Mount Rushmore: como visitar e o que fazer na região

Ver os quatro presidentes se materializando na rocha ainda da estrada é uma daquelas cenas que a gente conhece de filmes e fotografias, mas que ganha outra dimensão ao vivo. O Mount Rushmore, na Dakota do Sul, é enorme, impressiona de perto e guarda uma história muito mais interessante — e controversa — do que os rostos de George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln esculpidos no granito deixam transparecer.

Mt. Rushmore na Dakota do Sul
Mt. Rushmore: um dos símbolos americanos esculpidos na pedra

Neste guia, vou contar como visitar o Mount Rushmore, como chegar, quanto custa, quanto tempo reservar, detalhes históricos curiosos e o que realmente vale a pena fazer por lá. E já adianto: eu não viajaria até a Dakota do Sul só para ver o monumento. A graça é combinar a visita com alguns dos lugares mais incríveis da região, especialmente o Custer State Park e o Badlands National Park, transformando Mount Rushmore em uma das paradas de um roteiro delicioso pelas Black Hills. Outra possibilidade é combinar a Dakota do Sul com o Yellowstone National Park e fazer uma viagem mais longa pelos Parques Nacionais Americanos.

Para nós o Mt. Rushmore foi uma das paradas de uma viagem de carro por 13 estados e mais de 9500 km pelos Estados Unidos. Saímos da Califórnia até Chicago, subimos até a Upper Peninsula de Michigan e voltamos pelo norte do país, passando pela Dakota do Sul.

Neste post você vai encontrar:

Planeje sua visita ao Mount Rushmore

Eu sempre tive curiosidade de ver o Mount Rushmore de perto, mas também tinha sérias dúvidas se o rolê até a Dakota do Sul valeria a pena ou se seria mais uma pegadinha turística. E não é que valeu — e muito — a pena?

Ficamos duas noites na região de Rapid City e combinamos a visita ao Mount Rushmore com o Custer State Park (que é MARAVILHOSO) e o Crazy Horse Memorial. Nos próximos parágrafos, divido com você tudo o que eu gostaria de ter sabido antes da visita: como chegar, onde vale a pena ficar, quanto custa e os detalhes práticos que fazem diferença na hora de montar o roteiro. Vamos nessa?

Black Needles no Custer State Park em South Dakota
Black Needles no Custer State Park

Como chegar

Mount Rushmore fica nas Black Hills, na Dakota do Sul, pertinho da pequena cidade de Keystone. O aeroporto mais próximo é o Rapid City Regional Airport (RAP), a 56 km do monumento. Para quem chega de avião, alugar um carro é a opção mais prática: não há transporte público entre Rapid City e o Mount Rushmore, você vai precisar de carro!

Para quem viaja do Brasil, vale pesquisar a passagem até Rapid City já com a conexão incluída. Dallas/Fort Worth tem voos diretos para Rapid City durante todo o ano, enquanto Chicago e Atlanta têm voos sazonaisDenver também tem vários voos diários para Rapid City durante todo o ano e funciona muito bem para quem quer combinar Mount Rushmore com uma road trip pelo oeste americano. 

Principais distâncias:

  • Keystone: ~6 km
  • Rapid City: ~39 km
  • Badlands National Park: ~121 km
  • Denver: ~595 km
  • Yellowstone National Park (East Entrance): ~700km

Onde ficar | Qual melhor base para explorar a região

Para visitar o Mount Rushmore e explorar as Black Hills, eu escolheria entre Rapid City, Keystone e Hill City. Rapid City tem mais estrutura e costuma funcionar especialmente bem para famílias; Keystone ganha na proximidade com o monumento; e Hill City é uma alternativa mais charmosa e central para quem pretende explorar a região com calma.

Rapid City

Centro de Rapid City na Dakota do Sul
Rapid City, uma das bases para explorar o Mt. Rushmore

Rapid City é a base mais completa para explorar o Mount Rushmore e as Black Hills. Além de concentrar a maior oferta de hotéis e restaurantes, a cidade tem um centrinho gostoso para caminhar e uma vantagem importante para quem viaja com crianças: vários hotéis têm piscinas cobertas e alguns ficam próximos ao WaTiki Indoor Waterpark. É também a escolha mais prática para quem chega de avião.

Onde ficar em Rapid City

Hotel caprichado

Hotel Alex Johnson Rapid City

Hotel Alex Johnson Rapid City é nossa escolha caprichada em Rapid City, um hotel histórico com quartos modernos e localização impecável no centro da cidade e pertinho de restaurantes, cafés e lojinhas.

