramba, e nem a imensidão do mar ajuda a melhorar. A montanha fica no meio na cidade, sem nenhum pingo de verde em volta. Detestei e não voltaria nem a pau!

Vista da Marble Mountain

Vista da Marble Mountain

6. Comer insetos, carne de cachorro ou qualquer outra gororoba que você não comeria em casa

Se nem os locais comem insetos por livre e espontânea vontade, porque é que você deveria provar? Depois não quero ver ninguém reclamando que passou mal, hein?! O mesmo se aplica para carne de cachorro e outras esquisitices servidas a rodo nas ruas turísticas do sudeste asiático.

Insetos - Tailândia

E falando em passar mal…

Vá preparado porque eventualmente (na real, muito provavelmente) você terá um piriri. Cuidado com o que come e MUITO cuidado com o que bebe.

7. Ir para a Maya Bay no meio do dia

Outra pegadinha clássica! A Famosa Praia do filme “A Praia com Leonardo de Caprio” é realmente maravilhosa, mas dependendo da hora que você for, você não verá nem mar (são zilhões de barquinhos de madeira e uma coleção gigantesca de lanchas tamanho família abarrotadas de turistas orientais ) e nem areia (tamanha a quantidade de pessoas de paus de selfie). A bagunça começa por volta das oito da manhã, e termina as 15:0-16:00 com a debandada dos tours.

Maia Bay vazia: somente no final da tarde ou no comecinho da manhã

Maia Bay vazia: somente no final da tarde ou no comecinho da manhã

A melhor hora para visitar Maia bem é no comecinho da manhã. Eu se fosse você chegaria antes das 7:00 da manhã para ter algumas horas de calmaria (como eu tive), e o único jeito de fazer isso é dormir em Koh Phi Phi. Para quem fica em Krabi ou Phuket, eu não recomendo o bate-e-volta para ver a praia de jeito nenhum. Outras duas praias, em Koh Phi Phi, lindas e bem mais vazias que a Maia Bay são a Nui Bay e a Long Beach.

Maya Bay - Koh Phi Phi

E olha só a mesma praia algumas horas depois | Foto Terra Rothpletz

8. Dar mole com sua bolsa ou carteira

Durante a viagem pela Ásia ouvi dezenas de relatos de furtos de bolsa no Camboja (Phnom Phen) e no Vietnã (Hanoi e Ho Chi Minh). Quanto maior a cidade (e a confusão) maior a sua chance de voltar pra casa sem bolsa. Os furtos geralmente ocorrem por motos de dois passageiros, a moto passa bem perto de você e corta a alça da sua bolsa (ou te arranca a bolsa de sopetão). Quando você menos perceber, a moto já estará longe e sua bolsa também.

Congestionamento de motos no Vietnã

Congestionamento de motos no Vietnã

Meu maior choque foi em Phnom Phen no Camboja, mais de 10 pessoas diferentes me recomendaram sair sem bolsa (especialmente a noite) e andar segurando a minha câmera bem forte. Confesso que essa sensação desagradável de medo, me deixou com um mega pé atrás com a cidade. No Vietnã, me senti um pouco mais segura, mas os relatos de bolsas roubadas também são frequentes.

Pra quem curte uma bebidinha…

Pra quem curte uma bebedeira, vale deixar o passaporte trancado no hotel (ou dentro da bolsinha interna de guardar dinheiro), por que o que vi de bêbado “perdendo o cartão e a carteira” na balada, na Tailândia e no Vietnã, não é brincadeira.

9. Economizar nos bilhetes de ônibus

Essa é uma dica MUITO importante, especialmente para quem pretende viajar pela Ásia de ônibus. Antes de comprar os bilhetes, pesquise bem na internet e veja que companhias são confiáveis. Tem tanta companhia ruim e perigosa que trafega com ônibus caindo aos pedaços que você não quer arriscar sua vida por causa de dois ou três dólares, quer?

Ônibus noturno no Camboja

Ônibus noturno no Camboja

Fiz poucos trajetos de ônibus e sempre comprei o ingresso mais caro de todos  (e da melhor companhia disponível). No Camboja, fiz duas viagens de bus noturno com a Giant Ibis e gostei bastante.

Em contrapartida, meu colegas de viagem compraram um busão barato e dançaram. Além do Karaoke asiático que “animou” a noite toda, o ônibus foi pingando pra pegar gente na estrada, e quebrou duas vezes no caminho. A viagem que era para levar 12 horas levou quase 16. E pra piorar, o ar condicionado estava quebrado (e as janelas não abriam). Um verdadeiro forno!

10. Querer visitar tudo e não conseguir ver nada.

E pra fechar o festival de micos, o erro mais comum dos Brasileiros na Ásia. Querer visitar “todos os países” em um curtissimo espaço de tempo. Durante a viagem, conheci mais de dez pessoas diferentes fazendo a mesma burrada: Laos, Tailandia, Vietnã,  Camboja e Miamar em 15 dias.

Avião - sudeste asiático

Vôo no sudeste asiático

Sabe o que isso significa? pelo menos 5 aeroportos diferentes, pra não dizem 6 ou 7 por que quem vai pra Tailândia geralmente quer conhecer as praias e Chiang Mai. Em média, um aeroporto a cada 2 dias. Só que na Ásia os vôos atrasam (e muito), os aeroportos ficam longe das cidades e o trânsito é caótico, assim você terá um dia (ou menos dependendo do atraso do avião) para “conhecer” cidades maravilhosa. Impossível!

