Roteiro pela Patagônia Argentina e Chilena: 10 dias entre Perito Moreno e Torres del Paine

Montar um roteiro pela Patagônia Argentina e Chilena é combinar alguns dos cenários mais impressionantes da América do Sul em uma única viagem. Neste roteiro de 10 dias, você vai conhecer dois grandes ícones da região: o Parque Nacional Torres del Paine, no Chile, e o Glaciar Perito Moreno, na Argentina.

Nossa viagem incluiu quatro dias de trekking pelo famoso Circuito W em Torres del Paine, além de El Calafate e uma visita ao Perito Moreno. Neste post, compartilhamos nosso roteiro dia a dia e tudo o que você precisa saber para planejar a viagem: como chegar, onde ficar, reservas, ingressos, melhor época e dicas práticas para organizar seu próprio roteiro pela Patagônia.

Perrito Moreno
Glaciar Perrito Moreno

Patagônia Argentina e Chilena

Dividida entre Argentina e Chile, a Patagônia ocupa uma enorme área no extremo sul da América do Sul. Por isso, falar em “viajar para a Patagônia” pode significar roteiros completamente diferentes, e tentar conhecer tudo em uma única viagem não é uma opção muito realista.

Neste roteiro, o foco está em duas regiões que podem ser combinadas na mesma viagem: El Calafate e o Glaciar Perito Moreno, na Patagônia Argentina, e o Parque Nacional Torres del Paine, na Patagônia Chilena.

El Calafate funciona como base para conhecer o Perito Moreno e fica a cerca de 5 horas de ônibus de Puerto Natales, principal cidade-base para quem visita Torres del Paine. É essa conexão terrestre que torna possível combinar Argentina e Chile em um roteiro de 10 dias.

No nosso caso, dedicamos a maior parte da viagem ao Circuito W, uma das trilhas mais famosas de Torres del Paine, e encaixamos El Calafate e Perito Moreno no roteiro. A seguir, vamos mostrar como organizar esse percurso, quanto tempo reservar para cada lugar e o que é preciso planejar com antecedência.

Neste post você vai ver:

E, mais:

Roteiro Patagônia resumido

Nosso roteiro combinou a Patagônia Argentina e Chilena, passando por El Calafate e pelo Glaciar Perito Moreno antes de seguirmos para o grande objetivo da viagem: fazer o Circuito W em Torres del Paine.

Veja como organizamos a viagem:

Torres del Paine
Subindo para Mirador Britânico em Torres del Paine

Esse foi o roteiro que fizemos na época. Como Perito Moreno entrou no planejamento depois que a parte chilena da viagem já estava organizada, acabamos fazendo um bate e volta maior entre Chile e Argentina. Hoje, sabendo disso desde o início, dá para organizar os deslocamentos de forma mais eficiente. Vamos explicar as alternativas ao longo do post.

Roteiro Patagônia detalhado

Agora que você já tem um resumo, vamos ao roteiro detalhado.

Dias 1: São Paulo → Punta Arenas

Nossa viagem começou com o trecho aéreo São Paulo – Santiago – Punta Arenas. Foi praticamente um dia inteiro de deslocamento, então dormimos em Punta Arenas para seguir viagem na manhã seguinte.

Dia 2: Punta Arenas → Puerto Natales

Cedinho pegamos um ônibus da Bus-Sur com destino a Puerto Natales. Já tínhamos comprado as passagens pela internet e o processo foi bem tranquilo. O trajeto entre Punta Arenas e Puerto Natales leva cerca de 3h15 e continua sendo operado diariamente pela Bus-Sur, com diferentes horários de saída ao longo do dia.

Puerto Natales

Eu adorei Puerto Natales. A cidade é pequena, simples e agradável, com bons restaurantes e lojinhas. É também a principal base para quem vai conhecer o Parque Nacional Torres del Paine. Dormimos uma noite em Puerto Natales e alugamos um carro para, na manhã seguinte, cruzarmos a fronteira e seguirmos até El Calafate, na Argentina.

