Viagens longas de carro: Como viajar com bebês sem enlouquecer (e sem matar o pequeno de tédio)

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viagens de carro com bebê

Dicas práticas para você fazer viagens de carro com bebê sem enlouquecer e nem matar o pequeno de tédio! Veja o que levar, cuidados com o roteiro e dicas para entreter o pequeno.

Como viajar com bebês de carro sem enlouquecer (e sem matar o pequeno de tédio)

Uma das grandes preocupações da nossa Roadtrip pelos Estados Unidos e Canadá era: Como fazer com que uma viagem de 28 dias e pelos menos 8.000 Km não se tornasse algo insuportável para o bebê Antonio (que na época tinha 11 meses). Depois de pesquisar um monte, usar e abusar da nossa criatividade e testar tudo na prática divido com vocês um pouquinho do que aprendemos nessa viagem. Pronto para aprender a viajar com bebês de carro sem enlouquecer?

Nossa viagem e os principais desafios

Fizemos um circuito de 28 dias saindo e voltando da Califórnia e percorrendo alguns dos principais parques nacionais dos Estados Unidos e Canadá. Para tornar a viagem mais agradável para o pequeno tentamos simplificar o roteiro e reduzir as paradas ao máximo, e sempre que possível minimizar o número de horas de carro (ou quilometragem por dia).

Mas…

Tanto na ida quanto na volta tivemos alguns dias inteirinhos no carro, e foi nesses dias que tivemos que abusar da criatividade e usar o bom senso pra não matar o pequeno de tédio. Abaixo o roteiro da nossa viagem com as principais paradas sinalizadas.

Viajando com bebês: planejando o roteiro

Uma das etapas mais difíceis dessa viagem (e das nossas viagens com bebê em geral) é planejar um roteiro o mais enxuto possível. Nessa viagem para o Canadá fizemos uma boa etapa de pesquisa para entender quais os lugares que mais queríamos visitar e como dividir nossos 28 dias de forma eficiente (sem fazer nenhuma maratona com o bebê, e ao mesmo tempo sem deixar nada lindo pra trás.

Também demos uma olhadinha em qual eram as principais atrações turísticas em cada cidade, e quais os pontos que realmente queríamos parar nos parques nacionais e estradas cênicas. Depois disso usamos o Google Maps para traçar o roteiro perfeito, e aos poucos fomos eliminando cidades até chegarmos em algo bem realista para nossa viagem. Cortamos alguns parques interessantes e paradas lindas sem dor no coração e sabendo que quanto menos paradas fizéssemos mais aproveitaríamos cada uma delas. Foi difícil, mas valeu a pena!

viagens de carro com bebê

Nosso carro equipado com uma caixa: a ideia era viajar com o mínimo de coisas possíveis dentro do carro e a caixa foi essencial

Limitando o número de horas na estrada

Um dos nossos principais critérios para decidir as paradas foi otimizar as rotas (isto é, evitar aquele vai-e-vem desnecessário) e limitar o número de horas na estrada. A ideia era quebrar a viagem em pernas de no máximo 4 horas de viagem por dia (duas durante a soneca da manhã e duas durante a soneca da tarde).

Claro que em dias de parque nacional acabamos dirigindo até mais que isso, mas como fizemos paradas bem frequentes, o pequeno nem sentiu.

E essa é uma das dicas mais importantes desse post: menos é mais para quem viaja com bebê. Enxugue seu roteiro ao máximo e faça cortes sem dó. Para minimizar o tira e põe do carro ante ficar pelo menos duas noites em cada cidade base , e na dúvida reserve mais tempo para aquela cidade incrível.

Uma atividade por dia, e o que vier é lucro

Voltando a etapa de planejamento, lembram que falei das principais atrações e das paradas que gostaríamos de fazer? Aprendemos que quando se viaja com um bebê não dá para engessar tanto o roteiro, e que a melhor forma de não nos frustramos é escolher uma atividade que queremos muito fazer (ou uma atividade por período: uma de manhã e outra a tarde) e começar o dia com ela. Se a coisa correr bem, dá para encaixar uma segunda (ou até uma terceira atividade) na aquele mesmo dia, mas se der tudo errado, e as vezes dá, fazemos pelo menos nossa parada escolhida.

Quer um exemplo?

Em Vancouver escolhermos visitar o Stanley Park de bicicleta. O passeio foi tão gostoso e tranquilo (e o Tom amou) que na saída rolou uma caminhada até o Canadá Place (com direito a subida na torre) e ainda fechamos o dia com um passeio pelo Granville Island Market.

Vancouver

Passeio de bicicleta pelo Stanley Park em Vancouver

Se desse tudo errado, teríamos voltado para o hotel depois do park. Colocado o baby pra descansar, e analisado se rolaria algum outro passeio no final do dia.

