Como é nadar com peixe-boi na Flórida – Crystal River

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Nadar com peixe boi

Saiba como é a experiência de nadar com peixes-bois na Flórida e veja dicas imperdíveis para organizar seu passeio a Crystal River – cerca de  1 hora e meia de Orlando – uma cidade repleta de nascentes de água (as springs) que além de lindas servem de refúgio para os peixes-bois durante o inverno. Pronto para viver uma experiência inesquecível?

Como é nadar com peixe-boi na Flórida – Crystal River

Tudo o que Crystal River tem de pequena, ela tem de especial. A capital mundial do manati (ou peixe-boi) – como a cidade gosta de se posicionar – é o único lugar nos Estados Unidos onde você pode (legalmente) nadar com peixes bois e, claro, tudo feito de forma responsável e sustentável. Quanto ao papo de “Capital Mundial do Manati”, não é exagero não, para você ter uma ideia da quantidade de peixes-bois que dependem das águas de Crystal River para sobreviver aos dias mais frios do ano, em fevereiro de 2018 o departamento de caça e pesca dos Estados Unidos realizou uma contagem aérea dos peixes-bois na Flórida e contou 6131, mais de 1000 deles nas águas da cidade; nenhum outro lugar do mundo tem uma concentração tão grande de peixes-bois.

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Nadar com peixe boi

Nadando com manati na Flórida

Turismo sustentável, é claro!

Nadar com peixe-boi é um dos principais atrativos de Crystal River e é claro que todo esse turismo acontece de forma sustentável e voltado para a preservação do animal. Os guias de Crystal River são credenciados e certificados para assegurar as boas condições dos peixes bois. Eles usam técnicas de observação passiva ​aprovadas pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA. Além disso, é proibido perseguir, alimentar, encurralar e encostar nos animais. Também existem muitas regras que devem serem seguidas à risca, como não entrar nas áreas demarcadas como santuário, interferir em trabalhos que estejam acontecendo nas águas e até mesmo mergulhar perto de um peixe-boi que esteja descansando. 

E já que estamos falando tanto dos peixe-bois, que tal aprendermos um pouco mais sobre a espécie e os desafios de conservação?

Aprendendo um pouco sobre os peixes-boi

Curiosos e extremamente dóceis, os peixe-bois ou manatis (West Indian Manatee) estão entre as maiores criaturas do planeta chegando aos 4 metros de altura e mais de 1300 Kg. Eles habitam áreas costeiras e ribeirinhas fazendo um troca-troca interessante entre as águas salgadas do atlântico e as águas doces das nascentes/Springs da Flórida. Nos meses mais quentes, os manatis tem mais mobilidade e se deslocam para regiões mais longínquas (há relatos de peixes-bois avistados em Massachusetts ou no Texas) e durante o inverno eles se concentram nos Springs – me explico, eles são extremamente sensíveis a temperatura e não conseguem resistir temperaturas inferiores aos 20 °C, isso porque esses animais possuem uma baixa taxa metabólica o que dificulta a vida em temperaturas frias. É aqui vem a importância dos Springs para a sobrevivência do ecossistemas. Com uma temperatura constante de 24 graus ao longo dos anos, os Springs da Flórida são o refúgio perfeito para os manatis.

Nadar com peixe boi

Peixe-boi em Crystal River

Desafio de conservação e o refúgio de Crystal River

Pensando na proteção desta espécie, que apesar de não figurar mais na lista das espécies em perigo de extinção continua bastante vulnerável, o governo norte americano estabeleceu em 1938 o Crystal River National Wildlife Refugee. Um refúgio dedicado a proteção dos manatis e focado em turismo sustentável. O legal é que de lá para cá a população de peixes-bois cresceu de 30 (em 1960) para mais de 6000, é um avanço e tanto!