Torres del Paine
Cartão-postal de Puerto Natales

Para aluguel de carro, a nossa recomendação é a RentCars, um comparador de locadoras que te ajuda a encontrar os melhores preços para sua viagem. E a melhor parte é que dá pra parcelar sem juros e ainda pagar em reais! Não deixe para última hora, como a demanda é grande, os preços vão aumentar muito nos próximos meses. Aproveite o desconto extra com o Cupom IDEIASNAMALA. Veja valores e reserve aqui.

Dia 3: Puerto Natales → El Calafate

Saímos cedo de Puerto Natales rumo a El Calafate. Apesar das horas de estrada, o caminho já faz parte da experiência: pelo percurso vimos guanacos e outros animais típicos da região, além das paisagens áridas da Patagônia com as montanhas ao fundo.

Torres del Paine

Atenção ao alugar um carro para cruzar a fronteira

Se você pretende alugar um carro no Chile e entrar com ele na Argentina, avise a locadora antes de fechar a reserva. Não basta chegar à fronteira com o contrato normal do veículo. A locadora precisa autorizar a saída internacional e providenciar a documentação exigida para o carro, além do seguro correspondente. Esse processo pode ter custo adicional e deve ser solicitado com antecedência.

Os passageiros também precisam apresentar os documentos válidos para entrar na Argentina.

Torres del Paine
Pé na Estrada – Ruta del fin del Mundo

Chegada a El Calafate

Chegamos a El Calafate, principal base para conhecer o Glaciar Perito Moreno, e fomos até a agência Hielo y Aventura, responsável pelas caminhadas sobre o glaciar. Nós já havíamos reservado pela internet o Minitrekking, experiência que inclui uma caminhada sobre o gelo do Perito Moreno. Dormimos em El Calafate e deixamos o passeio para o dia seguinte.

Vale saber: atualmente, o ingresso do Parque Nacional Los Glaciares não está incluído no valor do Minitrekking e deve ser adquirido separadamente. Por isso, na hora de planejar o passeio, considere tanto o valor da excursão quanto a entrada do parque.

Torres del Paine

Dia 4: Glaciar Perito Moreno + Minitrekking | Pernoite em El Calafate

O Glaciar Perito Moreno fica dentro do Parque Nacional Los Glaciares e faz parte do Campo de Hielo Patagônico Sul, uma das maiores extensões de gelo continental do planeta.

Perrito Moreno
O Glaciar Perrito Moreno visto de frente

A primeira visão do glaciar já impressiona, mas poder chegar perto e caminhar sobre aquela imensa massa de gelo foi uma das experiências mais marcantes da viagem. Os diferentes tons de azul, as formações do gelo e o barulho dos desprendimentos tornam o cenário ainda mais especial.

Glaciar Perrito Moreno
Glaciar Perrito Moreno: Paredão de 80m de altura

Minitrekking no Glaciar Perito Moreno

Nós escolhemos fazer o Minitrekking da Hielo & Aventura, uma experiência que combina navegação, caminhada pela região do glaciar e trekking sobre o gelo usando crampons.

Atualmente, o Minitrekking pode ser feito durante todo o ano e é permitido para pessoas de 8 a 65 anos. A experiência completa dura cerca de 9h30 quando inclui o traslado desde El Calafate e a visita às passarelas do Perito Moreno.

Para o passeio, vá preparado para o clima instável da Patagônia: use roupas em camadas, jaqueta impermeável e corta-vento, calçado adequado para caminhada, gorro e luvas. Leve também óculos de sol e protetor solar.

Planeje seu Minitrekking

  • Operadora: Hielo & Aventura
  • Duração: cerca de 9h30 com traslado e visita às passarelas
  • Idade permitida: de 8 a 65 anos
  • Funcionamento: durante todo o ano
  • Preço: a partir de US$ 228 por pessoa
  • Traslado desde El Calafate: opcional
  • Ingresso do Parque Nacional Los Glaciares: ARS 50.000 para estrangeiros e pago separadamente
Perito Moreno como fazer o trekking
Calçado especial para o mini trekking

Depois do passeio, voltamos para El Calafate, onde passamos mais uma noite. A cidade tem uma boa oferta de restaurantes e bares e é uma ótima base para conhecer essa região da Patagônia Argentina.