Diminuir nossas expectativas (e a nossa velocidade em cada um dos passeios) permitiu com que fizemos as paradas que o baby precisava sem ficar cronometrando tudo no relógio com receio de “perder” algo .

Adotamos a filosofia de vamos fazer o que der, bem feito, e o que não der fica pra uma próxima. E quer saber? Só de mudar o Mind Set, a coisa já ficou mais leve!

Dicas práticas: como fazer viagens longas com bebê sem enlouquecer

Hora de dormir = hora de dirigir

Uma das táticas que usamos e abusamos durante a viagem foi usar a hora da soneca do Tom para fazer as pernadas mais longas do dia. Ele dorme super bem, e dorme duas vezes por dia, uma de manhã e outra a tarde. Usávamos essas sonecas para dirigir a beça sem que ele percebesse.

Como em casa ele dorme com leite, fiz a mesma coisa na viagem. Enchia a mamadeira de leite, dava para ele tomar na cadeirinha, e começávamos a viajar. Em poucos minutos ele dormia e nós aproveitávamos essas 1,5~2 horas de soneca pra avançar a viagem. Com o passar dos dias criamos uma rotininha e ele passou a entender que a hora do leite no carro era hora de dormir, foi uma belezura!

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Tom capotou com o livro na mão e nós aproveitamos para avançar

Paradas e Floor time

Assim que o tom acordava fazíamos uma pequena parada para trocar a fralda e deixar ele engatinhar. Quando tinha uma gramado, ou um lugar limpo, ele engatinhava livremente pelo chão. Quando o lugar era sujo, o jeito era colocar ele brincando no banco da frente do carro (com supervisão, para ele não se jogar no chão). Durante a viagem ele estava aprendendo a levantar sozinho, então muitas vezes eu deixava ele no chão do banco da frente com as duas mãozinhas apoiadas no banco brincando incansavelmente de levantar e abaixar.

Para recomeçar a viagem muitas vezes eu dava um pedacinho de fruta ou um lanchinho saudável, recolocava ele na cadeirinha e pulava para o banco de trás para ir brincando com ele até aquele pedaço da viagem acabar.

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Picnic caprichado em uma ds paradas caprichadas. O Tom enlouqueceu com a espiga de mlho

Floor Time (tempo de chão)

Uma coisa que percebemos durante a viagem é que independentemente da quantidade de horas dirigidas num dia, o Tom estava numa fase que ele PRECISAVA de um bom tempo no chão para rolar, engatinhar e brincar. Assim, sempre que aparecia um lugar bacana (seja chão de museu, ou gramado) fazíamos uma boa parada para ele engatinhar. Esse tempinho de chão renovava o gás dele para aguentar mais tempo no carro (ou no carrinho de bebê), a única parte difícil era tirá-lo do chão, muitas vezes ele ficava bem frustrado e tínhamos que apelar pra fruta (algo que funciona 100% das vezes com nosso bebê guloso).

Chihuly Garden

Baby Tom curtindo um Floor Time no chão do museu Chihuly

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Tom curtindo Floor Time no Glacier National Park

Não economize nas paradas

Nos dias de muita estrada tentávamos fazer paradas a cada duas horas (ou de hora em hora dependendo do humor do bebê) em algum parque ou algum lugar gostoso para dar um belo tempo para ele engatinhar.

Aprendemos que quanto mais parávamos, mas fácil era seguir viagem de forma gostosa.

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Tempo de chão no Campiano Bridge Park no Canadá

Revezamento no banco de trás

Assim que o Tom acordava da soneca, eu ou o Gu passávamos para o banco de trás e íamos brincando com o Tom. Enche e esvazia bexiga, conta histórinha, canta musiquinha (nessa hora nosso super kit de instrumentos transformou o carro numa banda!) e vai revezando brinquedo à brinquedo. O revezamento faz com que tudo o que sai da caixa seja novidade num ciclo interminável. Funciona, viu?

E quando nada mais dá certo, uma paradinha estratégica ou um lanchinho caprichado vem sempre bem!

viagens de carro com bebê

Tom brincando com a bolsinha sensorial e olhando pra mamãe no banco de trás

Entretendo o bebê no carro

Esse tópico é tão importante que vai ganhar um post a parte (já estou terminando e vou publicar na sequência), mas quero detalhar aqui de forma rápida um pouquinho do que levamos para tornar a viagem mais divertida para o pequeno:

A) Brinquedos & Livros:

Levamos alguns brinquedos antigos e que ele ama (os preferidos) e algumas novidades compradas (ou feitas) especialmente para a viagem. A mistura entre o novo (despertou curiosidade) e os preferidos (para deixar aquela sensação gostosa de familiaridade) foram o balanço ideal para a viagem funcionar bem.

