Salar de Uyuni: Guia completo para planejar sua viagem

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Tudo o que você precisa saber para planejar sua viagem para o Salar de Uyuni na Bolívia, saiba como chegar, qual a melhor época de visitar, como escolher os tours e muito mais. Pronto para embarcar numa viagem maravilhosa pelo deserto boliviano?

Salar de Uyuni: Guia completo para planejar sua viagem

Uma viagem econômica, com um pouco de perrengue e paisagens maravilhosas, assim é o tour do Salar de Uyuni, na Bolívia, uma dobradinha perfeita com o deserta do Atacama no Chile ou outros destinos bolivianos. Um destino relativamente próximo ao Brasil e ainda pouco explorado pelos brasileiros. Neste post dividimos com você todos os detalhes para você planejar uma viagem inesquecível pelo maior deserto de sal do mundo.

Como chegar?

As duas bases de saída para o Salar de Uyuni são San Pedro do Atacama, no Chile, e a cidade de Uyuni, na Bolívia. Combinar o Deserto do Atacama com o Salar de Uyuni é uma excelente pedida (Veja aqui o nosso roteiro de 10 dias para o Deserto do Atacama + Salar de Uyuni). Para quem já está na Bolívia, chegar à cidade de Uyuni é simples, já que a cidade tem aeroporto, com voos diretos de La Paz e Santa Cruz de La Sierra, e é bem servida por linhas de ônibus locais. Saindo do Atacama, a forma mais prática e comum de desbravar o deserto de Uyuni é fazer tours de 3 ou 4 dias com saídas de São Pedro do Atacama (nos próximos parágrafos explicarei tudo em detalhes).

Salar do Uyuni

Salar de Uyuni | Foto: Joanna Saldanha

Quando ir?

O Salar de Uyuni pode ser visitado o ano todo, o que muda é o visual do Salar que entre dezembro e março (época das chuvas) ganha um visual espelhado, e as temperadas mínimas que ficam ainda mais acentuadas durante o inverno (junho, julho e agosto). Para quem deseja um clima mais ameno a meia estação: Abril, maio, setembro e outubro é sempre uma ótima pedida.

No verão:

Para ver o salar de Uyuni parcialmente coberto de água e com aquele visual espelhado todo especial, vá de entre dezembro e março. Vale falar, porém, que em anos muito chuvosos o itinerário pode ficar mais limitado (especialmente em janeiro) já que alguns pontos ficam intransitáveis. Para ver o salar espelhado sem grandes riscos de ficar ilhado as melhores pedidas são fevereiro e março.

No inverno:

Quem pretende fazer a viagem durante o inverno chileno (julho – agosto) deve se preparar para temperaturas extremamente baixas no comecinho do dia e no anoitecer. Com a pouca estrutura dos refúgios do caminho a dica é se preparar bem e levar roupas bem quentinhas.

Amanhecer no Salar do Uyuni

Foto: Joanna Saldanha

Quanto tempo?

Os tours oferecidos duram três ou quatros dias. Os tours de três dias começam em San Pedro e terminam em Uyuni, ou vice versa. Já os de quatro dias terminam no mesmo lugar de partida.

Quanto custa?

Há dois tipos de tours pelo Salar de Uyuni, as expedições em grupo e as expedições privadas.

Tours em grupo: Um esquema mais mochileiro com acomodações simples

Os tours de quatro dias (que foi o que eu fiz) custam entre 195 e 230 dólares. Os carros levam até seis pessoas mais o motorista, as acomodações são hostels (albergues)/ hotéis bem simples. As refeições também estão inclusas, e são melhores do que eu esperava. O cardápio inclui macarrão, frango, quinoa, sopa e frutas. Não estão incluídos no preço a entrada no Parque Nacional, que custa 150 bolivianos, e bebidas em geral.

Tour privados: Acomodações um pouco mais caprichadas

É possível fazer um tour privado, que tem acomodações um pouco melhores, e custam em torno de 800 dólares.

Outros gastos e quanto dinheiro levar ao Salar de Uyuni?

As agências recomendam levar entre 250 a 300 bolivianos (~45USD em Maio de 2018) para eventuais gastos extra como banheiros e banho de água quente. No meu tour não foi necessário pagar pela água quente, mas já li relatos em que a água era cobrada. Leve o dinheiro por precaução, mas cá entre nós, não tem nem onde gastar.

 

Salar de Uyuni

Joanna no Salar de Uyuni

Dá para fazer o Salar de Uyuni por conta própria?

Dar até dá, mas nós não recomendamos. Não existe sinalização e muito menos sinal de celular na região, e se perder no deserto de sal não nos parece um bom plano de férias :P.

Como escolher a agência?

Feche seu pacote na hora

Os tours são muito parecidos, assim como o serviço oferecido pelas agências que fazem o tour para o Salar de Uyuni, assim a minha dica é segurar a ansiedade e deixar para fechar o pacote na hora, seja em San Pedro do Atacama ou em Uyuni, você certamente encontrará preços melhores do que os da internet. Eu fiz  o tour com a Estrella Del Sur e gostei muito. Outras que são bem recomendadas são a World White Travel e a Cordillera Traveller.