Dia 5: El Calafate → Puerto Natales | Pernoite em Puerto Natales

Depois de conhecer o Glaciar Perito Moreno, era hora de voltar ao Chile. Saímos de El Calafate em direção a Puerto Natales, refazendo o trajeto de carro e cruzando novamente a fronteira entre Argentina e Chile.

Ao chegar a Puerto Natales, devolvemos o carro alugado e passamos a noite na cidade. No dia seguinte começaria a etapa mais esperada da viagem: Torres del Paine e o Circuito W.

Dia 6: Puerto Natales → Parque Nacional Torres del Paine | Pernoite no setor Central

Chegou a hora de começar o Circuito W em Torres del Paine. Saímos de Puerto Natales rumo ao parque e passamos a primeira noite no setor Central, ponto de partida para a trilha até a Base Torres no dia seguinte.

Fechamos um pacote completo com a Las Torres Patagonia. Escolhemos essa opção pela praticidade: nosso pacote incluía os traslados, hospedagens e refeições durante o trekking.

Hoje, as hospedagens do Circuito W são operadas principalmente por duas empresas: Las Torres Patagonia, responsável pelos setores Central, Chileno, Francés e Cuernos, e Vértice Travel, que administra Paine Grande e Grey.

É possível reservar as hospedagens separadamente ou comprar um pacote com o roteiro já organizado. Nós preferimos o pacote porque queríamos chegar com toda a logística resolvida e carregar o mínimo possível durante o trekking.

Torres del Paine
Início da trilha – Refúgio Las Torres ao fundo

Como funciona o Circuito W?

O Circuito W conecta alguns dos principais cenários de Torres del Paine, incluindo Base Torres, Los Cuernos, Vale Francês e Glaciar Grey.

Existem diferentes formas de montar o percurso. É possível fazer o trekking nos dois sentidos e escolher entre versões mais rápidas ou mais longas. Nós fizemos o circuito em 4 dias de caminhada, começando pelo setor Central e terminando no Glaciar Grey.

Na temporada regular, o Circuito W pode ser feito de forma independente, sem guia. No inverno, porém, a CONAF pode exigir acompanhamento de guia, equipamentos específicos ou até fechar determinados trechos. Por isso, confira sempre as condições das trilhas antes da viagem.

Como são os refúgios do Circuito W?

A estrutura varia de um setor para outro, mas há opções de refúgios com quartos compartilhados e campings ao longo do circuito. Dependendo da reserva, é possível contratar também saco de dormir, barraca montada e refeições.

Nós contratamos pensão completa, com café da manhã, box lunch para levar durante a caminhada e jantar. Foi uma escolha que facilitou bastante o trekking porque não precisávamos carregar comida e equipamentos de cozinha.

Quem tem alguma restrição alimentar deve informar no momento da reserva. As opções e serviços variam conforme o refúgio. Nosso primeiro dia dentro do parque foi tranquilo. Depois de chegar ao setor Central, aproveitamos para organizar as mochilas, descansar e nos preparar para a primeira grande caminhada do W.

Torres del Paine
Primeira subida, partimos lá de baixo e esse foi só o começo.

Dia 7: Setor Central → Base Torres → Chileno | Pernoite no setor Chileno

Distância aproximada: 14 km

Começamos o dia no setor Central e seguimos em direção ao Refúgio Chileno. Esse primeiro trecho tem cerca de 5 km e é praticamente todo de subida. Ao chegar ao Chileno, fizemos uma pausa e deixamos as mochilas maiores no refúgio, onde dormiríamos naquela noite. Seguimos para a Base Torres levando apenas o necessário para o restante da caminhada.

Do Chileno até o Mirador Base Torres são cerca de 4,4 km por trecho. A parte final é a mais exigente, com uma subida íngreme sobre a morena glaciar e terreno cheio de pedras. Os bastões de caminhada ajudaram bastante nesse trecho.