Os quartos combinam elementos clássicos com uma decoração atual e são elogiados pela limpeza e conforto das camas, mas vale falar que, por se tratar de um edifício histórico, alguns são pequenos — se espaço é importante para você, capriche na categoria escolhida. O estacionamento é pago a parte e o café da manhã não está incluído em todas as tarifas.

Confira os preços e reserve o Hotel Alex Johnson

Bom custo x benefício

Staybridge Suites Rapid City

Com quartos espaçosos e nota altíssima dos hóspedes, o Staybridge Suites Rapid City – Rushmore é uma ótima escolha para famílias. As acomodações são suítes equipadas com cozinha completa, incluindo geladeira grande, fogão e micro-ondas, e há opções com sala e mais de um quarto. O café da manhã é grátis, assim como o estacionamento e a lavanderia para hóspedes. Limpeza, conforto e tamanho dos quartos estão entre os pontos mais elogiados pelos hóspedes. O hotel também tem piscina coberta e jacuzzi.

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Home2 Suites by Hilton Rapid City

Home2 Suites by Hilton Rapid City é uma ótima escolha para famílias: recém-renovado, tem suítes espaçosas com sala de estar e cozinha equipada com geladeira, micro-ondas, lava-louças e utensílios. O café da manhã é grátis, assim como o estacionamento, e limpeza, localização e atendimento aparecem entre os pontos mais elogiados pelos hóspedes.

O grande diferencial, porém, é a entrada para o WaTiki Indoor Waterpark incluída na hospedagem — o hotel é conectado ao parque aquático por um corredor interno, facilitando muito a vida de quem viaja com crianças.

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Hampton Inn & Suites Rapid City Rushmore

Quartos modernos, grandes, camas confortáveis e café da manhã completo grátis são alguns dos destaques do Hampton Inn & Suites Rapid City Rushmore, que também oferece estacionamento gratuito. As notas de limpeza e conforto são excelentes no Booking e a localização, próxima à I-90 e a lojas e restaurantes, funciona bem para quem está de carro. Para famílias, o grande diferencial é a piscina coberta com um toboágua de dois andares, meus filhos se esbaldaram!

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Hotéis econômicos

Tru by Hilton Rapid City Rushmore

Tru by Hilton Rapid City Rushmore é uma alternativa econômica com jeitão moderno e descontraído. Os quartos são mais compactos e minimalistas que os de outros hotéis desta lista, enquanto as áreas comuns são espaçosas e têm jogos e mesa de sinuca. O café da manhã é grátis e e famílias ainda podem aproveitar a piscina coberta com toboágua compartilhada com o Hampton Inn vizinho. Limpeza, localização e atendimento aparecem com frequência entre os elogios no Booking e no Tripadvisor.

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La Quinta Inn & Suites by Wyndham at WaTiki Waterpark

Uma alternativa econômica especialmente interessante para famílias é o La Quinta Inn & Suites by Wyndham at WaTiki Waterpark. Os quartos são espaçosos e equipados com frigobar e micro-ondas, e o café da manhã e o estacionamento são grátis.

Nas avaliações, limpeza, conforto das camas e atendimento aparecem repetidamente entre os elogios, e o hotel mantém uma ótima nota no Booking mesmo com mais de 650 avaliações. Para completar o custo x benefício, a entrada para o WaTiki Indoor Waterpark está incluída na hospedagem, e o parque fica logo no final do corredor — um belo bônus para quem viaja com crianças.

Confira os preços e reserve

Dicas de restaurantes que adoramos

No centrinho, gostamos muito do Delmonico Grill (609 Main St), uma steakhouse mais caprichada com excelentes cortes de carne, e do Sabatino’s Italian Ristorante (617 Main St), praticamente ao lado, uma boa pedida para massas e comida italiana. Os dois ficam em Downtown Rapid City e são ótimas opções para jantar depois de um dia explorando as Black Hills.

Keystone

Keystone é a base mais prática para quem quer ficar pertinho do Mount Rushmore. O centrinho é pequeno, turístico e fácil de explorar, e daqui são poucos minutos de carro até o monumento. É uma ótima escolha para uma passagem curta pela região ou para quem quer visitar o Mount Rushmore cedo ou voltar à noite para a cerimônia de iluminação (Vale muito a pena!).

Keystone pertiho do Mt. Rushmore
Centrinho de Keystone

A oferta de restaurantes e serviços é menor que em Rapid City, mas há várias atrações turísticas menos conhecidas que ficam pertinho da cidade (destaque para a tirolesa!) e opções de hospedagem cheios de personalidade. Se eu voltar para região, é lá que vou me hospedar!