Enquanto no Brasil um dos principais desafios dos manatis é a pesca de sub-existência, na Flórida o desafio são as colisões de barco e a redução da quantidade de Springs (ou acesso aos Springs) trazidas pelo desenvolvimento urbano. Há muitos manatis que dependam da água de refugo das plantas de produção elétrica – que em breve serão modernizadas – reverter o fluxo dos peixes-bois para parques como o refugio de Crystal River é um dos desafios atuais de conservação. Outro refugio de peixes-bois é Blue Springs State Park na região de Deland, um dos lugares que visitamos durante nosso roteiro pelos Springs da Flórida.

Qual a melhor época para nadar com peixe-boi na Flórida?

A melhor época para avistá-los em grandes quantidade é durante o inverno – de novembro a fevereiro – quando as águas do mar ficam mais geladas e eles vêm para os Springs que tem uma temperatura constante de 24 graus o ano todo. Nos outros meses a quantidade de peixes-bois é reduzida. Há uns 50 anos que eles decidiram chamar Crystal River de casa e ficam por ali o ano todo, assim, arrisco dizer que dá para fazer este passeio em qualquer época do ano.

Three Sisters Springs

Three Sisters Springs Manatees | Foto: Joyce Kleen

Nadar com peixe boi

Sente só a quantidade de peixes-bois no verão | Foto: @Dicovery Crystal River

Nós viajamos no comecinho de setembro e avistamos manatis tanto durante nosso passeio de caiaque por Crystal River, quanto durante o passeio para nadar com manatis, foi especial!

A experiência: nadar com peixes-boi na Flórida

Eram 6:45 da matina quando chegamos ao escritório do Plantation Adventure Center – que fica no The Plantation on Crystal River, onde estávamos hospedados. Fomos recebidos por uma galera simpática que prontamente nos olhou, calculou – com precisão – o tamanho das roupas de neoprene e nos passou um monte de formulários de praxe para assinar.

O segundo passo foi assistir um vídeo com instruções de como fazer o passeio e com as regrinhas que já adiantei no começo do texto: não pode encostar, chutar, subir ou encurralar um manati, o ideal é nadar pertinho dele – e todos flutuam graças as grossas roupas de neoprene – sem modificar o percurso natural do animal. Pouco depois, embarcamos rumo aos canais onde os manatis se concentram, como há muita comida nesta região, são grandes as chances de acha-los nesta região.

Nadar com peixe boi

Nascer do sol visto do barco, um dos presentes do passeio

Nadar com peixe boi

Cores do nascer do sol

Nadar com peixe boi

Foi neste pontinho que achamos o primeiro peixe-boi do dia

Não demorou muito tempo para encontrarmos o “nosso manati”, de tamanho mediano – uns 2 metros – e para lá de pacato. Saímos do barco e nadamos cuidadosamente até ele que pareceu nem notar nossa presença e continuou comendo sua graminha.

Nadar com peixe boi

Nosso manati lindão

Ver aquele animal enorme e super dócil de tão pertinho é uma experiência surreal que até me emocionei. O manati é vagaroso e ia intercalando gordas bocados de grama (Manatee Grass) com uma respirada. E foi em uma dessas respiradas que ele resolveu chegar bem na minha cara e me dar um sustão, a guia me advertiu que eu não poderia fazer movimentos tão buscos, mas a minha reação ao ver o bicho no meu nariz – literalmente – foi dar marcha ré. Essa foi a primeira de muitas encostadas do manati que é bem curioso e muitas vezes encosta em alguém do grupo.

Nadar com peixe boi

O susto que levei – fotografado pela nossa guia

A corrente foi nos empurrando – nós e o manati – para uma parte mais escura do rio e uns 20 minutos depois perdemos a visibilidade. Aqui tivemos a opção de ir nadar nas Springs ou procurar mais peixes-bois, o que eu escolhi? Mais peixes-bois e que sorte que o grupo topou!

Nosso segundo encontro e o mais especial da viagem foi com uma mamãe peixe boi e seu filhote, ele nadavam juntos e a mãe amamentava o bebê que não largava o peito nem enquanto a mãe respirava.