Torres del Paine
Último trecho de perrengue até que……….

E aqui entra uma das características mais marcantes da Patagônia: o clima pode mudar muito rápido. Chegamos à Base Torres com sol e começamos a descida debaixo de neve.

Se as torres estiverem encobertas quando você chegar, pode valer a pena esperar um pouco, desde que as condições estejam seguras e você ainda tenha tempo suficiente para retornar dentro dos horários permitidos pela CONAF.

Depois de contemplar a Base Torres, refizemos o caminho até o setor Chileno, onde passamos a segunda noite do Circuito W.

Dia 8: Chileno → Los Cuernos | Pernoite no setor Cuernos

Depois da subida à Base Torres no dia anterior, seguimos do setor Chileno em direção a Los Cuernos.

Comparado aos outros dias do Circuito W, achei esse trecho mais tranquilo e até um pouco monótono no começo — mas isso é relativo quando estamos falando de Torres del Paine. Boa parte do caminho acompanha o Lago Nordenskjöld, com alguns trechos de subida e descida e uma paisagem que vai mudando conforme avançamos.

Torres del Paine
Segue a trilha beirando o Lago Nordenskjold

Chegamos a Los Cuernos relativamente cedo, o que foi ótimo para descansar. E vale aproveitar: o dia seguinte, passando pelo Vale Francês, seria um dos mais longos do nosso roteiro.

Torres del Paine
Cuernos del Paine

Onde dormir em Los Cuernos

Para nós, Los Cuernos foi uma das melhores hospedagens do Circuito W. Reservamos uma cabana privativa com aquecimento a lenha e, depois de alguns dias de trekking, ter mais privacidade e conforto fez uma diferença enorme.

As cabanas continuam disponíveis atualmente e acomodam duas ou três pessoas. Elas têm camas montadas, toalhas e aquecimento a lenha; os banheiros são compartilhados e têm água quente.

Além das cabanas, o setor Cuernos oferece refúgio com dormitórios compartilhados e diferentes modalidades de camping, desde espaço para montar a própria barraca até opções com barraca e equipamentos já preparados.

Para quem quiser investir em uma noite mais confortável durante o W, eu considero a cabana de Los Cuernos um ótimo ponto do roteiro para fazer isso.

Dia 9: Los Cuernos → Vale Francês → Paine Grande | Pernoite em Paine Grande

Distância aproximada: 23 km, fazendo o percurso completo até o Mirador Britânico

Esse foi um dos dias mais longos do nosso Circuito W. Saímos de Los Cuernos em direção ao antigo Campamento Italiano, porta de entrada para o Vale Francês.

circuito W torres del paine como fazer
Mirador Italiano

São cerca de 5 km entre Los Cuernos e Italiano. A partir dali, entramos no Vale Francês e seguimos em direção aos mirantes.

Existem duas possibilidades: ir somente até o Mirador Francês ou continuar até o Mirador Britânico. Nós já tínhamos decidido que, se as condições permitissem, faríamos o percurso completo.

No Italiano, deixamos as mochilas maiores e seguimos levando apenas o necessário para esse trecho. Os bastões de caminhada podem ajudar bastante nas subidas e descidas, mas isso é bem pessoal: eu preferi deixá-los para trás, enquanto o Fernando levou os dele.

Torres del Paine
Mirador Francês

Mirador Francês e Mirador Britânico

Do Italiano até o Mirador Britânico são cerca de 5,4 km de subida. O caminho passa pelo Mirador Francês antes de continuar pelo vale até o Britânico. Chegar ao Mirador Britânico valeu cada quilômetro. O mirante fica cercado pelas montanhas do Maciço Paine e oferece uma visão completamente diferente daquela que tivemos nos outros dias do circuito.

Para nós, foi um dos pontos altos do W.

Torres del Paine
Parte das Torres vista de trás

Atenção ao horário: atualmente, o trecho entre Italiano e Mirador Britânico tem horário-limite para entrada. No verão, a referência é 15h, mas o acesso pode ser restringido pelos guardaparques de acordo com o clima e as condições da trilha. Como esse já é um dia longo, vale sair cedo de Los Cuernos.