Onde ficar em Keystone

Hotel Caprichado

K Bar S Lodge

Cercado pela floresta e com aquele clima gostoso de hospedagem nas montanhas, o K Bar S Lodge é nossa opção mais caprichada em Keystone. Os quartos são confortáveis e há categorias com varanda e até vista de perfil para o Mount Rushmore. O café da manhã é grátis, assim como o estacionamento. Localização, limpeza e conforto das camas estão entre os pontos mais elogiados pelos hóspedes.

Confira os preços e reserve

Bom custo x benefício

Powder House Lodge

Powder House Lodge é uma boa pedida para quem prefere trocar o hotel tradicional por uma cabana em meio às Black Hills. Há diferentes tamanhos e configurações de acomodação, e limpeza, conforto, atendimento e localização aparecem repetidamente entre os elogios dos hóspedes.

O hotel tem piscina externa, estacionamento grátis e um restaurante próprio muito bem avaliado, que serve café da manhã, almoço e jantar. O café da manhã não está incluído na diária.

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Roosevelt Inn Mount Rushmore

Pequeno, familiar e muito bem localizado, o Roosevelt Inn Mount Rushmore é uma das melhores relações custo x benefício de Keystone. Há desde quartos mais compactos até suítes familiares que acomodam grupos maiores, algumas acomodações têm varanda e frigobar e micro-ondas estão disponíveis nos quartos. O café da manhã é grátis e aparece com frequência entre os elogios, assim como a simpatia da equipe, a limpeza e a proximidade com o Mount Rushmore. O hotel também tem piscina, salão de jogos e lavanderia.

Confira os preços e reserve

Opção econômica

Comfort Inn & Suites Mt Rushmore

Para economizar sem abrir mão de uma estrutura confortável, o Comfort Inn & Suites Mt Rushmore tem quartos espaçosos equipados com frigobar e micro-ondas, além de suítes que acomodam até seis pessoas e o hotel ainda tem piscina coberta e jacuzzi. O café da manhã está incluído na diária, assim como o estacionamento

Localização, limpeza, tamanho dos quartos e conforto das camas estão entre os pontos mais elogiados pelos hóspedes no Booking e no Tripadvisor; outra vantagem é poder caminhar até restaurantes e lojinhas de Keystone.

Confira os preços e reserve

Hill City

Hill City é a opção mais charmosa das três e uma excelente base para quem quer explorar as Black Hills além do Mount Rushmore. O centrinho tem restaurantes, lojinhas e galerias e é pequeno o suficiente para fazer muita coisa a pé. A localização também é estratégica para combinar Mount Rushmore, Crazy Horse e Custer State Park.

Hill City pertinho do Mt. Rushmore em South Dakota
Hill City pertinho do Mt. Rushmore em South Dakota

Bom custo x benefício

EverSpring Inn & Suites Hill City

EverSpring Inn & Suites Hill City tem quartos confortáveis equipados com frigobar e micro-ondas, piscina coberta e uma localização excelente, pertinho dos restaurantes e lojinhas do centrinho. O café da manhã quente é grátis e bastante elogiado, assim como a limpeza, o conforto das camas e a simpatia da equipe.

Confira os preços e reserve

AmericInn by Wyndham Hill City Mt Rushmore

Bem localizado e a poucos passos do centrinho, o AmericInn tem quartos espaçosos equipados com frigobar e micro-ondas, piscina coberta e jacuzzi. O café da manhã é grátis e recebe bons elogios, assim como a limpeza, as camas confortáveis e o atendimento. É uma opção especialmente prática para famílias.

Confira os preços e reserve

Comfort Inn & Suites Near Mt Rushmore

Comfort Inn & Suites  tem quartos espaçosos e confortáveis, piscina coberta, jacuzzi e salão de jogos. O café da manhã é grátis e localização, limpeza e conforto das camas aparecem repetidamente entre os elogios dos hóspedes no Booking e no Tripadvisor.

Confira os preços e reserve

Hotéis econômicos

Best Western Golden Spike Inn & Suites

Best Western Golden Spike Inn & Suites é uma opção econômica com boa estrutura para famílias: tem quartos e suítes espaçosos, piscinas coberta e ao ar livre e jacuzzi. O café da manhã é grátis e costuma ser bastante elogiado; localização, limpeza e conforto também aparecem com frequência entre os pontos positivos das avaliações.

Confira os preços e reserve

Spring Creek Inn

Mais simples e com jeitão de hospedagem das Black Hills, o Spring Creek Inn fica em uma área tranquila nos arredores de Hill City e oferece tanto quartos quanto cabanas, algumas com cozinha ou kitchenette. Os hóspedes elogiam especialmente o sossego, a limpeza e a simpatia dos proprietários. Não há café da manhã incluído, mas a estrutura com cozinha pode ajudar a economizar nas refeições.