Vá na agência fonte

Muitas agências de San Pedro do Atacama não oferecem o tour do Salar de Uyuni e revendem o tour de agências parceiras. Vale pesquisar, descobrir que agências fazem o passeio e “ir direto na fonte”.  Estava quase fechando com uma agência que era parceira da Estrella Del Sur, mas resolvi ir na Estrella antes, e foi ótimo, pois consegui um preço melhor pelo mesmíssimo serviço. #Ficaadica

Negocie o preço

Como adiantei no paragrafo anterior, não é preciso reservar o tour pelo Salar de Uyuni com antecedência, deixando para fechar em San Pedro do Atacama ou Uyuni você conseguirá preços melhores. Quer mais desconto? Pague em dinheiro –  em pesos chilenos ou dólares – e peça mais desconto.

O que levar para o Salar de Uyuni?

  • Água
  • Papel Higiênico
  • Lenços Umedecidos (para dar aquela enganada no banho perdido)
  • Roupas quentinhas (luva, gorro, cachecol, roupa térmica e casacão)
  • Protetor solar (capriche que o sol é malvado)
  • Óculos escuros
  • Remédios pra driblar a altitude
  • Necessarie com itens de higiene pessoal
  • Mochila pra carregar tudo isso
  • Opcional: Bota impermeável (pra entrar no salar alagado sem atolar e sem se molhar :P)
  • Certificado de Vecina de Febre Amarela (obrigatório na Bolívia)

Algumas dicas sobre o que levar para o Salar de Uyuni

As agências passam uma orientação básica do que levar, mas vou frisar alguns pontos que fizeram a diferença na nossa viagem.

Leve bastante água

É super importante levar água. No primeiro dia não tem nem onde comprar. Depois, tem algumas paradas pelo caminho em algumas vendinhas que cobram muito para os turistas desavisados. Lanches são bem-vindos também, mas confesso que a altitude não me deixava com muito apetite.

Papel higiênico e lencinho umedecidos:

Papel higiênico também é item de primeira necessidade, pois a maioria dos banheiros pelo caminho não tem. O clima é muito seco, hidratante, creme labial, colírio e sorine são essenciais. Lenço umedecido também é uma boa pedida, você vai ficar pelo menos um dia sem tomar banho, então o lencinho quebra um galho nessa hora.

Roupas

De roupa, você vai precisar de tudo para se esquentar: luva, gorro, cachecol, roupa térmica e casacão. Alguns hotéis/ albergues não tem calefação, então vá preparado. O sol é muito forte, então protetor solar e óculos escuros também são itens fundamentais.

Dica: Deixe a mala grande no hotel (eu deixei em San Pedro do Atacama)

As malas e mochilas maiores ficam presas em cima dos carros. Caso você tenha escolhido fazer um tour com o mesmo local de saída e chegada, pode combinar de deixar a sua mala maior no hotel e ir com uma mochila.

Salar do Uyuni Bolívia

Foto: Joanna Saldanha

E a altitude?

Para mim, essa foi a parte mais difícil da viagem. No primeiro dia da viagem (saindo de San Pedro do Atacama) chegamos a quase cinco mil metros de altitude. Senti muito, e optei por descansar no albergue e perder uma das paradas. Foi a melhor decisão, pois não tem remédio que cure o mal de altitude, só o descanso. Faça tudo no seu tempo, e tome muito chá de coca para aliviar os sintomas. Os guias estão preparados para te ajudar, caso seja necessário.

Como é o tour?

Os carros e o grupo

O tour para o Salar de Uyuni é todo feito em carros, do tipo 4×4. São seis pessoas por carro, caso o seu grupo seja menor, vão te misturar com outras pessoas e o grupo permanecerá o mesmo até o final da viagem. No geral, todas as pessoas tem o mesmo espírito aventureiro e viajante, tive sorte com o meu grupo, nos ajudamos muito em momentos de perrengue e foi bem legal.

Como são as acomodações

As acomodações não tem energia elétrica, geralmente temos apenas duas ou três horas para carregar celulares e máquinas. Água quente também é bem regulada. Algumas pessoas ficam o tour inteiro sem tomar banho, principalmente no inverno.

Converse com os guias

O serviço é bem simples e não tem nenhum luxo. O guia faz toda a diferença no passeio, mas infelizmente não tem como prever isso antes. Muitos guias são muito jovens e não tem muita experiência, mas tente puxar conversa, para entender um pouco mais sobre a cultura boliviana.

Itinerário Resumido:

  • Dia 1: Saída de San Pedro do Atacama, fronteira Chile – Bolívia, Lagunas Blanca, Verde e Colorada.
  • Dia 2: Árbol de Piedra, Lagunas Altiplânicas e Valle de Rocas.
  • Dia 3: Salar do Uyuni e chegada na cidade de Uyuni
  • Dia 4: Retorno para San Pedro do Atacama.