Levamos alguns instrumentos musicais, imãs com um quadro magnéticos, trenzinho, aviãozinho de lego, bolas, uma argolinha, livros de história e bexigas para ele brincar junto com a mamãe.

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Um pouquinho do que levamos

B) Comidinhas:

Entre uma parada e outra, e durante as pernadas mais longas fazíamos lanchinhos saudáveis. Levei bastante fruta, queijo em palito e outras comidinhas que o baby Tom costuma gostar:

  • Frutas que não fazem sujeira: banana (levei inteira), mexerica sem caroço, Blue Berry, morango, maça (cortada), abacate (pra comer de colher) e etc
  • Biscoito salgado: Preferi as versões com pouco sal e gluten free
  • Chips de Legumes e frutas assadas: batata doce, Banana e Maça
  • Barrinha de cereal de bebê sem açúcar: olhe os ingredientes!
  • Queijo em palito
  • Cenoura bebê
  • Damasco e pêssego secos

C) Ipad com filmes

Depois de esgotar a caixa de brinquedos num revezamento sem fim (isso mesmo! Nada de dar todos os brinquedos de uma só vez porque o bebê enjoa mais rápido!) e de contar muitas histórinhas, chegou a hora do Ipad. (Em geral isso acontecia nas viagens maiores de duas horas e depois de algumas paradas.)

Antes da viagem baixamos 3 filmes escolhidos pelo Gu: Nemo, Toy Story e Mágico de Oz (por incrível que pareça ele gostou muito das músicas, eu jurava que ia ser um fracasso total). Nemo acabou sendo o filme preferido e o mais usado na viagem, e um senhor aliado nas viagens longas.

Nós não assistimos TV em casa, e nem temos o costume de dar o Ipad ou telefone para o Tom, assim a hora do filme é algo super diferente, e que ele aproveita bastante. A gente evita ao máximo ter que usar esse recurso, mas quando precisa, achamos que é um belo aliado.

Passeios pelos parques nacionais e o Santo Nemo

Também usamos o recurso do Ipad em parques nacionais quando haviam muitas paradas em pouco tempo. O Ipad nos ajudou a revezar (desce um primeiro e depois desce o outro) ou tirar e colocar ele do carro (de 5 e 5 minutos) sem chorôrô.

Pra deixar tudo limpinho

Para limpar a bagunça da comida levamos nosso aspirador portátil (e que acerto! Se não fosse o aspirador teríamos migalhas por todos os cantos), o álcool gel (que ajudou a limpar as nossas mãos e o carro das coisas mais estranhas), lencinhos umedecidos de bebê (pra limpar o bumbum, a mão, os brinquedinho e tudo o que ia para boca e para o chão), lencinhos umedecidos de limpeza (pra ajudar na limpeza do carro pós aspirador) e sacos de lixo. Foi ótimo ter esse kit com a gente!

Remédios e kit primeiros socorros

Antes da viagem checamos o nosso seguro do carro e nosso seguro de saúde (por sorte, ambos eram válidos no Canadá), caso contrário teríamos feito um seguro viagem (já contei neste post que não gosto de brincar com essas coisas) para os três.

E também levamos nosso kit de primeiros socorros básico (com band-aids analgésicos e outras cositas) que compramos pronto aqui nos US, e que de tempos em tempos conferimos pra fechar que está tudo na validade.

Para o baby Tom levamos o termómetro (depois da primeira viagem internacional com febre, não viajo sem), dois anti-térmicos diferentes (#Vaique), e umas homeopatias que amo como Rescue para ajudar a dormir quando dá tudo errado e Camillia para os dentes.

Doses dobradas de paciência

E mesmo com todo o planejamento do mundo, imprevistos vão surgir. Nessa hora o jeito é dar risada e resolver o “problema” ou a dificuldade sem perder o bom humor. Viajar com bebês (ou crianças) não é fácil e exige muita flexibilidade. Tenha sempre um plano B e muita paciência pra encarar tudo do melhor jeito possível.

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Parada muito gostosa no Great Teton National Park

E aí?

Curtiu nossas dicas para fazer viagens longas de carro com bebê?

Alguém aí tem mais dicas para acrescentarmos no post?


 

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mari vidigal

Viajante incansável, daquele tipo que no meio de uma viagem já está pensando na próxima, na próxima e na próxima. Apaixonada por fotografia, natureza e vinhos

2 comments

  1. Michelle Lima 2 dezembro, 2017 at 14:42 Responder

    Amei as dicas. Obrigada por publicar.
    Com certeza vão me ajudar muito. Estou planejando uma primeira viagem de carro com nossa bebê de 7 meses. Viagem pequena, mas para nós, que nunca viajamos de carro com ela, o post será inspirador.

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