Confira os preços e reserve

Quanto custa a visita

A visita ao Mount Rushmore é gratuita e não é preciso fazer reserva ou comprar ingresso antecipadamente. Na prática, quem chega de carro paga apenas o estacionamento, que custa US$ 10 por veículo — o valor é o mesmo para carros, motos e motorhomes.

O que fazer no Mt. Rushmore na Dakota do Sul
Avenida das Bandeiras conecta a entrada ao monumento

Guarde o ticket para voltar a noite

Ele permite entradas ilimitadas no estacionamento por um ano, o que é ótimo para quem quer visitar o monumento durante o dia e voltar à noite para assistir à cerimônia de iluminação!

O passe dos parques nacionais, America the Beautiful Pass não cobre o estacionamento do Mount Rushmore, já que o valor é cobrado pela concessionária que administra o estacionamento e não é uma taxa de entrada do National Park Service.

Quanto tempo dura a visita ao Mount Rushmore

Reserve cerca de 2 horas para visitar o Mount Rushmore com calma. Esse tempo é suficiente para caminhar pela Avenue of Flags, curtir as vistas do Grand View Terrace, assistir o filme, visitar o Lincoln Borglum Visitor Center, percorrer a Presidential Trail, uma trilha circular de cerca de 1 km que passa pertinho da base da montanha e rende diferentes ângulos das esculturas, e visitar o Sculptor’s Studio.

Presidentes americanos esculpidos nas montanhas da Dakota do Sul
Presidentes americanos esculpidos nas montanhas da Dakota do Sul

Se a ideia é apenas ver o monumento, tirar algumas fotos e seguir viagem, uma hora pode ser suficiente. Para quem tem mais tempo, vale assistir as apresentações dos guardas florestais e voltar a noite para ver a iluminação.

Como é a Visita ao Mt. Rushmore

Saímos do Badlands National Park depois do almoço e como ainda tínhamos pique, decidimos antecipar nossa programação e visitar o Mt. Rushmore no mesmo dia. São 1h30 de viagem com direito a uma ponte de madeira lindíssima –a Keystone Wye Bridge – quase na chegada. Fique de olho!

No caminho dá para notar o impacto dos cerca de 2 milhões de visitantes que o Mt. Rushmore recebe anualmente na economia local. Há dezenas de atrações de beira de estrada, museus, zoológicos que eu não visitaria e nem recomendaria, e um conjunto de tirolesas que ficamos morrendo de vontade de testar mas que infelizmente não couberam no nosso roteiro. Imagina que legal ver a cabeça dos presidentes do alto da tirolesa? Eu ia amar!

Tirolesas no Mt Rushmore
Tirolesas com vista para Mt. Rushmore | Imagem: Divulgação

Chegando no monumento é só pagar o estacionamento e subir para dar de cara com a cabeça dos presidentes — e sim, eu já tinha me impressionado com as vistas de perfil que aparecem na estrada, mas de frente a escala é outra. É realmente uma obra tão surreal quanto a sua história!

Avenida das bandeiras

O caminho até o principal mirante passa pela Avenue of Flags, uma alameda marjeada por 56 bandeiras que representam 50 estados americanos, Washington D.C. e cinco territórios dos Estados Unidos: Porto Rico, Guam, Samoa Americana, Ilhas Virgens Americanas e Ilhas Marianas do Norte.

Avenida das bandeiras: parada clássica para fotos no Mount Rushmore
Avenida das bandeiras: parada clássica para fotos no Mount Rushmore

As bandeiras estão organizadas em ordem alfabética e, na base de cada uma, uma placa identifica o estado ou território representado. A avenida foi criada em 1976, durante as comemorações do bicentenário dos Estados Unidos, e hoje funciona quase como uma moldura para o Mount Rushmore: conforme você avança, os quatro presidentes vão surgindo entre as bandeiras. 

Grand View Terrace – o mirante principal

No final da avenida fica o Grand View Terrace, o mirante de frente para o monumento e aquele ponto clássico para fotografar os quatro presidentes. A partir dali que você acessa o centro de visitantes e começa a Presidential Trail.

Presidentes no Mt. Rushmore em South Dakota
Grand View Terrace, o principal mirante do Mt. Rushmore

Quem são os quatro presidentes do Mount Rushmore?

Da esquerda para a direita, os quatro presidentes esculpidos no Mount Rushmore são George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln. A escolha foi feita pelo escultor Gutzon Borglum para representar quatro momentos da história dos Estados Unidos: nascimento, crescimento, desenvolvimento e preservação.