Depois do Mirador Britânico, fizemos todo o caminho de volta até Italiano, pegamos novamente nossas mochilas e seguimos os 7,5 km finais até Paine Grande.

Esse último trecho pesou nas pernas. Depois de tantos quilômetros, qualquer subida parece maior do que realmente é, mas a paisagem continua mudando e ajuda a distrair do cansaço. Chegamos finalmente ao setor Paine Grande, onde passamos a última noite do Circuito W antes de seguir, no dia seguinte, em direção ao Glaciar Grey.

Torres del Paine
Mirador Britânico

Dia 10: Paine Grande → Glaciar Grey → Puerto Natales

Distância aproximada: 22 km ida e volta

Último dia do Circuito W, mas ainda tínhamos uma longa caminhada pela frente. Saímos cedo de Paine Grande em direção ao Glaciar Grey.

Torres del Paine
El Grey

O trecho entre Paine Grande e o setor Grey tem cerca de 11 km por sentido, com subidas e descidas ao longo do caminho. Conforme avançamos, o Glaciar Grey começa a aparecer na paisagem e vai ficando cada vez mais próximo.

Ao chegar à região do Grey, vale reservar um tempo para contemplar o glaciar, mas sem perder o relógio de vista. Quem precisa voltar a Paine Grande no mesmo dia tem outros 11 km pela frente e ainda precisa chegar a tempo do catamarã que cruza o Lago Pehoé até Pudeto.

Torres del Paine
Iceberg- O mais perto que chegamos

Foi exatamente o que fizemos: caminhamos de volta a Paine Grande, pegamos o catamarã até Pudeto e, de lá, seguimos de ônibus para Puerto Natales, encerrando nosso Circuito W.

Importante: os horários do catamarã variam conforme a temporada. Confira os horários atualizados antes da viagem e planeje a caminhada de volta com uma boa margem de segurança.

Torres del Paine
Ainda tínhamos todo o caminho de volta, mas já podíamos dizer: “Missão cumprida!”

Onde dormir em Paine Grande

Na época da nossa viagem, conseguimos reservar uma acomodação privativa em Paine Grande, o que foi ótimo depois de tantos quilômetros de caminhada.

Hoje, porém, a configuração é diferente. O Refúgio Paine Grande oferece dormitórios compartilhados com beliches, além da opção de camping. É possível reservar cama simples, para quem leva o próprio saco de dormir, ou cama montada, que inclui roupa de cama.

Vale a pena fazer o Circuito W em Torres del Paine?

Para nós, valeu muito!

Terminamos o W completamente exaustos — nos dois dias seguintes eu mal conseguia andar e até descer do ônibus virou uma tarefa complicada. Mas também terminamos com aquela sensação boa de ter completado algo que exigiu bastante da gente.

Para quem gosta de trilhas, natureza e viagens mais ativas, o Circuito W reúne alguns dos cenários mais marcantes de Torres del Paine em poucos dias. Base Torres, Vale Francês, Mirador Britânico e Glaciar Grey fizeram todo o esforço valer a pena.

Foi uma das experiências mais incríveis da nossa viagem pela Patagônia e, mesmo sabendo do cansaço que viria pela frente, faríamos tudo de novo.

Como planejar uma viagem à Patagônia

Nossas melhores dicas para você planejar seu roteiro pela Patagônia.

Documentos necessários para viajar à Patagônia Argentina e Chilena

Brasileiros que viajam a turismo podem entrar tanto na Argentina quanto no Chile sem visto, utilizando passaporte ou carteira de identidade aceita como documento de viagem pelos acordos do Mercosul. A nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) pode ser utilizada nesses países.

Atenção: nem todo documento que vale como identificação no Brasil é aceito para uma viagem internacional. CNH e carteiras profissionais, como OAB e CRM, não são aceitas como documentos de viagem.

Quem possui apenas uma carteira de identidade funcional ou militar deve confirmar previamente sua aceitação com as autoridades migratórias ou viajar com passaporte, evitando problemas na fronteira.