Nadar com peixe boi

Peixe boi alimentando o bebê

Em um determinado momento eles se separaram e o filho resolveu brincar com o nosso grupo, primeiro ele abraçou a guia e ficou roçando a cabeça na barriga dela que retribuiu com carinho e, em seguida, resolveu xeretar os outros integrantes do grupo, escolhendo um deles para sentar.

Nadar com peixe boi

Filhote abraçando a nossa guia

Foi muito engraçado, e surreal ver de perto como eles são dóceis e curiosos! “Não pode encostar no peixe-boi” disse a guia com um sorriso no rosto, mas quando eles encostam – ou montam – em alguém do grupo – vale retribuir com carinho”.

Nadar com peixe boi

Primeiro ele se aproximou do sujeito que escolheu pra sentar…

Nadar com peixe boi

E eis que o peixe-boi senta no cara

De volta ao barco, demos uma passadinha em Hunter Springs (uma das Springs da cidade – acessível tanto por barco quanto de carro) para nadar. Dessa vez o Tom se animou e foi com o Gu, enquanto eu fiquei no barco com o Caio tomando chocolate quentinho do tour. Uma delícia de passeio e de experiência.

Nadar com peixe boi

Tom e Gu nadando em Hunter Springs

Quanto custa o passeio?

O passeio para nadar com peixe boi custa cerca de $67 por pessoa e inclui máscaras de mergulho e snorkel, roupa de neoprene ultra grossa e um guia excelente. Amamos e recomendamos muito a experiência.

Crianças podem fazer o passeio?

O Caio (1 ano e meio) ainda é pequeno para o passeio, mas o Tom (3 anos) poderia fazê-lo com uma roupa de tamanho um pouco maior (o menor número que eles tem é 5, ficou grande mas até que coube bem) desde que ele ficasse confortável na água e sem se mexer muito (para não chutar ou assustar o animal). No final das contas ele ficou com medo (da água fria – 24 graus – e não do peixe boi), e preferiu não entrar.

Segundo nossa guia, em geral, crianças a partir de 5 anos conseguem curtir e aproveitar bem este passeio! Melhor ainda quando a criança já sabe nadar e está confortável com a água.

Planejando sua ida a Crystal River

Nadar com peixes bois em Crystal River é um passeio que pode ser feito tanto como bate e volta a partir de Orlando (aqui você pode tanto optar por uma excursão quanto fazer o passeio por conta própria) ou fazer o passeio a partir de Crystal River (dormir uma ou duas noites na cidade é uma pedida maravilhosa para quem quer explorar a região).

Como chegar em Crystal River?

Seja para um bate e volta de um dia ou para uma estadia mais caprichada em Crystal River, você vai precisar alugar um carro.

Minha dica para aluguel de carro na Flórida é usar o RentCars para te ajudar a comparara os melhores preços – e fechar seu carro parcelado em até 12 vezes, sem juros e sem Iof. O trajeto entre Orlando e Crystal River leva cerca de 1 hora e meia e é bem tranquilo.

Principais distâncias:

  • Orlando: 145 Km
  • Tampa: 119 Km
  • Miami: 507 Km
  • Key West: 755 Km

Bate e volta a partir de Orlando

Se você ser cedinho e não tiver pressa para voltar, dá para fazer o bate e volta. Falo isso porque além do passeio para nadar com peixes bois que é imperdível, vale aproveitar o rolê para conhecer as Three Sisters Springs (que são maravilhosas) e explorar outros cantinhos especiais como a Gulf Beach (o pôr do sol é maravilhoso) e o Homossasa State Park que atua como um mini zoo para animais resgatados na natureza. Tente chegar às 15:00 para ver os três manatis que residem no parque sendo alimentados com porções generosas de alface (cada peixe boi come 24 pés de alface 4 vezes por dia).

Passeio de dia inteiro saindo de Orlando

Quem sai de Orlando pode fazer o passeio por conta própria ou contratar uma excursão que já inclui tudo: trajeto de ida e volta, nadar com peixes bois, passeio de 30 minutos de Air Boat, almoço + entrada no Homosassa State Wildlife Park. Veja mais detalhes aqui.

Vale a pena dormir em Crystal River?