  • George Washington (1732–1799) — Primeiro presidente dos Estados Unidos e comandante do Exército Continental durante a Guerra de Independência. Representa o nascimento da nação.
  • Thomas Jefferson (1743–1826) — Terceiro presidente e principal autor da Declaração de Independência. Durante seu governo, a Compra da Louisiana, em 1803, praticamente dobrou o território dos Estados Unidos. Representa o crescimento do país.
  • Theodore Roosevelt (1858–1919) — 26º presidente, governou durante um período de rápida transformação econômica dos Estados Unidos. Borglum o escolheu para representar o desenvolvimento do país, destacando sua atuação na construção do Canal do Panamá e na projeção dos Estados Unidos como potência mundial.
  • Abraham Lincoln (1809–1865) — 16º presidente, liderou os Estados Unidos durante a Guerra Civil e lutou para preservar a União. Durante seu governo foi proclamada a emancipação das pessoas escravizadas nos estados em rebelião. Representa a preservação da nação.

Centro de Visitantes

Chegamos junto com a chuva e o jeito foi descer correndo até o centro de visitantes. Chegamos bem na hora do início do filme que narra a história de criação do monumento, os desafios da construção, as polêmicas e até como o escultor Gutzon Borglum organizou um time de baseball entre os trabalhadores. Se você fala inglês, não perca o filme porque é ótimo!

Centro de visitantes do Mount Rushmore Monument
As exposições do Centro de visitantes explicam detalhes do Monumento

Ali do lado fica uma pequena área de museu que ajuda a entender a dimensão da obra. Há ferramentas e equipamentos usados durante a construção, caixas de dinamite e o equipamento usado para detonar as cargas, modelos de gesso que serviam de referência para os escultores, fotografias dos trabalhadores e imagens históricas da montanha sendo esculpida. Os painéis também contam quem eram os trabalhadores, explicam as técnicas usadas para remover e modelar o granito e apresentam um pouco da história dos quatro presidentes e das cerimônias de inauguração do monumento. 

É um museu pequeno e dá para percorrer sem gastar muito tempo, mas eu achei que ele acrescentou bastante à visita — especialmente depois de assistir ao filme e perceber o tamanho do desafio de transformar aquela montanha no monumento que vemos hoje.

Junior Rangers

Quem visita o Mount Rushmore com crianças não pode deixar de participar do Junior Ranger Program, uma iniciativa gratuita do National Park Service que existe em vários parques e monumentos nacionais americanos. Os meninos pegaram um livrinho de atividades no Visitor Center e foram completando os desafios durante a visita. Para crianças de 5 a 12 anos, as atividades ajudam a observar e aprender mais sobre o monumento enquanto exploram o lugar; no final, é só levar o livrinho preenchido de volta aos rangers para receber o tradicional distintivo de Junior Ranger.

Guardas Florestais Jr. no Mount Rushmore
Tom e Caio preenchendo as atividades do livrinho dos Guardas Florestais Jr.

Programação dos guardas florestais

Outra coisa que vale ficar de olho é a programação gratuita dos park rangers. Entre junho e setembro há pequenas palestras de cerca de 30 minutos ao longo do dia, além de apresentações no Sculptor’s Studio e outras atividades que mudam conforme a temporada. Os horários do dia ficam disponíveis no Information Center e no Visitor Center e não é preciso reservar.

Nós demos sorte e pegamos um talk superinteressante sobre a herança Lakota e a relação dos povos indígenas com as Black Hills, trazendo uma perspectiva essencial para entender um monumento construído em uma terra considerada sagrada pelos Lakota. Durante o verão, o Mount Rushmore também mantém o Lakota, Nakota and Dakota Heritage Village, dedicado à história, aos costumes e às tradições dos povos nativos da região, além de apresentações de hoop dance e storytelling no Grand View Terrace.

Vale conferir a programação assim que chegar porque essas atividades mudam conforme o dia e a época do ano.

Presidential Trail

A chuva deu uma trégua e para nós aproveitamos a deixa para percorrer a trilha presidencial, um percurso de 1Km que passa bem pertinho dos 4 presidentes, e pelo estúdio do escultor. Em frente a cada presidente há uma placa explicando detalhes, feitos e conquistas de cada um deles. Para reduzir o número de degraus (subindo) na trilha, comece pelo lado esquerdo!

Presidential Trail no Mount Rushmore
Presidential Trail no Mount Rushmore

Estúdio do Escultor

Não deixe de visitar o Sculptor’s Studio e ver de perto a última maquete produzida por Gutzon Borglum, em escala 1:12. Nela, os presidentes aparecem com parte do torso e das roupas esculpidos, detalhes que acabaram ficando de fora da obra final. O projeto enfrentou limitações do próprio granito e dificuldades de financiamento e, com a morte de Gutzon Borglum em 1941, seu filho Lincoln Borglum assumiu os trabalhos e decidiu concluir o monumento naquele mesmo ano.