Como este roteiro cruza a fronteira terrestre entre Argentina e Chile, mantenha o documento utilizado na entrada sempre à mão e leve o mesmo documento durante toda a viagem.

Também recomendo manter passagens e reservas de hospedagem facilmente acessíveis no celular e salvar uma cópia offline dos principais documentos e comprovantes, já que o sinal de internet pode ser limitado em alguns trechos da Patagônia.

Quando ir à Patagônia Argentina e Chilena

Para fazer este roteiro pela Patagônia Argentina e Chilena, principalmente se a ideia é percorrer o Circuito W em Torres del Paine, os meses de primavera e verão, entre outubro e março, são os mais indicados. Os dias são mais longos, há mais serviços funcionando e as condições são mais favoráveis para trekking.

Dezembro, janeiro e fevereiro concentram a alta temporada. É quando você encontra dias mais longos e uma estrutura turística funcionando a todo vapor, mas também preços mais altos e maior procura por hospedagens e refúgios. Se for viajar nesse período, reserve tudo com bastante antecedência.

Outubro, novembro e março podem ser boas alternativas para encontrar um pouco menos de movimento, mas o clima da Patagônia é imprevisível em qualquer época do ano. Vento, chuva, frio e mudanças bruscas de temperatura podem aparecer até mesmo no verão.

Já o inverno exige outro tipo de planejamento. Neve e gelo alteram as condições das trilhas e algumas áreas podem fechar ou exigir equipamentos específicos e acompanhamento de guia. Em 2026, por exemplo, o Circuito W chegou a fechar durante parte do inverno e houve períodos em que o W e a trilha Base Torres só podiam ser percorridos com guia credenciado.

Por isso, para fazer o roteiro descrito neste post com mais facilidade, eu priorizaria o período entre outubro e março.

Quantos dias ficar na Patagônia?

A Patagônia é enorme, então a quantidade de dias depende das regiões que você pretende conhecer. Para combinar Torres del Paine e El Calafate/Perito Moreno, reserve pelo menos 7 dias.

Se tiver 10 dias, dá para fazer o roteiro com mais calma ou acrescentar alguns dias em El Chaltén. Com 15 dias, você consegue montar um roteiro mais completo pela Patagônia Argentina e Chilena.

Quando reservar o Circuito W

Não deixe as reservas para a última hora. As vagas nos refúgios e campings são limitadas e, durante os meses mais concorridos do verão, as datas esgotam com muita antecedência.

As hospedagens ao longo do W são administradas por duas empresas diferentes: Las Torres Patagonia e Vértice Travel. Dependendo do sentido e do roteiro escolhido, será necessário combinar reservas das duas operadoras.

A Las Torres administra setores como Central, Chileno, Cuernos e Francés, enquanto a Vértice opera Paine Grande e Grey. Antes de comprar qualquer coisa, monte o roteiro completo, confira a disponibilidade de todas as noites e só então finalize as reservas.

Também é possível reservar pacotes completos do Circuito W, que podem incluir hospedagem, refeições, transportes e outros serviços. É uma opção mais prática para quem não quer coordenar cada reserva separadamente.

Importante: para percorrer os circuitos de montanha, tenha todas as hospedagens necessárias confirmadas antes de entrar no parque. Além disso, o ingresso do Parque Nacional Torres del Paine deve ser comprado antecipadamente.

É preciso contratar guia para fazer o Circuito W?

Durante a temporada regular, não é obrigatório contratar guia para fazer o Circuito W. As trilhas são demarcadas e muita gente percorre o circuito de forma independente. Consulte as regras da CONAF antes de iniciar o trekking.

No inverno, porém, as regras mudam. Dependendo das condições das trilhas, a CONAF pode exigir guia, equipamentos específicos ou até fechar determinados trechos. Em 2026, por exemplo, houve períodos de obrigatoriedade de guia e o Circuito W ficou fechado durante junho e julho.

Ingresso para Torres del Paine

O ingresso do Parque Nacional Torres del Paine deve ser comprado online antes da visita pelo sistema oficial Pases Parques.