Itinerário detalhado

Dia 1: Saída de San Pedro do Atacama, fronteira Chile – Bolívia, Lagunas Blanca, Verde e Colorada.

A agência te busca no hotel de manhã cedo, por volta das sete. A ida para a fronteira boliviana dura uma hora, a imigração é bem rápida, basta apresentar o seu passaporte. A Bolívia é um dos países que exige o Certificado Internacional de Vacinação Contra Febre Amarela, esteja com o seu em mãos.

Laguna Blanca

A primeira parada na Bolívia é Laguna Blanca e já impressiona bastante. A Laguna ela tem uma coloração bem clara, e estava toda espelhada. Dali seguimos para a Laguna Verde, que nem sempre está verde, depende muito do vento, e em seguida paramos nas Termas de Polque, uma piscina de água termal, e ficamos lá quase uma hora. Aproveite bastante, pois você só terá água quente no final do dia seguinte.

Laguna Blanca

Laguna Blanca | Foto: Joanna Saldanha

Chegando no albergue almoçamos e tivemos cerca de uma hora e meia de descanso, o que é providencial, pois é uma viagem muito cansativa, e a altitude é de 4900 metros. O último passeio do dia é a Laguna Colorada. Esse é o dia mais difícil em termos de altitude. Quem “sobrevive” ao primeiro dia, pode ter certeza que terá um resto de viagem mais tranquilo.

Dia 2: Árbol de Piedra, Lagunas Altiplânicas e Valle de Rocas.

Saímos do albergue por volta das 7h30, com todas as nossas malas. Nesse dia fizemos várias paradas ao longo do caminho.O guia ainda parou na Laguna Colorada, só para eu e mais um pessoa do grupo conhecermos, já que tínhamos passado mal no dia anterior.

Passamos pelas Lagunas Altiplânicas bolivianas, que não eram tão bonitas como as lagunas do primeiro dia, mas ainda assim eram lindas, e com muitos flamingos. A Arbol de Piedra, com formações de pedra em formatos diferentes para você subir e o Valle de Rocas, que é um vale cheio de rochas.

O segundo dia é o mais tranquilo do tour. Nos hospedamos em um hotel de sal (existem vários na região), que era bem confortável, com água quente e banheiro privativo.

Dia 3: Salar de Uyuni e chegada na cidade de Uyuni

Para mim, esse foi o ápice da viagem. Finalmente chegamos no famoso deserto de sal. A saída é para o Salar de Uyuni é às 5h. Vale muito a pena madrugar, o amanhecer no Salar de Uyuni é inesquecível. Esteja bem agasalhado, faz bastante frio durante a madrugada.

Entramos salar adentro e paramos na Ilha Inca Huasi, com cactos gigantes espalhados, e fizemos uma trilha até o topo da ilha. Seguimos de carro, e passamos pelas bandeiras, o marco do Dakar Bolívia e um hotel de sal abandonado. Nessa hora, o seu guia vai se transformar em fotógrafo. Ele sabe todo os ângulos e vai te ajudar a fazer foto incríveis.

Ilha Inca Huasi

Ilha Inca Huasi | Foto: Joanna Saldanha

O momentos de compras é no Pueblo Cochani, uma feira de artesanato, com muitos panos coloridos e souvenires de sal. A última é a cidade de Uyuni, onde almoçamos, e fomos para o Cemitérios dos Trens.

O tour de três dias termina depois do Cemitério. Depois do almoço, tivemos que trocar de carro para voltar e tivemos uma hora de descanso. É nesse momento que você finalmente consegue um wifi em algum restaurante da cidade. Neste dia dormimos em um “albergue”, que de fora era bem feio e com tijolo aparente, mas por dentro estava bem arrumado e e recém-pintado.

Dia 4: Retorno para San Pedro do Atacama.

Antes do sol nascer, já pegamos a estrada em direção a San Pedro do Atacama. A fila para sair da Bolívia é imensa, todos os tous chegam na mesma horam, a espera é a céu aberto, com muito frio. Já a imigração para entrar no Chile é mais tranquila, você pode esperar no carro. A chegada em San Pedro do Atacama é programada por volta de meio dia.

E vale a pena fazer o tour pelo Salar de Uyuni?

Vale. E muito! Conhecer a Bolívia foi uma das melhores experiências da minha vida. A primeira impressão que eu tive dos bolivianos e que eles são muito fechados e tímidos. Mas foi só impressão mesmo, eles são reservados, mas estão sempre abertos para uma conversa e resolvem qualquer problema.

O Salar do Uyuni é uma viagem aventureira, e com pouquíssimos recursos, mas as paisagens compensam demais. Na dúvida v´!

Tem mais alguma dúvida sobre o Salar do Uyuni? Conta pra gente, que responderemos rapidinho!


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