Estúdio do Escultor no Mt. Rushmore em South Dakota
Estúdio do Escultor: essa é a última maquete produzida pelo escultor

Dica de Expert Ideias na mala

Juntinho do Estúdio do Escultor há um conjunto de pedras que rende as melhores vistas e as melhores fotos do monumento!

Passeio ao Mt. Rushmore
Adorei essa vista que fica ao lado do estúdio do escultor

História do Mt. Rushmore

Como transformar um estado predominantemente agrícola e pouco visitado em um destino turístico conhecido no país inteiro? A história do Mount Rushmore começa, curiosamente, com essa pergunta. Na década de 1920, Doane Robinson, historiador oficial da Dakota do Sul, teve a ideia de criar uma atração monumental nas Black Hills para trazer turistas de outras partes dos Estados Unidos. Seu plano inicial era esculpir personagens do Velho Oeste nas Needles, aquelas formações pontudas de granito que hoje fazem parte do Custer State Park.

Para transformar a ideia em realidade, Robinson procurou Gutzon Borglum, um escultor já conhecido por seus trabalhos monumentais e que, naquele momento, trabalhava na enorme escultura de Stone Mountain, na Geórgia. Borglum topou conhecer as Black Hills, mas logo percebeu que as Needles não tinham a composição de rocha adequada para uma obra daquela escala. Em uma segunda viagem à região, escolheu uma montanha muito maior, formada por um granito mais apropriado para a escultura: o Mount Rushmore.

Desafios do projeto

A partir daí, o projeto deixou de ser uma atração regional para ganhar proporções nacionais. Borglum abandonou a ideia de esculpir personagens do Velho Oeste e propôs os quatro presidentes. A construção levou 14 anos, envolveu mais de 400 trabalhadores, enfrentou uma sucessão de desafios técnicos e financeiros, mas é um sucesso.

Como é a visita ao Mt. Rushmore na Dakota do Sul
Detalhes da execução do projeto

O que começou como uma ideia para incentivar o turísmo na Dakota do Sul se transformou em um dos cartões-postais mais reconhecíveis dos Estados Unidos e hoje atrai cerca de 2 milhões de visitantes por ano. Basta dirigir pelas Black Hills para perceber o tamanho do efeito cascata: hotéis, restaurantes e dezenas de atrações turísticas cresceram ao redor desse fluxo de visitantes. Quase um século depois, o Mount Rushmore continua cumprindo exatamente a missão que Robinson imaginou: trazer viajantes para a Dakota do Sul.

Desafios da construção

Quem vê o tamanho do Mount Rushmore nem imagina o tamanho da ousadia e das dificuldades de esculpir quatro rostos de 18 metros de altura em uma montanha na década de 1920. Essa foi uma das partes que mais me tocou na visita: entender os detalhes surreais da construção do monumento.

Borglum desenvolveu um sistema para transferir as medidas de suas maquetes em escala 1:12 para a rocha e os trabalhadores eram suspensos por cabos em pequenas cadeiras na encosta da montanha, usando furadeiras pneumáticas, martelos e muita dinamite.

Cerca de 90% da rocha removida do Mount Rushmore saiu com explosivos. As cargas eram calculadas para retirar quantidades específicas de granito e, conforme os trabalhadores se aproximavam da superfície final, a dinamite dava lugar às furadeiras e aos trabalhos de acabamento. Apesar das condições perigosíssimas, nenhum trabalhador morreu durante os 14 anos de construção.

O presidente dinamitado

Nem tudo saiu conforme o planejado. Thomas Jefferson começou a ser esculpido do outro lado de George Washington, mas inconsistências encontradas no granito inviabilizaram aquela posição. O trabalho já realizado precisou ser explodido e Jefferson foi recomeçado onde está hoje. Theodore Roosevelt também precisou ser repensado e foi preciso avançar bastante na montanha até encontrar granito adequado para esculpir seu rosto.

Além dos desafios técnicos, faltava dinheiro com frequência e Borglum passou boa parte do projeto buscando financiamento. A construção começou em 1927, envolveu quase 400 trabalhadores e só terminou em 1941. Borglum morreu naquele ano, antes de ver sua obra concluída, e seu filho Lincoln Borglum conduziu os trabalhos finais.

A controvérsia

Não dá para falar do Mount Rushmore sem falar dos Lakota e de toda a polêmica que envolve a construção do monumento. As Black Hills são sagradas para os Lakota e, pelo Tratado de Fort Laramie de 1868, o governo americano reconheceu a região como parte da Great Sioux Reservation e se comprometeu a manter colonos fora dessas terras.

