O que fazer no centro histórico de Salvador – Roteiro Completo

Visitar ou revisitar a capital da alegria é sempre um prazer. A energia das pessoas estravassa a saia das baianas e percorre os ares assim como o cheiro do acarajé, uma das mais tradicionais comidas da culinária local – e se mistura com o som de instrumentos musicais dos mais variados tipos. Chocalhos que chacoalham em ritmo agitado, tambores que batucam sem parar, paus- d´agua  que chovem alegria e por ai vai, tem berimbau, triangulo, reco reco é instrumento para ninguém botar defeito.

Gosto de dizer que toda viagem a Bahia é um culto a gastronomia e aos sabores do nordeste. Aproveite para devendar sabores curiosos como a graviola, cupuaçu, cacau ou caja – todos eles ficam maravilhosos em forma de suco ou sorvete. Aproveite para se esbaldar de suco de acerola e de quitutes caprichados como a tapioca, deliciosa tanto doce quanto salgada,  acarajé – uma bolota feia para burro coberta com camarões, mas que costuma agradar bastante. E claro… muito peixe, lagosta e frutos do mar.

De volta ao city tour pelas ruas da capital Baiana, com um dia livre dá para conhecer relativamente bem os pontos turisticos e aproveitar os outros dias, caso você tenha algúns, para curtir as praias e os arredores.

Comece o passeio pelo centro da cidade – o Famoso Pelourinho –  mais especificamente pela Praça da Sé onde há um bonito monumento de uma cruz caída – projetado pelo artista Mario Cravo em homenagem aos 450 anos da cidade – o terraço onde está a cruz tem uma vista muito linda da orla cidade com o Elevador Lacerda nos fundos.

Depois de contemplar a vista, volte para o centro da praça e continue caminhando sentido a Catedral de Salvador, ainda na praça da Sé, você passará por mais um monumento que merece uma passada de olhos, a estatua do ilustre Zumbi dos Palmares que todos os anos recebe um banho de cheiro caprichado por uma comitiva de baianas no dia da consciencia negra.

E falando em baianas fantasiadas, essa é uma região cheia delas, tem baiana que tem barraca de acarajé, baiana fantasiada para fotos, baiana promevendo loja de presentes… tem baiana de tudo que é jeito!

A Catedral de Salvador é uma igreja branquinha que  fica em uma praça chamada de terreiro de Jesus. Por dentro a igreja é bem bonita, e é tida como uma das igrejas mais ricas do barroco brasileiro, com trezes altares muito bem decorados. Mas, como veremos algumas igrejas, que na minha minha opinião são mais bonitas e interessantes do que catedral em questão, sugiro que você pule essa.

No terreiro de Jesus é comum encontrar grupos de capoeira fazendo apresentações e barraquinhas com comes e bebes típicos. Do outro lado da praça há uma igreja chamada Igreja da Ordem Terceira de São Domingos, essa é outra igreja bonita, mas que também pode ser pulada. Caso você queira muito entrar – olho no afresco do teto que é bem bacana e nas estátuas barrocas.

Agora sim é hora de visitar algumas igrejas, ali pertinho do terreiro de Jesus, há duas igrejas que são essenciais para qualquer marinheiro de primeira viagem. A igreja de São Francisco (Entrada: R$ 5,00 por pessoa) e a Igreja da ordem terceira de São Francisco (Entrada: R$ 3,00 por pessoa).  Sugiro que você faça um passeio guiado, lá na porta geralmente tem alguns guias de plantão, eles cobram entre 5 e 10 reais por pessoa, mas explicam tim tim por tim tim da história e dos monumentos da igreja. Vale muito a pena o investimento.

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Sugiro que você comece o passeio pela Igreja da ordem terceira de São Francisco, uma igreja pequenina que foi construída com o dinheiro da maçonaria e nunca funcionou como igreja, exceto em casamentos e celebrações especiais.