Planeje o roteiro com calma (dá só uma olhadinha nesse post com o número de dias mínimo para cada país) e corte o que não der tempo sem dor no coração. A Ásia não vai fugir de você, e se você amar a viagem, sempre poderá voltar! E cá entre nós, melhor deixar uns lugares para trás do que visitar um montão de aeroportos e quase não ver cidade.

Veja aqui minha sugestão de roteiro pela Ásia

Pergunta pra quem já foi pra Ásia: em quantas dessas roubadas você caiu?

Você colocaria alguma outra dica na lista?

 

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mari vidigal

Viajante incansável, daquele tipo que no meio de uma viagem já está pensando na próxima, na próxima e na próxima. Apaixonada por fotografia, natureza e vinhos

15 comments

  1. David Sharp 23 janeiro, 2017 at 04:20 Responder

    Muito obrigado pelas dicas!!

    Estou indo com minha namorada para o Sudeste Asiático no começo de fevereiro e ficaremos 24 dias.

    Uma grande dúvida, porém, não foi esclarecida em nenhum lugar. Vi que é possível (e bem viável) alugar um carro em Chiang Mai e, pelo Google Maps, vi que tem estradas para viajar para Luang Prabang (Laos) e depois pra Siem Reap (Camboja), para então, finalmente, voltar a Tailândia e deixar o carro em Bangcoque.

    Pela experiência que tem, acha que isso tudo é viável na prática?

    Abraços e desde já obrigado!

    • mari vidigal 24 janeiro, 2017 at 16:39 Responder

      Oi David,
      Não conheço ninguém que fez a viagem de carro e não sei como é a travessia das fronteiras como um veículo de outro país. A condição da estrada não é das melhores.
      Acho que vale a pena vc procurar em fóruns de mochileiros e tentar descobrir alguém que fez isso antes de se aventurar.
      Abraços

  2. Kelly 11 novembro, 2016 at 15:23 Responder

    Só atualizando. Acabei de fazer de ônibus o trajeto de Luang Prabang para Chiang Rai (um pouco antes de Chiang Mai). O ônibus leito tem uma cama de casal, que para mim e meu marido foi muito confortável. A estrada está nova, apesar das curvas a estrada é impecável. Os banheiros da fronteira são novos e limpos. E assim como a paisagem de Hanói para Luang Prabang esse trecho é repleto de montanhas com mata densa. O nascer e o pôr do sol possível de se ver do ônibus é esplêndido. Achei o cenário lindo. A viagem durou 17hs, mas maior parte foi a noite e dormi bastante. Chegamos ao destino por volta de meio dia.

  3. Yasmin 6 outubro, 2016 at 14:37 Responder

    Mari, seu blog é tudo de bom ! Estou um pouco preocupada com os atrasos de voos, já que alguns blogs que leio dizem que atrasam muito e outros dizem que são organizados e pontuais. Vou fazer o roteiro Bangkok – Chiang Mai – Phi Phi e Railay, e estou preocupada com a logística dos voos.

  4. Erika Fujimoto 15 setembro, 2015 at 00:20 Responder

    Olá Mari! ADOREI esse seu post das furadas do Sudeste asiático! Estou indo para Tailandia em Novembro, e já estou pegando várias dicas suas! =P Queria tirar uma duvidinha, em Bangkoc eu consigo andar de transporte publico, ou o Tuk tuk é indispensável? Fico com receio de cair nos ” golpes” e me largarem no meio do nada… hahahahah 😉 bjs

    • mari vidigal 15 setembro, 2015 at 01:40 Responder

      Oi Erika,
      Dá para se virar muito bem de transporte público. O único lugar mais chatinha de chegar é Khao San Road. Mas eu se fosse você, dispensaria o Tuk Tuk e pegaria um taxi. Exija o taximetro ou negocie um preço decente antes.
      Espero até Novembro ter mais alguns posts bacanas prontos!
      Beijos e boa viagem!

  5. Juliana 30 junho, 2015 at 14:42 Responder

    Ola!Excelente post e excelente blog, tambem! Ja estive na Tailandia 3 vezes, mas na 1a vez, peguei um tuk-tuk para ir a algum local que nao lembro e, o cara me levou para outro caminho, me obrigou a entrar em varias lojas e, como so comprei um lenco para minha mae, ele ficou super bravo, me xingou e me largou no meio do caminho!!!E, claro, eu nao tinha ideia de onde eu estava!Mas, gracas a Deus, o transporte publico em Bangkok eh muito bom e logo consegui voltar para perto da regiao onde estava hospedada. Ufa! Fica ai a dica para quem se arriscar a pegar tuk-tuk ou taxis no meio da rua, como eu!Um abraco! (desculpe a falta de acentos).

    • mari vidigal 30 junho, 2015 at 15:19 Responder

      Oi Juliana,
      Obrigada pela visita e pelo comentário!
      Muita chata essa história de ficar no meio da rua num lugar desconhecido! UFFF!
      Beijos
      Mari

  6. Andre 29 junho, 2015 at 19:29 Responder

    hahaha otimo post, furadas sao parte integrante de quase todas as viagens, muitas vezes não dá pra fugir!

    Esse lance de querer ver mil paises/cidades acontece muito na Europa tambem. Nego tem 15 dias e quer visitar 12 paises, roubada classica. Você chega numa cidade ja pensando em como vai embora dela!

    • mari vidigal 30 junho, 2015 at 15:25 Responder

      Total André. Há um tempo atrás uma amiga querida veio me dizer que amou a viagem dela. “5 países” em 6 dias. Eu acho que ela conheceu 5 aeroportos e algumas praças porque com esse cronograma ai não dá tempo de entrar em nada!
      Beijos e obrigada pela visita

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