Só que, em 1874, uma expedição liderada por George Custer encontrou ouro nas Black Hills e desencadeou uma corrida de mineradores para a região. O governo tentou comprar as terras, os líderes indígenas recusaram e, depois de uma sequência de conflitos, os Estados Unidos tomaram as Black Hills. Pouco mais de 50 anos depois, foi justamente ali que Borglum escolheu a montanha onde seriam esculpidos os quatro presidentes americanos.

Essa escolha foi feita sem considerar o significado cultural que aquele lugar já tinha para os povos nativos. O próprio National Park Service reconhece hoje que a seleção da montanha — conhecida pelos Lakota como Six Grandfathers — ignorou sua importância cultural preexistente.

Hoje, o National Park Service tenta trazer essa perspectiva para dentro da experiência do Mount Rushmore, com exposições e uma programação dedicada à história e à cultura Lakota, Nakota e Dakota.

Mt. Rushmore e as Black Hills
A montanha sagrada para os Lakota hoje abriga um dos principais monumentos americanos

Crazy Horse – o contraponto ao Mt. Rushmore

A cerca de 30 km do Mount Rushmore, outra montanha sagrada das Black Hills está sendo esculpida — e sua história funciona como um contraponto aos quatro presidentes. A ideia partiu de Henry Standing Bear, líder Brulé Lakota, que defendia a criação de um monumento que mostre que os povos indígenas americanos também tem seus heróis. Standing Bear chegou a procurar Gutzon Borglum para propor a inclusão de uma figura indígena no Mount Rushmore e, mais tarde, convidou o escultor Korczak Ziolkowski, que trabalhou brevemente como assistente de Borglum no Mount Rushmore, para criar um monumento dedicado a Crazy Horse, líder Oglala Lakota.

Crazy Horse Memorial na Dakota do Sul
Crazy Horse Memorial na Dakota do Sul

A primeira explosão na montanha aconteceu em 1948 e, mais de 75 anos depois, a escultura continua longe de ser concluída — e não existe uma previsão para que isso aconteça. Enquanto isso, o Crazy Horse Memorial se transformou em uma enorme atração turística que recebe mais de 1 milhão de visitantes por ano. O complexo inclui o Indian Museum of North America, espaços culturais e programas educacionais dedicados às culturas indígenas financiados por ingressos e doações privadas, sem recursos dos governos estadual ou federal.

Depois da morte de Ziolkowski, em 1982, sua mulher Ruth assumiu a direção do projeto e membros da segunda e terceira gerações da família Ziolkowski continuam envolvidos até hoje.

Nem todos os Lakota apoiam o monumento. Descendentes de Crazy Horse já questionaram tanto a falta de consentimento da família quanto a própria ideia de explodir e esculpir outra montanha nas Black Hills, consideradas sagradas pelos Lakota. Há ainda uma contradição simbólica importante: Crazy Horse era conhecido por não permitir que sua imagem fosse fotografada ou desenhada e, hoje, é justamente seu rosto que está sendo transformado em uma das maiores esculturas do mundo.

Eu saí de lá bastante incomodada. Entendo a importância do museu, da programação cultural e dos projetos educacionais mantidos pela fundação, mas também é difícil ignorar que estamos diante de uma atração turística privada, administrada há gerações pela família do escultor, que recebe mais de um milhão de visitantes por ano e continua, depois de mais de sete décadas, sem previsão de conclusão. Para mim, o Crazy Horse acabou levantando quase tantas perguntas quanto o Mount Rushmore.

Outros passeios para combinar com o Mount Rushmore

O Mount Rushmore sozinho ocupa poucas horas do dia, mas eu não viajaria até a Dakota do Sul só para visitar o monumento. As Black Hills são lindas e há muita coisa legal para fazer nos arredores, então vale reservar pelo menos dois ou três dias para explorar a região.

Custer State Park

Se você só tiver tempo para acrescentar um passeio, escolha o Custer State Park (entrada: $25 por veículo). O parque fica pertinho do Mount Rushmore e entrega um combo maravilhoso de montanhas de granito, lagos, trilhas e vida selvagem. É ali que fica a Needles Highway, estrada cênica que atravessa túneis estreitos e passa pelas formações de granito que Doane Robinson inicialmente imaginou para seu grande monumento.

Também curtimos uma manhã deliciosa nadando e fazendo as trilhas ao redor do Sylvan Lake. A dica é chegar cedo pois vagas de estacionamento são bem limitadas nos meses de verão. Outro destaque é a Wildlife Loop Road, onde vivem bisões, pronghorns, veados e os famosos begging burros.