A fachada merece uns minutos de atenção, a ornamentação repleta de alegorias e detalhes lembra um pouquinho a fachada da universidade de Salamanca na Espanha. O interior da igreja também é bem bonito, e repleto de simbologia, dos triangulos do chão a estátua de Jesus no altar, isso sem falar que os detalhes dourados são revestidos com ouro de verdade.

A igreja tem uma sala de santos do pau oco – que eram usados como suporte para contrabandear ou esconder ouro –  e um claustro decorado com azulejos portugueses de importância historica pois retratam a cidade de Lisboa antes do terremoto que destruiu a capital Lusitana.

Torre de Belém retratada nos azulejos portuguêses

Saindo de lá, caminhe até a igreja vizinha, a Igreja de São Francisco que também é conhecida como igreja de ouro e é a igreja mais visitada da cidade. A visita começa na entrada com um bonito afresco de José Joaquim da Rocha.

Quem caminha devagarinho em torno do teto repara que a pomba – que representa o Espirito Santo – muda de posição de acompanha o visitante em todas as direções.

Depois de entrar o visitante é dirigido ao Claustro – que apesar de estar bem carente de uma restauraçãozinha, é mais um bonito exemplo de mural de azulejos Lusitanos.

Durante a nossa visita, a pedido do guia, entramos na igreja olhando para o chão e caminhamos assim até o centro da igreja quando finalmente paramos e olhamos para cima… UAAAAU! O amarelo brilhante do ouro que cobre cada centimentro quadrado logo tomou conta da nossa visão. Ficamos impressionados, muito bem impressionados!

A igreja é um dos mais bonitos exemplos de barroco da arquitetura Brasileira e deixa no chinelo muitas igrejas gringas famosas. Olhando para o altar, as mulheres eram acomodadas do lado direito – onde estão as santas mulheres – e os homens do lado esquerdo junto aos santos. Repare que todos os santos são brancos exceto o último homem e última mulher de cada fileira, era na última fileira que se acomodavam todos os escravos que acompanhavam missa junto aos senhores.

Reparem nos detalhes, do teto ao chão é tudo muito lindo e muito bem decorado. No altar, a escultura de uma fato ilusório onde São Francisco tira Jesus da cruz. Nas paredes, anjos carregam as colunas. Cada pedacinho tem uma história bacana e por isso, mais uma vez, sugiro que você faça esse passeio sem pressa e com um guia.

Saindo da igreja de São Francisco é hora de visitar outro dos cartões postais da cidade, o Largo do Pelourinho. Para chegar lá, retorne até o centro do Terreiro de Jesus e de frente para a catedral vire a direita na Rua das portas do Carmo,  essa ruazinha de pedra (assim como muitas outras que você a essa altura já pisou) redonda – conhecida como pedra cabeça de nego – foi construída pelos escravos que carregavam e montavam as pedras uma a uma.

As ruas que te levam a praça mais famosa do Pelourinho, conhecida como largo do Pelourinho (Praça José de Alencar) estão repletas de lojas de presente, instrumentos musicais para todos os tipos e gostos, lojas de artesanato e MUITA pintura local. Tem muita coisa linda e colorida, mas como tudo ali é bem mais caro que no Mercado Modelo, deixe as compras para mais tarde,  juro que você não vai se arrepender!

Chegando na praça José de Alencar aproveite para visitar o Museu Jorge Amando (Entrada R$ 3,00 – http://www.jorgeamado.org.br ). Super interessante, especialmente para os amantes da boa literatura Brasileira, na saída tome um cafézinho no Café Teatro.

Depois de  bater todas as fotos dessa colorida região da cidade, você talvez queira visitar a Igreja do Rosario dos Pretos (Uma simpatica igreja azul) que foi construída na época da escravidão, pelos escravos e para eles próprios, ela é muito mais simples e menos ornamentada que as que visitamos anteriormente, mas sob o ponto de vista histórico, vale a pena.