Desde 2026, o parque utiliza ingressos diferenciados conforme o roteiro que será realizado, incluindo opções específicas para Full Day, Base Torres, Circuito W e Circuito Macizo Paine. Portanto, quem vai fazer o W deve selecionar o ingresso correspondente ao circuito no momento da compra.

Os valores podem mudar conforme a temporada e a categoria do visitante. Consulte o preço atualizado antes da viagem.

Como chegar a Torres del Paine

A principal cidade-base para visitar Torres del Paine é Puerto Natales, no Chile. De lá saem ônibus e transfers para diferentes entradas e setores do parque.

Para quem chega de avião, uma opção é voar para Puerto Natales quando houver voos disponíveis. Outra alternativa é desembarcar em Punta Arenas e seguir de ônibus ou transfer até Puerto Natales. Se você estiver fazendo um roteiro combinado com a Argentina, também é possível chegar a Puerto Natales de ônibus a partir de El Calafate, cruzando a fronteira terrestre entre Argentina e Chile.

Como ir de El Calafate a Puerto Natales

A maneira mais prática de combinar Perito Moreno e Torres del Paine é fazer o trecho entre El Calafate e Puerto Natales de ônibus. A viagem leva em torno de 5 a 6 horas, mas o tempo pode variar conforme os procedimentos de imigração na fronteira entre Argentina e Chile.

Como você estará cruzando uma fronteira internacional, deixe uma boa margem entre esse deslocamento e o início do Circuito W. Eu evitaria programar a chegada a Puerto Natales e o começo do trekking no mesmo dia.

Dinheiro e cartões

Como este roteiro passa por dois países, você vai lidar com pesos argentinos e pesos chilenos. Cartões são amplamente utilizados nas cidades e em muitos estabelecimentos turísticos, mas vale carregar algum dinheiro em espécie para pequenos gastos e imprevistos.

Antes de entrar no Circuito W, organize seus pagamentos e leve o necessário, porque a estrutura bancária dentro do parque é limitada.

Internet e sinal de celular

Em El Calafate e Puerto Natales, é fácil encontrar Wi-Fi e sinal de celular. Já dentro de Torres del Paine, a conexão é bem mais limitada e não deve ser considerada garantida durante o trekking.

Baixe mapas, reservas, passagens e documentos importantes para acesso offline antes de entrar no parque. Um Chip internacional que funcione no Chile e na Argentina também facilita bastante o roteiro entre os dois países.

Horário de funcionamento de Torres del Paine

O Parque Nacional Torres del Paine funciona durante todo o ano, mas os horários mudam conforme a temporada:

  • Outubro a abril: das 7h às 21h;
  • Maio a setembro: das 8h às 18h30.

Além do horário geral do parque, algumas trilhas possuem horários-limite próprios para iniciar ou passar por determinados pontos. Respeite a sinalização e as orientações dos guardaparques.

Preparo físico para o Circuito W

Não é preciso ser atleta para fazer o Circuito W em Torres del Paine, mas ter um bom condicionamento físico faz bastante diferença. São vários dias consecutivos de caminhada, com trechos longos, subidas, descidas e terreno irregular — e tudo isso carregando uma mochila.

O ideal é começar a se preparar algumas semanas ou meses antes da viagem, combinando exercícios cardiovasculares e fortalecimento muscular. Inclua também caminhadas mais longas e, se possível, trilhas com ganho de elevação.

Conforme a viagem se aproxima, vale fazer alguns desses treinos usando a mochila que você pretende levar para o Circuito W, aumentando o peso aos poucos. Além de preparar o corpo, isso ajuda a ajustar a mochila e descobrir possíveis incômodos antes de chegar à Patagônia.

O nível de esforço também depende de como você vai montar o roteiro. Quem dorme nos refúgios e contrata as refeições consegue caminhar com uma mochila bem mais leve do que quem precisa carregar barraca, saco de dormir, equipamentos e comida.

O que levar para o Circuito W

Na hora de fazer as malas para o Circuito W, a regra é levar apenas o necessário. Quanto mais pesada estiver a mochila, mais você vai sentir cada quilo depois de algumas horas de caminhada.