Wind Cave National Park

Wind Cave National Park combina dois mundos completamente diferentes: uma enorme rede de cavernas subterrâneas e, na superfície, pradarias onde vivem bisões, pronghorns e prairie dogs. A caverna é especialmente conhecida pelas formações de boxwork, estruturas delicadas de calcita que parecem favos de mel e aparecem em uma concentração excepcional por lá.

Para entrar na caverna é obrigatório participar de um tour guiado por um ranger, e aqui vai uma dica importante: reserve seu tour com antecedência, especialmente se estiver viajando no verão ou durante as férias escolares, porque as vagas são limitadas e podem esgotar. O parque oferece diferentes tipos de tours, com duração e níveis de dificuldade variados.

Jewel Cave National Monument

Outra opção subterrânea é a Jewel Cave National Monument, perto de Custer. E o nome engana um pouco: não estamos falando de uma caverninha. São mais de 220 milhas (354 km) de passagens já mapeadas, o que faz dela uma das cavernas mais longas conhecidas do mundo — e novas galerias continuam sendo descobertas. O NPS estima que apenas uma pequena fração de todo o sistema tenha sido explorada. 

O interior é conhecido pelos cristais de calcita que deram nome à caverna. Para entrar é obrigatório participar de um tour guiado, e reservar com antecedência é essencial, porque as vagas costumam esgotar. 

Hot Springs: mamutes e águas termais

A pequena Hot Springs é uma boa parada para combinar com o Wind Cave National Park e tem duas atrações que valem o desvio. A primeira é o The Mammoth Site, uma escavação paleontológica real construída ao redor de um antigo sinkhole onde dezenas de mamutes ficaram presos há milhares de anos. O mais legal é que os fósseis continuam no próprio local onde foram encontrados, e a visita acontece por passarelas ao redor da escavação.

A segunda são as águas termais que deram nome à cidade. Para quem viaja com crianças, a melhor opção é o Evans Plunge Mineral Springs, uma grande piscina abastecida por uma nascente natural de água mineral a cerca de 31°C, com toboáguas e outras atrações aquáticas. É um jeito delicioso de terminar o dia depois de explorar as Black Hills.

Badlands National Park

Badlands National Park já fica mais distante, mas é um dos meus parques nacionais americanos preferidos, e merece entrar no seu roteiro pela Dakota do Sul. Nele, formações rochosas coloridas, cânions e pradarias criam uma paisagem desértica lindíssima.

Dá para conhecer os principais mirantes em meio dia dirigindo pela Badlands Loop Road, mas vale incluir pelo menos uma trilha. Nós fizemos a Window Trail (0,4 km), uma caminhada curtinha que termina com uma janela natural para o cânion. Ali do lado ficam a Door Trail (0,4 km) e a Notch Trail (2 km), que, de todas elas, é a que eu mais recomendo.

Notch é MARAVILHOSA: a paisagem vai mudando ao longo da caminhada, tem uma escada de troncos para subir e, no final, você chega a uma vista espetacular do White River Valley. Minha dica é começar bem cedo, tanto para pegar a trilha mais vazia quanto para fugir das horas mais quentes do dia. O clima nas Badlands é extremo e há pouquíssima sombra; o próprio National Park Service recomenda levar bastante água, chapéu e proteção solar. A trilha também tem trechos expostos, pedras soltas e não é recomendada para quem tem medo de altura.

Cabra da montanha no Badlands National Park
Cabra da montanha no Badlands

E não vá embora cedo demais. No final da tarde, a vida selvagem nas Badlands é maravilhosa. O parque abriga bisões, bighorn sheep, pronghorns, prairie dogs, coiotes e vários outros animais. Para aumentar as chances de avistamento, vale esticar o passeio pela Sage Creek Rim Road, onde bisões, bighorn sheep e prairie dogs são vistos com frequência

Onde ficar no Badlands

A cidade de Wall é a melhor base para explorar o parque. Nossas dicas de hotel são:

E aí, curtiu nosso roteiro no Mount Rushmore? Ficou com alguma dúvida? Deixe nos comentários.

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mari vidigal
mari vidigal
Mari é editora do Ideias na Mala há 14 anos e mora na Califórnia. Já visitou dezenas de países e explorou boa parte dos Estados Unidos com seus filhos Tom e Caio. Sua paixão? Viajar com o motorhome Rocky e colecionar Springs na Flórida. Mari é conhecida pelos seus roteiros super completos dos principais destinos da Europa (sim! Tem roteiro de Paris, Madri, Londres, Portugal e Amsterdam) e pelo conteúdo mais completo da Califórnia, Flórida e Las Vegas entre os sites de viagem do Brasil. Em 2021 recebeu o prêmio IPW Travel Awards, um dos maiores prêmios de jornalismo de viagem, e em 2024 foi finalista do prêmio Europa de Comunicação.

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