Caso você queira estenteder sua caminhada um pouquinho mais – só que ladeira acima – na rua de trás (Rua de Passos) está a igreja de Santa Barbara, com sua imensa escadaria, que serviu de cenário para o filme “O Pagador de Promessas”. Mais uma simpatica igreja.

Terminado o passeio, é hora de retornar as mediações da Praça da Sé e conhecer outro famoso cartão postal da capiral baiana: O Elevador Lacerda que foi inaugurado em 1873 e serve de elo ligação entre a cidade alta e a cidade baixa. O elevador te deixará aos pés da praça Cairú onde está o Mercado Modelo.

Mas, antes de entrar na fila do Elevador, não deixe de parar na Sorveteria  “A Cubana”  que fica ao lado da porta de saída do Elevador  e tomar um delicioso sorvete.  (Lembra aquela lista de frutas do começo do post? Hora de recapitular a lista e provar uma das delícias do Nordeste.)

O Mercado Modelo é um dos melhores lugares da cidade para comprar lembrancinhas típicas, doces e presentes. Tem muita coisa bacana, vale a pena procurar e pechinchar. Eu não resisti aos encantos das bonecas baianas e comprei duas lindas para decorar meu quarto.

Comemos uns petiscos do lado de fora do mercado, sinceramente não recomendo. Bem meia boca, deixe para comer em outro canto.

Saindo do Mercado Modelo, pegue um taxi até a igreja do Bom Fim (a corrida custa entre 30,00 e 35,00 Reais). A igreja do Bom Fim é um dos lugares mais misticos e simpáticos da cidade e bom um lugar para se lotar de fitinhas coloridas com “A LEMBRANÇA DO SENHOR BOM FIM DA BAHIA”.

Além de ser uma igreja bastante importante para os católicos, a igreja é simbolo do sincretismo religioso na Bahia, o nosso Senhor do Bomfim é identificado por Oxalá pelos adeptos do Candomblé.

A igreja também serve de palco para uma das mais bonitas tradições da cidade. Desde 1773 todo o segundo sábado do mês é dia de lavagem dos degraus da igreja, centenas de baianas decidamente trajadas se dirigem ao local e lavam as escadas com água de cheiro. Antigamente a festa ocorria dentro da igreja, mas ao saber da ligação desse ritual com o Candomblé, a lavagem interna foi proibida e durante a cerimonia as portas da igreja ficam fechadas.

De volta ao nosso passeio, apesar de ser meio longe do centro da cidade, considero uma parada imperdível. Para não errar a foto, é só se posicionar na marquinha do chão e click.

Por dentro a igreja é beem bonita, mas longe mais simples do que as que visitamos no decorrer do dia. Um detalhe legal dessa igreja é a sala de oferendas, agradecimentos pelos milagres realizados ou desejos concedidos. Antes de ir embora, não esqueça de amarrar sua fitinha nas grades já coloridas da igreja e fazer três desejos.

E ai, ainda tem pic para mais um passeio? Dirija-se até o farol da Barra e curta um pôr do sol muito especial.

Quer uma dica de jantar bem típico? O mercado do peixe de Rio Vermelho é uma ótima pedida – bem descontraido –um lugar bacana para beliscar um peixinho acompanhado de cerveja. Quem quiser provar um acarajé tem uma barraquinha alí do lado que foi testada e aprovada pelo meu irmão. E para os que assim como eu preferem uma tapioca, também tem uma barraquinha por ali que dá bem conta do recado.

Agora para quem quer uma opção de jantar mais caprichada, o restaurante Yemanjá (http://www.restauranteyemanja.com.br/) é uma excelente pedida. Você vai comer MUITO bem num dos restaurantes mais tradicionais da cidade. O restaurante fica um pouco distante do centro e do Rio Vermelho, mas mesmo assim vale a pena.

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Comentários (2)

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toda cultuma baiana é d+++++++++

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