Foi exatamente o que fizemos no nosso roteiro de 8 dias pelos Springs da Flórida, saímos de Orlando e passamos 2 noites em Crystal River, que além de ponto de saída para o passeio de peixes bois, tem mais de 48 Springs, uma mais maravilhosa que a outra.

A cidade tem uma rede hoteleira um tanto quanto limitada e os preços são equivalentes aos de Orlando, mas a comodidade de acordar no destino e poder curtir as maravilhas de Crystal River do nascer ao pôr do sol faz com que dormir na cidade realmente valha a pena. Eu amei e recomendo muito a experiência.

Onde ficar em Crystal River

The Plantation on Crystal River

Nós ficamos hospedados no The Plantation on Crystal River, o hotel é lindo e a chegada, em meios aos carvalhos da florida cobertos com grossas camadas de Spanish Moss, é impactante. Os quartos são um pouco antigos, mas foram recentemente remodelados – o que significa que não há nada de carpete por aqui, ufa! – mas ainda tem um cheirinho de antigo. A estrutura do hotel é ótima: com piscina (com direito a uma área de Splash Kids que está sendo cosntruída agora), quadras de volley de areia, campo de Golf e uma vista linda para o rio. Reserve aqui

Outros bons hotéis em Crystal River são:

Hampton Inn Crystal River

nadar com peixe boi na florida

Hampton Inn Crystal River | Foto: Divulgação

Da já conhecida rede de hotéis Hampton by Hilton, esta é uma opção caprichada que inclui café da manhã no valor da diária. O hotel dispo˜e de piscina ao ar livre e um centro de negócios. Os quartos são espaçosos e possuem micro-ondas, frigobar e máquina de café. A decoração é básica e o chão é revestido com carpete. Reserve aqui.

Retreat at Crystal Manatee

nadar com peixe boi na florida

Retreat at Crystal Manatee | Foto: Divulgação

Mais uma opção caprichada em Crystal River com café da manhã e estacionamento incluso. Por aqui, a localização é excelente, bem próximo ao Three Sisters Springs. Os quartos possuem, no mínimo, 25 m², ou seja, você terá bastante espaço para arrumar e desarrumar as malas. Reserve aqui.

Best Western Crystal River Resort

nadar com peixe boi na florida

Best Western Crystal River Resort | Foto: Divulgação

Este resort oferece passeios de mergulho com cilindro ou snorkel para seus hóspedes. Também conta com café da manhã, estacionamento e wi-fi inclusos no valor da diária. Em suas área comum, é possível utilizar as churrasqueiras mediante reserva. Todos os quartos são equipados com mesa para trabalho, micro-ondas e frigobar. Reserve aqui.

Dica para quem viaja com crianças: Leitura infantil

Para quem viaja com crianças vale ler o livro Xica da autora Rosinha que conta a história de um peixe-boi em busca da liberdade. A história é linda e é uma forma super legal de ensinar sobre a espécie, além de conscientizar nossos pequenos desde cedo sobre a importância de preservar as espécies. Depois de ler o livro para os meninos, o Tom e o Caio ficaram super ansiosos para conhecer a Xica, e não preciso nem dizer que todos os peixes-bois que encontramos pelo caminho viraram “Xica”, preciso?! O livro é uma graça e vale a leitura.

Seguro viagem

Por último, mas não menos importante (aliás, está longe de ser dispensável), o Seguro viagem. Realmente, ele não é obrigatório nos Estados Unidos, mas ele é extremamente importante em qualquer viagem. Além de te proteger contra voos cancelados e bagagens extraviadas, o seguro te dá segurança para não ter dor de cabeça em eventualidades médicas (e vale lembrar que todo e qualquer serviço médico americano é cobrado – e bem cobrado).

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Veja também: Seguro de viagem para os Estados Unidos

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SOBRE O AUTOR

mari vidigal

Viajante incansável, daquele tipo que no meio de uma viagem já está pensando na próxima, na próxima e na próxima. Apaixonada por fotografia, natureza e vinhos

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