O clima em Torres del Paine também muda rapidamente. Mesmo durante o verão, você pode pegar frio, vento forte e chuva no mesmo dia. Por isso, o melhor é se vestir em camadas, que podem ser colocadas e retiradas conforme a temperatura.

Patagonia Chilena
Nossas mochilas

Roupas

  • Segunda pele ou camiseta de tecido sintético/merino;
  • Fleece ou outra camada intermediária;
  • Jaqueta impermeável e corta-vento;
  • Calça de trekking;
  • Calça impermeável ou sobrecalça;
  • Roupa íntima;
  • Meias próprias para trekking;
  • Roupa confortável e seca para usar nos refúgios;
  • Gorro;
  • Luvas;
  • Buff ou proteção para o pescoço.

Calçados e equipamentos

  • Bota ou tênis de trekking já amaciado;
  • Chinelo ou calçado leve para usar nos refúgios;
  • Mochila adequada ao peso que você vai carregar;
  • Mochila pequena para os trechos em que for possível deixar a mochila maior no refúgio;
  • Capa de chuva para a mochila ou sacos estanques para proteger os itens internos;
  • Bastões de caminhada;
  • Garrafa ou reservatório para água;
  • Óculos de sol;
  • Protetor solar;
  • Lanterna de cabeça;
  • Carregador portátil;
  • Kit básico de primeiros socorros e medicamentos de uso pessoal;
  • Sacos para guardar lixo e roupas sujas.

Lanches para a trilha

Mesmo contratando as refeições nos refúgios, vale carregar alguns alimentos rápidos para comer durante a caminhada, como barras de cereal ou proteína, frutas secas, castanhas, chocolates e outros snacks com bastante energia.

Antes de montar a mochila, confira também o que está incluído nas suas reservas. Dependendo do tipo de hospedagem contratado, você pode não precisar carregar barraca, saco de dormir ou refeições durante o circuito.

Seguro viagem para Patagônia

Patagônia pode ficar pertinho do Brasil, mas nem por isso você deve arriscar a viajar sem um seguro viagem para um destino de aventura! Ainda que não seja obrigatório, ele é indispensável em qualquer viagem. Um bom seguro cobre eventualidades médicas, cancelamento de voo, bagagem extraviada e custa menos de R$10 por dia de viagem.

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mari vidigal
mari vidigal
Mari é editora do Ideias na Mala há 14 anos e mora na Califórnia. Já visitou dezenas de países e explorou boa parte dos Estados Unidos com seus filhos Tom e Caio. Sua paixão? Viajar com o motorhome Rocky e colecionar Springs na Flórida. Mari é conhecida pelos seus roteiros super completos dos principais destinos da Europa (sim! Tem roteiro de Paris, Madri, Londres, Portugal e Amsterdam) e pelo conteúdo mais completo da Califórnia, Flórida e Las Vegas entre os sites de viagem do Brasil. Em 2021 recebeu o prêmio IPW Travel Awards, um dos maiores prêmios de jornalismo de viagem, e em 2024 foi finalista do prêmio Europa de Comunicação.

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Comentários:
Avatar Ana disse:

Oi,

Adorei o post, obrigada por compartilhar.

estou pensando em fazer um roteiro muito parecido com esse. Duas perguntas: Em que época vocês foram? E qual o nome de onde alugaram o carro? Recomendam carro mesmo ou bus seria mais vantajoso?

abraços,

mari vidigal mari vidigal disse:

Oi Ana,
Os meninos viajaram em fevereiro ( bem no comecinho do mês).
De Punta Arena a Puerto Natales vale super a pena pegar onibos. De puerto Natales a El Calafate, há poucos ônibus e a viagem demora muito mais tempo, por isso eles alugaram o carro.
Num mundo ideal, vc compra um bilhete de avião Buenos Aires – El Calafate e volta pelo Chile, como eles decidiram mudar o roteiro no último minuto, fizeram dessa forma!
Beijos e aproveite muito a viagem!
Mari